EXER­CÍ­CI­OS DE FI­LO­SO­FIA

Superguia Enem - Sociologia e Filosofia - - Filosofia -

(ENEM 2016 - 1ª APLI­CA­ÇÃO)

1) "Sen­ti­mos que to­da sa­tis­fa­ção de nos­sos de­se­jos ad­vin­da do mun­do as­se­me­lha-se à es­mo­la que man­tém ho­je o men­di­go vi­vo, po­rém pro­lon­ga ama­nhã a sua fo­me. A re­sig­na­ção, ao con­trá­rio, as­se­me­lha-se à for­tu­na her­da­da: li­vra o her­dei­ro pa­ra sem­pre de to­das as pre­o­cu­pa­ções." SCHOPENHAUER, A. Afo­ris­mo pa­ra a sa­be­do­ria

da vi­da. São Paulo: Mar­tins Fon­tes, 2005 O tre­cho des­ta­ca uma ideia re­ma­nes­cen­te de uma tra­di­ção fi­lo­só­fi­ca oci­den­tal, se­gun­do a qual a fe­li­ci­da­de se mos­tra in­dis­so­ci­a­vel­men­te li­ga­da à a) a con­sa­gra­ção de re­la­ci­o­na­men­tos afe­ti­vos. b) ad­mi­nis­tra­ção da in­de­pen­dên­cia in­te­ri­or. c) fu­ga­ci­da­de do co­nhe­ci­men­to em­pí­ri­co. d) li­ber­da­de de ex­pres­são re­li­gi­o­sa. e) bus­ca de pra­ze­res efê­me­ros.

2) "Ser ou não ser – eis a ques­tão.

Mor­rer – dor­mir – Dor­mir! Tal­vez so­nhar. Aí es­tá o obs­tá­cu­lo!

Os so­nhos que hão de vir no so­no da mor­te

Quan­do ti­ver­mos es­ca­pa­do ao tu­mul­to vi­tal

Nos obri­gam a he­si­tar: e é es­sa a re­fle­xão

Que dá à des­ven­tu­ra uma vi­da tão lon­ga" SHA­KES­PE­A­RE, W. Ham­let. Por­to Ale­gre:

L&PM, 2007. Es­te so­li­ló­quio po­de ser con­si­de­ra­do um pre­cur­sor do exis­ten­ci­a­lis­mo ao en­fa­ti­zar a ten­são en­tre a) cons­ci­ên­cia de si e an­gús­tia hu­ma­na. b) ine­vi­ta­bi­li­da­de do des­ti­no e in­cer­te­za mo­ral. c) tra­gi­ci­da­de da per­so­na­gem e or­dem do mun­do. d) ra­ci­o­na­li­da­de ar­gu­men­ta­ti­va e lou­cu­ra imi­nen­te. e) de­pen­dên­cia pa­ter­na e im­pos­si­bi­li­da­de de ação.

3) "Ho­je, a in­dús­tria cul­tu­ral as­su­miu a he­ran­ça ci­vi­li­za­tó­ria da de­mo­cra­cia de pi­o­nei­ros e em­pre­sá­ri­os, que tam­pou­co de­sen­vol­ve­ra uma fi­ne­za de sen­ti­do pa­ra os des­vi­os es­pi­ri­tu­ais. To­dos são li­vres pa­ra dan­çar e pa­ra se di­ver­tir, do mes­mo mo­do que, des­de a neu­tra­li­za­ção his­tó­ri­ca da re­li­gião, são li­vres pa­ra en­trar em qual­quer uma das inú­me­ras sei­tas. Mas a li­ber­da­de de es­co­lha da ide­o­lo­gia, que re­fle­te sem­pre a co­er­ção econô­mi­ca, re­ve­la-se em to­dos os se­to­res co­mo a li­ber­da­de de es­co­lher o que é sem­pre a mes­ma coi­sa."

ADOR­NO, T HORKHEI­MER, M. Di­a­lé­ti­ca do es­cla­re­ci­men­to: frag­men­tos fi­lo­só­fi­cos. Rio de Ja­nei­ro:

Zahar, 1985. A li­ber­da­de de es­co­lha na ci­vi­li­za­ção oci­den­tal, de acor­do com a aná­li­se do tex­to, é um(a) a) le­ga­do so­ci­al. b) pa­trimô­nio po­lí­ti­co. c) pro­du­to da moralidade. d) con­quis­ta da hu­ma­ni­da­de. e) ilu­são da con­tem­po­ra­nei­da­de.

