3.3. Aristóteles

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3.3.1. Vi­da

Aristóteles nas­ceu em Es­ta­gi­ra, na Trá­cia, em 384 / 383 a.C. Ele en­trou pa­ra a Aca­de­mia, de Pla­tão, aos 17 anos, ten­do per­ma­ne­ci­do lá du­ran­te 20 anos, até à mor­te de seu mes­tre. En­tão, Aristóteles se di­ri­giu pa­ra As­so, on­de dois dis­cí­pu­los de Pla­tão, Eras­to e Co­ris­co, ha­vi­am fun­da­do, jun­ta­men­te com Hér­mi­as, uma co­mu­ni­da­de fi­lo­só­fi­co-po­lí­ti­ca. É du­ran­te o pri­mei­ro pe­río­do de sua per­ma­nên­cia em As­so que Aristóteles vai se afas­tar, de­fi­ni­ti­va­men­te, das dou­tri­nas platô­ni­cas.

No ano de 342 a.C., Aristóteles foi cha­ma­do por Fi­li­pe, rei da Ma­cedô­nia, pa­ra se en­car­re­gar da edu­ca­ção de Ale­xan­dre. Se­gun­do Aristóteles, a cul­tu­ra gre­ga es­ta­va ca­pa­ci­ta­da pa­ra do­mi­nar o mun­do, des­de que se lhe acres­cen­tas­se uma for­te uni­da­de po­lí­ti­ca. O afas­ta­men­to en­tre Aristóteles e o rei te­ve lu­gar quan­do Ale­xan­dre pen­sou na uni­fi­ca­ção dos po­vos ori­en­tais, ten­do ado­ta­do pa­ra o mun­do gre­go for­mas ori­en­tais de so­be­ra­nia.

De re­gres­so a Ate­nas, em 335 / 334 a.C., Aristóteles fun­dou o Li­ceu, que com­pre­en­dia, além do edi­fí­cio e do jar­dim, o pas­seio, ou pe­ri­pa­to ( iti­ne­ran­te, mo­do de an­dar). Ele aban­do­nou Ate­nas em 323, pa­ra evi­tar que os ate­ni­en­ses co­me­tes­sem um se­gun­do cri­me con­tra a fi­lo­so­fia, e se re­fu­gi­ou na Eu­beia, Cál­cis. Ali se man­te­ve até uma doença de estô­ma­go ter pos­to fim à sua vi­da. De­cor­ria o ano de 322 a.C.

3.3.2. A Fi­lo­so­fia, Ci­ên­cia Par­ti­cu­lar

Se­gun­do Aristóteles, a fi­lo­so­fia é uma ci­ên­cia par­ti­cu­lar, a par de mui­tas ou­tras ci­ên­ci­as, e não tem ne­nhu­ma pri­ma­zia so­bre elas, além da­que­la que tem ori­gem no po­der de jus­ti­fi­car o va­lor e a au­to­no­mia de to­das as ou­tras ci­ên­ci­as. No en­tan­to, con­si­de­ra Aristóteles, a fi­lo­so­fia é su­pe­ri­or às ou­tras ci­ên­ci­as na me­di­da em que seu ob­je­to pe­cu­li­ar é, ele pró­prio, su­pe­ri­or: Deus. Des­te mo­do, ( Me­ta­fí­si­ca, VII, VIII, IX), as­se­gu­ra Aristóteles, a fi­lo­so­fia se ocu­pa não de um ser par­ti­cu­lar, mas do ser que é o fun­da­men­tal e co­mum a to­das as re­a­li­da­des, ou se­ja, o ser en­quan­to é.

To­da­via, a fi­lo­so­fia de­ve pro­ce­der com um mé­to­do idên­ti­co aos das ou­tras ci­ên­ci­as. Ela de­ve pro­ce­der usan­do a abs­tra­ção, que con­sis­te na se­pa­ra­ção ra­ci­o­nal en­tre os ob­je­tos e os con­cei­tos que eles re­pre­sen­tam. A fi­lo­so­fia que Aristóteles cha­mou pri­mei­ra – Fi­lo­so­fia Pri­mei­ra –, é as­sim de­sig­na­da em re­la­ção à fí­si­ca – Fi­lo­so­fia Se­gun­da –, ten­do ne­ces­si­da­de de um prin­cí­pio, ou axi­o­ma fun­da­men­tal, que é o prin­cí­pio de con­tra­di­ção. Aristóteles ex­pri­me es­te prin­cí­pio de du­as ma­nei­ras:

1ª – É im­pos­sí­vel que uma coi­sa con­ve­nha e ao mes­mo tem­po não con­ve­nha a uma mes­ma coi­sa, pro­pri­a­men­te en­quan­to é a mes­ma. Es­ta é a for­mu­la­ção ló­gi­ca.

