2. AGROPECUÁRIA

Superguia Enem - Geografia e Historia - - SUMÁRIO -

Ao se dis­cu­tir as ques­tões que en­vol­vem a agropecuária na con­tem­po­ra­nei­da­de de­ve ser le­va­do em con­si­de­ra­ção o des­ta­que para a pro­du­ção de grãos do Bra­sil, as­sim

co­mo o de­sem­pe­nho da pe­cuá­ria bra­si­lei­ra. Se­gun­do da­dos do Mi­nis­té­rio da Agri­cul­tu­ra e Pe­cuá­ria e Abas­te­ci­men­to (MAPA), “O Bra­sil é um dos lí­de­res mun­di­ais na pro­du­ção e ex­por­ta­ção de vá­ri­os pro­du­tos agro­pe­cuá­ri­os”. Ain­da de acor­do com o MAPA, na pu­bli­ca­ção in­ti­tu­la­da “Pro­je­ções do Agro­ne­gó­cio: Bra­sil 2012/2013 a 2022/2023¹”:

O agro­ne­gó­cio bra­si­lei­ro ca­mi­nha para a pró­xi­ma dé­ca­da com fo­co na com­pe­ti­ti­vi­da­de e na mo­der­ni­da­de, fa­zen­do da uti­li­za­ção per­ma­nen­te da tec­no­lo­gia um ca­mi­nho para a sus­ten­ta­bi­li­da­de. [...] O sal­do é um mer­ca­do agrí­co­la e pe­cuá­rio in­ter­no for­te e uma ba­lan­ça co­mer­ci­al que ge­ra mais de 100 bi­lhões de dó­la­res a ca­da ano.

O Bra­sil, em ter­mos de pro­du­ção, é um dos mai­o­res ex­por­ta­do­res de grãos do mun­do e tam­bém um dos gran­des pro­du­to­res de car­ne. De­ve­mos lem­brar que, para se es­tu­dar as ques­tões que en­vol­vem a agropecuária, é in­te­res­san­te des­ta­car al­guns sistemas de mo­do de pro­du­ção de­sen­vol­vi­dos no Bra­sil e em al­guns lu­ga­res do mun­do, por exem­plo: a plan­ta­ti­on (sis­te­ma agrí­co­la im­plan­ta­do no Bra­sil, du­ran­te o Pe­río­do Co­lo­ni­al, que se de­sen­vol­veu em gran­des la­ti­fún­di­os, on­de se plan­ta­va ape­nas um úni­co pro­du­to – mo­no­cul­tu­ra – vol­ta­do para o mer­ca­do ex­ter­no), os belts (sis­te­ma agrí­co­la me­ca­ni­za­do, que faz uso de mui­tos in­su­mos e pos­sui uma ele­va­da ren­ta­bi­li­da­de, de­sen­vol­vi­do nos Es­ta­dos Uni­dos), a jar­di­na­gem (co­nhe­ci­da co­mo “agri­cul­tu­ra de quin­ta”, e de­sen­vol­vi­da no Sul e Su­des­te asiá­ti­co, para o plan­tio do ar­roz – ri­zi­cul­tu­ra – e com o uso de mui­ta ir­ri­ga­ção), a ro­ça (sis­te­ma agrí­co­la tí­pi­co de paí­ses mais po­bres, que faz uso da coi­va­ra – quei­ma­da – para a lim­pe­za do ter­re­no), os pôl­ders (téc­ni­ca agrí­co­la que am­plia o ter­ri­tó­rio atra­vés de di­ques – de­sen­vol­vi­do prin­ci­pal­men­te nos Paí­ses Bai­xos, Bél­gi­ca, Di­na­mar­ca e Ja­pão), além de ou­tros.

Atu­al­men­te, o que mo­ti­va a pro­du­ção agrí­co­la no Bra­sil é o agro­ne­gó­cio (agro­bu­si­ness), que vem cres­cen­do ace­le­ra­da­men­te, as­so­ci­a­do a um for­te in­cen­ti­vo do go­ver­no bra­si­lei­ro, que tem prin­ci­pal­men­te em sua pau­ta de ex­por­ta­ção es­ses pro­du­tos, tam­bém de­no­mi­na­dos de com­mo­di­ti­es, ou se­ja, pro­du­tos pri­má­ri­os que são ne­go­ci­a­dos no mer­ca­do in­ter­na­ci­o­nal. Por­tan­to, gran­de par­te do nos­so PIB (Pro­du­to In­ter­no Bru­to) ori­gi­na-se da ex­por­ta­ção des­ses pro­du­tos pri­má­ri­os, que ge­ram mui­tas di­vi­sas, mas al­gu­mas ve­zes não ge­ram em­pre­gos di­re­ta­men­te, co­mo é o ca­so da so­ja, pois é al­ta­men­te me­ca­ni­za­da.

Se­gun­do o re­la­tó­rio do MAPA, as pro­je­ções de sa­fra de grãos re­fe­rem-se aos 15 pro­du­tos pes­qui­sa­dos men­sal­men­te pe­la Com­pa­nhia Na­ci­o­nal de Abas­te­ci­men­to (Co­nab), co­mo par­te de seus le­van­ta­men­tos de pro­du­tos de­no­mi­na­dos grãos, que cor­res­pon­dem ao que o IBGE cha­ma de ce­re­ais, le­gu­mi­no­sas e ole­a­gi­no­sas. Os da­dos di­vul­ga­dos pe­la Co­nab re­fe­rem-se aos se­guin­tes pro­du­tos: so­ja em grão, óleo de so­ja, fa­re­lo de so­ja, mi­lho, fei­jão, car­nes (bo­vi­na, de fran­go e suí­na) e ca­na de açú­car. De acor­do com o re­la­tó­rio do IBGE, “A pri­mei­ra es­ti­ma­ti­va de 2017 para a sa­fra na­ci­o­nal de ce­re­ais, le­gu­mi­no­sas e ole­a­gi­no­sas to­ta­li­zou 221,4 mi­lhões de to­ne­la­das, 20,3% su­pe­ri­or à ob­ti­da em 2016 (184,0 mi­lhões de to­ne­la­das)”.