4) "Nun­ca nos tor­na­re­mos ma­te­má­ti­cos, por exem­plo, em­bo­ra nos­sa me­mó­ria pos­sua to­das as de­mons­tra­ções fei­tas por ou­tros, se nos­so es­pí­ri­to não for ca­paz de re­sol­ver to­da es­pé­cie de pro­ble­mas; não nos tor­na­ría­mos fi­ló­so­fos, por ter li­do to­dos os ra­ci­o­cí­ni­os de Pla­tão e Aristóteles, sem po­der for­mu­lar um juí­zo só­li­do so­bre o que nos é pro­pos­to. As­sim, de fa­to, pa­re­ce­ría­mos ter apren­di­do, não ci­ên­ci­as, mas his­tó­ri­as."

DES­CAR­TES. R. Regras pa­ra a ori­en­ta­ção do

es­pí­ri­to. São Paulo: Mar­tins Fon­tes.1999. Em sua bus­ca pelo sa­ber ver­da­dei­ro, o au­tor con­si­de­ra o co­nhe­ci­men­to, de mo­do crí­ti­co, co­mo re­sul­ta­do da a) in­ves­ti­ga­ção de na­tu­re­za em­pí­ri­ca. b) re­to­ma­da da tra­di­ção in­te­lec­tu­al. c) im­po­si­ção de va­lo­res or­to­do­xos. d) au­to­no­mia do su­jei­to pen­san­te. e) li­ber­da­de do agen­te mo­ral.

5)

TEX­TO I

"Frag­men­to B91: Não se po­de ba­nhar du­as ve­zes no mes­mo rio, nem subs­tân­cia mor­tal al­can­çar du­as ve­zes a mes­ma con­di­ção; mas pe­la in­ten­si­da­de e ra­pi­dez da mu­dan­ça, dis­per­sa e de no­vo reú­ne."

HERÁCLITO. Frag­men­tos (So­bre a na­tu­re­za). São

Paulo: Abril Cul­tu­ral. 1996 (adap­ta­do).

TEX­TO II

"Frag­men­to B8: São mui­tos os si­nais de que o ser é in­gê­ni­to e in­des­tru­tí­vel, pois é com­pac­to, ina­ba­lá­vel e sem fim; não foi nem se­rá, pois é ago­ra um to­do ho­mo­gê­neo, uno, con­tí­nuo. Co­mo po­de­ria o que é pe­re­cer? Co­mo po­de­ria ge­rar-se?"

PARMÊNIDES. Da na­tu­re­za. São Paulo: Loyo­la,

2002 (adap­ta­do). Os frag­men­tos do pen­sa­men­to pre-so­crá­ti­co ex­põem uma opo­si­ção que se in­se­re no cam­po das a) in­ves­ti­ga­ções do pen­sa­men­to sis­te­má­ti­co. b) pre­o­cu­pa­ções do pe­río­do mi­to­ló­gi­co. c) dis­cus­sões de ba­se on­to­ló­gi­ca. d) ha­bi­li­da­des da re­tó­ri­ca so­fís­ti­ca. e) ver­da­des do mun­do sen­sí­vel.

6) "Pir­ro afir­ma­va que na­da é no­bre nem ver­go­nho­so, jus­to ou in­jus­to; e que, da mes­ma ma­nei­ra, na­da exis­te do pon­to de vis­ta da ver­da­de; que os ho­mens agem ape­nas se­gun­do a lei e o cos­tu­me, na­da sen­do mais is­to do que aqui­lo. Ele le­vou uma vi­da de acor­do com es­ta dou­tri­na, na­da pro­cu­ran­do evi­tar e não se des­vi­an­do do que quer

que fos­se, su­por­tan­do tu­do, car­ro­ças, por exem­plo, pre­ci­pí­ci­os, cães, na­da dei­xan­do ao ar­bí­trio dos sen­ti­dos." LAÉRCIO, D. Vi­das e sen­ten­ças dos fi­ló­so­fos

ilus­tres. Bra­sí­lia: Edi­to­ra UNB, 1988. O ce­ti­cis­mo, con­for­me su­ge­ri­do no tex­to, ca­rac­te­ri­za-se por:

a) Des­pre­zar quais­quer con­ven­ções e obri­ga­ções da so­ci­e­da­de.

b) Atin­gir o ver­da­dei­ro pra­zer co­mo o prin­cí­pio e o fim da vi­da fe­liz.

c) De­fen­der a in­di­fe­ren­ça e a im­pos­si­bi­li­da­de de ob­ter al­gu­ma cer­te­za.

d) Acei­tar o de­ter­mi­nis­mo e ocu­par-se com a es­pe­ran­ça trans­cen­den­te.

e) Agir de for­ma vir­tu­o­sa e sá­bia a fim de enal­te­cer o ho­mem bom e be­lo.