2ª – É im­pos­sí­vel uma coi­sa ser e ao mes­mo tem­po não ser. Es­ta é a for­mu­la­ção on­to­ló­gi­ca.

Ou se­ja, é im­pos­sí­vel afir­mar: a) “o ho­mem é um ani­mal ra­ci­o­nal” e b) “o ho­mem não é um ani­mal ra­ci­o­nal”.

3.3.3. A Ló­gi­ca, Ins­tru­men­to de Pes­qui­sa

A ló­gi­ca é, pa­ra Aristóteles, um ins­tru­men­to de pes­qui­sa. Ao con­jun­to de tex­tos do au­tor so­bre ló­gi­ca da­mos o no­me de Or­ga­non.

A ló­gi­ca fun­ci­o­na sem­pre que sua es­tru­tu­ra cor­res­pon­da, exa­ta­men­te, à re­a­li­da­de.

As­sim, uti­li­za-se a te­o­ria do si­lo­gis­mo, que per­mi­te re­co­nhe­cer o si­lo­gis­mo vá­li­do (A) e o si­lo­gis­mo não vá­li­do (B) com pre­ci­são. A es­tru­tu­ra do si­lo­gis­mo é es­ta: A B[ pre­mis­sa mai­or]

C A[ pre­mis­sa me­nor]

C B[ con­clu­são]

A) Si­lo­gis­mo vá­li­do:

To­dos os ho­mens [A] são mor­tais [B] Só­cra­tes [C] é ho­mem [A].

Só­cra­tes [C] é mor­tal [B]. B) Si­lo­gis­mo não vá­li­do:

To­dos os es­pa­nhóis são an­da­lu­zes. Na­po­leão é es­pa­nhol.

Na­po­leão é an­da­luz.

3.3.4. A Me­ta­fí­si­ca

A me­ta­fí­si­ca ( de­pois de, além de e na­tu­re­za, fí­si­ca) é, em Aristóteles, o es­tu­do do ser en­quan­to ser.

A me­ta­fí­si­ca aris­to­té­li­ca aban­do­nou, de­fi­ni­ti­va­men­te, o pre­con­cei­to, que do­mi­na­va o pla­to­nis­mo, con­tra a in­ves­ti­ga­ção em­pí­ri­ca da na­tu­re­za. Se­gun­do Aristóteles, to­dos os sig­ni­fi­ca­dos da pa­la­vra “ser” têm de ser re­la­ci­o­na­dos à subs­tân­cia.

As coi­sas com­pos­tas têm uma for­ma, que dá ao con­jun­to dos ele­men­tos que as com­põem uma na­tu­re­za pró­pria, di­fe­ren­te da na­tu­re­za dos ele­men­tos sin­gu­la­res que as in­te­gram. Es­tes ele­men­tos que cons­ti­tu­em as coi­sas são, pa­ra Aristóteles, a ma­té­ria.

Exem­plo: nu­ma es­fe­ra de bron­ze, a es­fe­ri­ci­da­de é a for­ma;

O bron­ze é a ma­té­ria.

Aristóteles cha­ma ao bron­ze – a ma­té­ria, por­tan­to –, subsb­tra­to.

Ten­do por ba­se a cor­res­pon­dên­cia en­tre for­ma e ma­té­ria, Aristóteles es­ta­be­le­ce a dis­tin­ção en­tre ato e po­tên­cia. Es­ta dis­tin­ção pre­ten­de tor­nar in­te­li­gí­vel o mo­vi­men­to que, de acor­do com os Ele­a­tas, era ir­ra­ci­o­nal e, por­tan­to, ir­re­al. Em Aristóteles, o de­vir é a pas­sa­gem de tu­do o que é em po­tên­cia a tu­do o que é em ato. O con­cei­to que Aristóteles em­pre­ga pa­ra de­sig­nar o mo­men­to con­clu­si­vo da pas­sa­gem da po­tên­cia a ato é o de en­te­lé­quia ou ato fi­nal.

