Ja­nai­na Le­pri

RE­PÓR­TER, 40 ANOS, SÃO PAU­LO

Runner’s World (Brazil) - - ÍNDICE -

Re­pór­ter da TV Glo­bo

Eu nun­ca achei que ti­ves­se ta­len­to al­gum pa­ra o es­por­te por­que sem­pre me dei mui­to mal com a bo­la. Mas gos­to de me mo­vi­men­tar, e por is­so foi im­por­tan­te en­con­trar a corrida na minha vi­da. Is­so acon­te­ceu em 1999, na Ma­ra­to­na de Re­ve­za­men­to do Pão de Açú­car.

A corrida é minha gran­de te­ra­pia. So­fri com de­pres­são em 2010 e fi­quei afas­ta­da do tra­ba- lho por qua­se um ano e meio. Quan­do me res­ta­be­le­ci, cor­rer se tor­nou uma gran­de vál­vu­la de es­ca­pe. Ela me traz tu­do: des­de a fe­li­ci­da­de da en­dor­fi­na até um tem­po so­zi­nha pa­ra or­ga­ni­zar as idei­as e re­sol­ver pro­ble­mas.

“Quan­do es­tou cor­ren­do, pa­re­ce que meu in­cons­ci­en­te fi­ca li­vre pa­ra tra­ba­lhar em paz.”

Gos­to da re­sis­tên­cia. Não sou tão rá­pi­da, e des­co­bri que pre­fi­ro as pro­vas mais lon­gas. Pa­ra mim, o co­ra­ção de­ve fi­car no pei­to, e não sair pe­la bo­ca. Minha pri­mei­ra ma­ra­to­na foi em Chi­ca­go, no ano pas­sa­do. Ba­ti na mão de to­das as cri­an­ças que me sau­da­vam do la­do de fo­ra da pro­va, na tor­ci­da. En­ten­di por que me di­zi­am que “di­ver­ti­da é a pri­mei­ra vez”.

Aca­bei de cor­rer a Ma­ra­to­na de No­va York, des­ta vez com mais fo­co em tem­po. Fi­quei mais con­cen­tra­da e pro­cu­rei man­ter o pla­no que eu ti­nha fei­to pa­ra a pro­va. Minha me­ta foi 4h20, e aca­bei cru­zan­do a li­nha de che­ga­da 8 se­gun­dos aci­ma. Fi­quei sa­tis­fei­ta.

A lar­ga­da de No­va York é uma das ex­pe­ri­ên­ci­as mais bo­ni­tas do mun­do. Eu me emo­ci­o­nei mui­to, fi­quei com von­ta­de de cho­rar. Pas­sou um fil­me na minha ca­be­ça em que re­vi minha tra­je­tó­ria e per­ce­bi o quan­to o es­por­te me dei­xou mais for­te. E is­so num lu­gar ma­ra­vi­lho­so, ao som de Si­na­tra e sob o in­cen­ti­vo de mi­lha­res de pes­so­as.

Co­mo jor­na­lis­ta, pro­du­zi al­gu­mas ma­té­ri­as so­bre a trans­for­ma­ção que o es­por­te traz pa­ra a vi­da. Afi­nal, é um te­ma com o qual me iden­ti­fi­co e que tem a ver com a minha ex­pe­ri­ên­cia pes­so­al. Te­nho um gran­de in­te­res­se em tra­ba­lhar mais com es­se uni­ver­so da corrida.

A ro­ti­na é meu gran­de de­sa­fio. Co­mo re­pór­ter, de­pen­do dos ho­rá­ri­os dos jor­nais e não te­nho jor­na­da fi­xa. Nos fins de se­ma­na, é co­mum o plan­tão da re­da­ção ba­ter com o ho­rá­rio do “lon­gão”. Não tem co­mo fa­zer milagre, e pre­ci­so ti­rar tem­po de al­gum lu­gar. Sei que não é o cer­to, mas eu ti­ro do so­no. Às ve­zes, dur­mo às 2h e acor­do às 5h do sá­ba­do pa­ra cor­rer. A frequên­cia car­día­ca so­be, e eu fi­co can­sa­da. Mas, no fim, tu­do é compensado pe­lo bem-es­tar que a corrida traz.

Ja­nai­na é re­pór­ter da TV Glo­bo em São Pau­lo e já cor­reu du­as ma­ra­to­nas in­ter­na­ci­o­nais e uma pro­va de tri­a­tlo 70.3. Seu ob­je­ti­vo no es­por­te é com­ple­tar to­das as Ma­jors (prin­ci­pais ma­ra­to­nas do mun­do).

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