7) "Vi os ho­mens su­mi­rem-se nu­ma gran­de tris­te­za. Os me­lho­res can­sa­ram-se das su­as obras. Pro­cla­mou-se uma dou­tri­na e com ela cir­cu­lou uma cren­ça: Tu­do é oco, tu­do é igual, tu­do pas­sou! O nos­so tra­ba­lho foi inú­til; o nos­so vi­nho tor­nou-se ve­ne­no; o mau olha­do ama­re­le­ceu-nos os cam­pos e os co­ra­ções. Se­ca­mos de to­do, e se caís­se fo­go em ci­ma de nós, as nos­sas cin­zas vo­a­ri­am em pó. Sim; can­sa­mos o pró­prio fo­go. To­das as fon­tes se­ca­ram pa­ra nós, e o mar re­ti­rou-se. To­dos os so­los se que­rem abrir, mas os abis­mos não nos que­rem tra­gar!" NIETZSCHE. F. As­sim fa­lou Za­ra­tus­tra. Rio de

Ja­nei­ro: Edi­ou­ro.1977. O tex­to ex­pri­me uma cons­tru­ção ale­gó­ri­ca, que tra­duz um en­ten­di­men­to da dou­tri­na ni­i­lis­ta, uma vez que a) re­for­ça a li­ber­da­de do ci­da­dão. b) des­ve­la os va­lo­res do co­ti­di­a­no. c) exor­ta as re­la­ções de pro­du­ção. d) des­ta­ca a de­ca­dên­cia da cul­tu­ra. e) am­pli­fi­ca o sen­ti­men­to de an­si­e­da­de.

8) "A pro­mes­sa da tec­no­lo­gia mo­der­na se con­ver­teu em uma ame­a­ça, ou es­ta se as­so­ci­ou àque­la de for­ma in­dis­so­lú­vel. Ela vai além da cons­ta­ta­ção da ame­a­ça fí­si­ca. Con­ce­bi­da pa­ra a fe­li­ci­da­de hu­ma­na, a sub­mis­são da na­tu­re­za, na so­bre­me­di­da de seu su­ces­so, que ago­ra se es­ten­de à pró­pria na­tu­re­za do ho­mem, con­du­ziu ao mai­or de­sa­fio já pos­to ao ser hu­ma­no pe­la sua pró­pria ação. O no­vo con­ti­nen­te da prá­xis co­le­ti­va que aden­tra­mos com a al­ta tec­no­lo­gia ain­da cons­ti­tui, pa­ra a te­o­ria éti­ca, uma ter­ra de nin­guém."

JONAS. H. O prin­cí­pio da res­pon­sa­bi­li­da­de. Rio de Ja­nei­ro: Con­tra­pon­to; Edi­to­ra PUC-Rio, 2011

(adap­ta­do). As im­pli­ca­ções éti­cas da ar­ti­cu­la­ção apre­sen­ta­da no tex­to im­pul­si­o­nam a ne­ces­si­da­de de cons­tru­ção de um no­vo pa­drão de com­por­ta­men­to, cu­jo ob­je­ti­vo con­sis­te em ga­ran­tir o(a)

a) prag­ma­tis­mo da es­co­lha in­di­vi­du­al. b) so­bre­vi­vên­cia de ge­ra­ções fu­tu­ras. c) for­ta­le­ci­men­to de po­lí­ti­cas li­be­rais. d) va­lo­ri­za­ção de múl­ti­plas et­ni­as. e) promoção da inclusão so­ci­al.