Quais são as cau­sas das coi­sas?

Aristóteles de­fi­ne as qua­tro cau­sas das coi­sas, que pas­sa­mos a enun­ci­ar:

1ª – Cau­sa for­mal: é a for­ma ou es­sên­cia da coi­sa (um ob­je­to se de­fi­ne pe­la sua for­ma).

2ª – Cau­sa ma­te­ri­al: é a ma­té­ria de que uma coi­sa é fei­ta (a ma­té­ria na qual con­sis­te o ob­je­to).

3ª – Cau­sa efi­ci­en­te: é tu­do aqui­lo que dá iní­cio ao de­vir (aqui­lo ou aque­le que tor­nou pos­sí­vel o ob­je­to).

4ª – Cau­sa fi­nal: é aqui­lo pa­ra o qual um ob­je­to foi cri­a­do, ou se­ja, é o fi­nal do de­vir (a fi­na­li­da­de do ob­je­to).

De acor­do com Aristóteles, a ati­vi­da­de hu­ma­na po­de ser:

1ª – Ação: é aque­la ação que tem seu fim ne­la mes­ma. São pró­pri­as da ação a éti­ca e a po­lí­ti­ca.

2ª – Pro­du­ção: é aque­la ação que tem seu fim nos ob­je­tos pro­du­zi­dos.

Pa­ra Aristóteles, a fi­lo­so­fia pri­mei­ra, a ma­te­má­ti­ca e a fí­si­ca es­go­tam to­do o sa­ber te­o­ré­ti­co, ou se­ja, o sa­ber que tem por ob­je­to o ser ne­ces­sá­rio, que é a subs­tân­cia. São es­tas, por­tan­to, as ver­da­dei­ras ci­ên­ci­as, por­que só se po­de ter ci­ên­cia do ne­ces­sá­rio.

Das três par­tes da al­ma hu­ma­na, so­men­te du­as po­dem exer­ci­tar a ra­zão:

a) Par­te in­te­lec­ti­va – é a pró­pria ra­zão. É a vir­tu­de in­te­lec­ti­va ou di­a­noé­ti­ca.

b) Par­te emo­ti­va – ape­sar de ser pri­va­da da ra­zão, a par­te emo­ti­va da al­ma po­de ser do­mi­na­da pe­la ra­zão. Es­ta é a vir­tu­de éti­ca, ou mo­ral.

Por ou­tro la­do, a al­ma ve­ge­ta­ti­va, diz Aristóteles, não po­de par­ti­ci­par da ra­zão.

3.3.5. A Po­lí­ti­ca e a Edu­ca­ção

O ho­mem é es­sen­ci­al­men­te um ani­mal po­lí­ti­co. O Es­ta­do, que re­gu­la a vi­da so­ci­al, de­ve pro­vi­den­ci­ar a edu­ca­ção mo­ral dos ci­da­dãos, con­du­zin­do-os à vir­tu­de. Nós te­mos, de acor­do com Aristóteles, os se­guin­tes ti­pos de go­ver­no:

Pa­ra Aristóteles, ca­da um de nós de­ve vi­ver ca­da si­tu­a­ção de sua vi­da não por de­fei­to ou por ex­ces­so, mas na jus­ta me­di­da ( me­so­tes), que con­sis­te na har­mo­nia da al­ma. A am­bi­ção des­me­di­da ou im­pru­dên­cia, e, tam­bém, a co­var­dia são cri­ti­ca­das pelo au­tor que de­fen­de co­mo ide­al de vi­da a “vi­da mé­dia”. Es­se ti­po de vi­da que, pa­ra Aristóteles, é a vi­da ori­en­ta­da pelo bem, con­sis­te na vi­da que, além de ser fe­liz, é útil à co­mu­ni­da­de. Co­mo al­can­çar a vi­da fe­liz? A fe­li­ci­da­de, que é o exer­cí­cio da ra­zão em acor­do com a vir­tu­de, per­mi­te ao ho­mem al­can­çar o su­mo bem que é pro­cu­ra­do por si mes­mo, sem se sub­me­ter a qual­quer ou­tro fim.

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