A pro­du­ção de so­ja no Bra­sil se ex­pan­diu ra­pi­da­men­te, des­de a dé­ca­da de 1970, do Rio Gran­de do Sul, até o pe­río­do atu­al em que avan­çou por inú­me­ros es­ta­dos bra­si­lei­ros, en­tre eles os es­ta­dos do Cen­tro-Oes­te do país. A so­ja avan­çou para os bi­o­mas de­no­mi­na­dos de cer­ra­do, e atin­giu ín­di­ces alar­man­tes de des­ma­ta­men­to, ten­do ul­tra­pas­sa­do os 50% e se­guin­do para a flo­res­ta amazô­ni­ca. As es­ta­tís­ti­cas de ja­nei­ro de 2017 do Sis­te­ma de Aler­ta de Des­ma­ta­men­to (SAD) do Bo­le­tim do Des­ma­ta­men­to, pes­qui­sa do Ins­ti­tu­to do Ho­mem e Meio Am­bi­en­te da Amazô­nia (Ima­zon)², re­ve­lam que “Em de­zem­bro de 2016 e ja­nei­ro de 2017, o SAD de­tec­tou 42 quilô­me­tros qua­dra­dos de des­ma­ta­men­to na Amazô­nia Le­gal. Is­so re­pre­sen­tou uma re­du­ção de 82% em re­la­ção a de­zem­bro de 2015 a ja­nei­ro de 2016, quan­do o des­ma­ta­men­to so­mou 227 quilô­me­tros qua­dra­dos. Em de­zem­bro de 2016 e ja­nei­ro de 2017, o des­ma­ta­men­to ocor­reu no Ma­to Gros­so (25%), Ama­zo­nas (25%), Pa­rá (23%), Rondô­nia (5%) e Ama­pá (1%)”.

Além da so­ja, ou­tros pro­du­tos agrí­co­las tam­bém fo­ram abor­da­dos em ves­ti­bu­la­res, por exem­plo, a ques­tão do tri­go, em que a pro­du­ção bra­si­lei­ra é ele­va­da, po­rém não é su­fi­ci­en­te para a de­man­da in­ter­na, sen­do ne­ces­sá­ria a im­por­ta­ção do pro­du­to da Ar­gen­ti­na. Além dis­so, tam­bém foi abor­da­do o as­sun­to da pro­du­ção de fru­tas e hor­ta­li­ças para ex­por­ta­ção na re­gião do Va­le Mé­dio do Rio São Fran­cis­co, con­tras­tan­do com a re­gião se­miá­ri­da; a ca­na, que tem uma abor­da­gem mais am­pla, Sen­do dis­cu­ti­da a pro­du­ção de eta­nol e os im­pac­tos am­bi­en­tais oca­si­o­na­dos.

De­ve­mos lem­brar que a agri­cul­tu­ra tam­bém tem os seus pro­ble­mas, en­tre eles des­ta­ca­mos o pro­ces­so de as­so­re­a­men­to cau­sa­do nos ri­os, con­sequên­cia da des­trui­ção das ma­tas ci­li­a­res; em­po­bre­ci­men­to do so­lo, cau­sa­do pe­lo uso da coi­va­ra (téc­ni­ca agrí­co­la tra­di­ci­o­nal uti­li­za­da em co­mu­ni­da­des qui­lom­bo­las, in­dí­ge­nas e ri­bei­ri­nhas no Bra­sil, na qual ini­cia-se a plan­ta­ção atra­vés da der­ru­ba­da da ma­ta na­ti­va, se­gui­da pe­la quei­ma da ve­ge­ta­ção); des­ma­ta­men­to em ge­ral, afe­tan­do a fau­na e a flo­ra; ero­são; sa­li­ni­za­ção do so­lo (gran­de con­cen­tra­ção de sais, tí­pi­ca de re­giões tro­pi­cais ou se­miá­ri­das, re­sul­ta­do da eva­po­trans­pi­ra­ção); are­ni­za­ção; la­te­ri­za­ção; li­xi­vi­a­ção; en­tre ou­tros.

Não po­de­mos es­que­cer que a no­va le­gis­la­ção am­bi­en­tal bra­si­lei­ra, al­te­ra­da pe­lo Con­gres­so em se­tem­bro de 2012, te­ve co­mo um dos pon­tos mais ques­ti­o­na­dos por or­ga­ni­za­ções so­ci­ais a anis­tia aos des­ma­ta­do­res. Exis­tem ain­da con­cei­tos e pro­ble­má­ti­cas re­la­ci­o­na­das à agropecuária que são im­por­tan­tes para se­rem des­ta­ca­dos na geografia, tais co­mo a di­fe­ren­ci­a­ção en­tre os ti­pos de pe­cuá­ria (ex­ten­si­va e in­ten­si­va), as pro­ble­má­ti­cas re­la­ci­o­na­das à con­cen­tra­ção de ter­ra, co­mo os con­fli­tos la­ti­fun­diá­ri­os e o MST (Mo­vi­men­to dos Sem Ter­ra); e tudo o que re­la­ci­o­nar ao meio am­bi­en­te e a agropecuária.

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