(UENP – 2013)

9) Da­das as afir­ma­ções so­bre o fi­ló­so­fo Nietzsche, as­si­na­le a al­ter­na­ti­va INCORRETA.

a) Nietzsche pro­du­ziu uma pro­fun­da crí­ti­ca ao cris­ti­a­nis­mo, so­bre­tu­do na obra O An­ti­cris­to, em que afir­ma que o úni­co cris­tão mor­reu na cruz.

b) Nietzsche foi dis­cí­pu­lo de Fou­cault, to­man­do pa­ra si, sem atri­buir os de­vi­dos créditos, o mé­to­do ge­ne­a­ló­gi­co. Po­de ser con­si­de­ra­do um fou­caul­ti­a­no le­gí­ti­mo e te­ve co­mo sua lei­tu­ra pre­di­le­ta a obra Vi­gi­ar e Pu­nir, de Fou­cault.

c) Ao lon­go de sua obra, Nietzsche te­ce du­ras crí­ti­cas à mo­der­ni­da­de e ao cris­ti­a­nis­mo, en­ten­den­do o úl­ti­mo co­mo pla­to­nis­mo do po­vo e, so­bre­tu­do, ata­can­do os sa­cer­do­tes en­quan­to in­ver­so­res dos va­lo­res no­bres.

d) Es­tu­dos apro­fun­da­dos de­mons­tram que na obra Von­ta­de de Po­der, atri­buí­da a Nietzsche por di­ver­sos anos, cons­ta­va uma sé­rie de afir­ma­ções in­tro­du­zi­das por in­ter­ven­ção de sua ir­mã, ob­je­ti­van­do agra­dar ao par­ti­do na­zis­ta.

e) Na obra Pa­ra a Ge­ne­a­lo­gia da Mo­ral, di­vi­di­da em três dis­ser­ta­ções, en­con­tra-se, co­mo te­má­ti­ca cen­tral, o ques­ti­o­na­men­to so­bre a ori­gem dos va­lo­res mo­rais – uma crí­ti­ca ao uti­li­ta­ris­mo in­glês, além de ou­tras, co­mo res­sen­ti­men­to e ide­ais as­cé­ti­cos.

(ENEM 2016 - 2ª APLI­CA­ÇÃO)

10) "Os an­dró­gi­nos ten­ta­ram es­ca­lar o céu pa­ra com­ba­ter os deu­ses. No en­tan­to, os deu­ses em um pri­mei­ro mo­men­to pen­sam em ma­tá-los de for­ma su­má­ria. De­pois de­ci­dem pu­ni-los da for­ma mais cru­el: di­vi­dem-nos em dois. Por exem­plo, é co­mo se pe­gás­se­mos um ovo co­zi­do e, com uma li­nha, di­vi­dís­se­mos ao meio. Des­ta for­ma, até ho­je as me­ta­des se­pa­ra­das bus­cam reu­nir-se. Ca­da um com sau­da­de de sua me­ta­de, ten­ta jun­tar-se no­va­men­te a ela, abra­çan­do-se, en­la­çan­do-se um ao ou­tro, de­se­jan­do for­mar um úni­co ser."

PLA­TÃO. O ban­que­te. São Paulo: No­va Cul­tu­ral,

1987. No tre­cho da obra O ban­que­te, Pla­tão ex­pli­ci­ta, por meio de uma ale­go­ria, o a) bem su­pre­mo co­mo fim do ho­mem. b) pra­zer pe­re­ne co­mo fun­da­men­to da fe­li­ci­da­de. c) ide­al in­te­li­gí­vel co­mo trans­cen­dên­cia de­se­ja­da. d) amor co­mo fal­ta cons­ti­tuin­te do ser hu­ma­no. e) au­to­co­nhe­ci­men­to co­mo ca­mi­nho da ver­da­de.

11) "O pro­ces­so de jus­ti­ça é um pro­ces­so ora de di­ver­si­fi­ca­ção do di­ver­so, ora de uni­fi­ca­ção do idên­ti­co. A igual­da­de en­tre to­dos os se­res hu­ma­nos em re­la­ção aos di­rei­tos fun­da­men­tais é o re­sul­ta­do de um pro­ces­so de gra­du­al eli­mi­na­ção de dis­cri­mi­na­ções e, por­tan­to, de uni­fi­ca­ção da­qui­lo que ia sen­do re­co­nhe­ci­do co­mo idên­ti­co: uma na­tu­re­za co­mum do ho­mem aci­ma de qual­quer di­fe­ren­ça de se­xo, ra­ça, re­li­gião etc."

