ARTHUR NORY

24 ANOS, GI­NAS­TA OLÍM­PI­CO, SÃO PAU­LO

Runner’s World (Brazil) - - EU CORRO - De­poi­men­to a Patrícia Beloni

Cor­rer é es­sen­ci­al pa­ra gi­nas­tas. A cor­ri­da me­lho­ra a co­or­de­na­ção mo­to­ra e o de­sem­pe­nho téc­ni­co. Tam­bém aju­da na po­tên­cia e na oxi­ge­na­ção do cor­po, im­por­tan­te pa­ra a re­cu­pe­ra­ção mus­cu­lar. Eu não vi­vo da cor­ri­da, mas ela es­tá pre­sen­te no meu dia a dia. Cos­tu­mo cor­rer mais quan­do estou vol­tan­do das fé­ri­as. Eu qua­se sem­pre cor­ro so­zi­nho e, de pre­fe­rên­cia, ou­vin­do mú­si­ca. Ago­ra pre­ci­so ad­mi­tir: cor­rer can­sa de­mais. Uma vez qua­se vo­mi­tei em um trei­no de ex­plo­são com mui­tos ti­ros em es­for­ço má­xi­mo. A gen­te pas­sa mal mes­mo.

En­trei no mun­do do es­por­te por in­fluên­cia dos meus pai e ir­mãos. Era qua­se um re­qui­si­to fa­mi­li­ar. Cres­ce­mos nu­ma fa­mí­lia de atle­tas. Mi­nha mãe era na­da­do­ra. Meu pai era ju­do­ca. Ele que­ria que to­dos os fi­lhos fi­zes­sem judô, fos­sem fai­xa pre­ta, fa­las­sem in­glês e se en­vol­ves­sem com a área da ae­ro­náu­ti­ca. Mas no mes­mo lu­gar em que eu trei­na­va judô des­de os 6 anos tam­bém ti­nha au­las de gi­nás­ti­ca ar­tís­ti­ca. E eu sem­pre fi­ca­va olhan­do e me da­va von­ta­de de pra­ti­car. Eu via os mor­tais, as acro­ba­ci­as. Era um so­nho fa­zer.

A gi­nás­ti­ca ar­tís­ti­ca co­me­çou a fa­zer par­te da mi­nha vi­da mes­mo quan­do eu co­me­cei a ver a Daya­ne dos San­tos na TV. Ela foi meu pri­mei­ro ído­lo no es­por­te, e meu so­nho era co­nhe­cê-la. As­sim, en­trei num clu­be da ci­da­de e re­sol­vi ex­pe­ri­men­tar, mes­mo ain­da fa­zen­do judô. Re­a­li­zei um tes­te no Clu­be Pi­nhei­ros (SP) e no fim de 2005, por vol­ta dos 11 anos, co­me­cei a trei­nar. E aí meu amor pe­lo es­por­te só foi au­men­tan­do. Per­ce­bi que le­va­va jei­to, mas che­gou a ho­ra em que ti­ve que op­tar por uma das du­as mo­da­li­da­des.

Sem­pre que vou com­pe­tir, te­nho os meus ri­tu­ais. Fa­ço uma es­pé­cie de men­ta­li­za­ção das sé­ri­es que vou exe­cu­tar e tam­bém das mi­nhas me­lho­res pro­vas. Exis­te to­da es­sa ro­ti­na men­tal an­tes de qual­quer trei­no e de to­das as com­pe­ti­ções que me aju­da a me man­ter con­cen­tra­do e cal­mo.

Mi­nha próxima me­ta é con­ti­nu­ar com­pe­tin­do e me tor­nar me­da­lhis­ta mun­di­al e cam­peão olím­pi­co em Tó­quio 2020. De­pois da mi­nha mai­or con­quis­ta – o bron­ze olím­pi­co no so­lo da gi­nás­ti­ca, nas Olim­pía­das do Rio 2016 –, eu qu­e­ro mais.

“A cor­ri­da me­lho­ra a co­or­de­na­ção mo­to­ra e me dá mais ex­plo­são.”Arthur é atle­ta de gi­nás­ti­ca ar­tís­ti­ca e faz par­te do Clu­be Pi­nhei­ros (SP) e da Se­le­ção Bra­si­lei­ra de Gi­nás­ti­ca Ar­tís­ti­ca. Há dois me­ses, vol­tou de uma le­são no om­bro e ago­ra bus­ca seu pri­mei­ro ou­ro.

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