BOBBIO, N. Te­o­ria ge­ral da po­lí­ti­ca: a fi­lo­so­fia po­lí­ti­ca e as li­ções dos clás­si­cos. Rio de Ja­nei­ro:

Cam­pus, 2000. De acor­do com o tex­to, a cons­tru­ção de uma so­ci­e­da­de de­mo­crá­ti­ca fun­da­men­ta-se em: a) A nor­ma es­ta­be­le­ci­da pe­la dis­ci­pli­na so­ci­al. b) A per­ten­ça dos in­di­ví­du­os à mes­ma ca­te­go­ria. c) A au­sên­cia de cons­tran­gi­men­tos de or­dem pú­bli­ca. d) A de­bi­li­ta­ção das es­pe­ran­ças na con­di­ção hu­ma­na. e) A ga­ran­tia da se­gu­ran­ça das pes­so­as e va­lo­res so­ci­ais.

12) "Nin­guém de­li­be­ra so­bre coi­sas que não po­dem ser de ou­tro mo­do, nem so­bre as que lhe é im­pos­sí­vel fa­zer. Por con­se­guin­te, co­mo o co­nhe­ci­men­to ci­en­tí­fi­co en­vol­ve de­mons­tra­ção, mas não há de­mons­tra­ção de coi­sas cu­jos pri­mei­ros prin­cí­pi­os são variáveis (pois to­das elas po­de­ri­am ser di­fe­ren­te­men­te), e co­mo é im­pos­sí­vel de­li­be­rar so­bre coi­sas que são por ne­ces­si­da­de, a sa­be­do­ria prá­ti­ca não po­de ser ci­ên­cia, nem ar­te: nem ci­ên­cia, por­que aqui­lo que se po­de fa­zer é ca­paz de ser di­fe­ren­te­men­te, nem ar­te, por­que o agir e o pro­du­zir são du­as es­pé­ci­es di­fe­ren­tes de coi­sa. Res­ta, pois, a al­ter­na­ti­va de ser ela uma ca­pa­ci­da­de ver­da­dei­ra e ra­ci­o­ci­na­da de agir com res­pei­to às coi­sas que são bo­as ou más pa­ra o ho­mem." ARISTÓTELES. Éti­ca a Nicô­ma­co. São Paulo: Abril

Cul­tu­ral, 1980. Aristóteles con­si­de­ra a éti­ca co­mo per­ten­cen­te ao cam­po do sa­ber prá­ti­co. Nes­se sen­ti­do, ela di­fe­re-se dos ou­tros sa­be­res por­que é ca­rac­te­ri­za­da co­mo

a) con­du­ta de­fi­ni­da pe­la ca­pa­ci­da­de ra­ci­o­nal de es­co­lha.

b) ca­pa­ci­da­de de es­co­lher de acor­do com pa­drões ci­en­tí­fi­cos.

c) co­nhe­ci­men­to das coi­sas im­por­tan­tes pa­ra a vi­da do ho­mem.

d) téc­ni­ca que tem co­mo re­sul­ta­do a pro­du­ção de bo­as ações.

e) po­lí­ti­ca es­ta­be­le­ci­da de acor­do com pa­drões de­mo­crá­ti­cos de de­li­be­ra­ção.

13) Ar­re­pen­di­men­tos ter­mi­nais

Em An­tes de par­tir, uma cui­da­do­ra es­pe­ci­a­li­za­da em do­en­tes ter­mi­nais fa­la do que eles mais se ar­re­pen­dem na ho­ra de mor­rer. “Não de­ve­ria ter tra­ba­lha­do tan­to”, diz um dos pa­ci­en­tes. “De­se­ja­ria ter fi­ca­do em con­ta­to com meus ami­gos”, lem­bra ou­tro. “De­se­ja­ria ter co­ra­gem de ex­pres­sar meus sen­ti­men­tos.” “Não de­ve­ria ter le­va­do a vi­da ba­se­an­do-me no que es­pe­ra­vam de mim”, diz um ter­cei­ro. Há cem anos ou cin­quen­ta, qu­em sa­be, sem dú­vi­da se­ri­am ou­tros os ar­re­pen­di­men­tos ter­mi­nais. “Gostaria de ter si­do mais útil à mi­nha pá­tria.” “De­ve­ria ter si­do mais obe­di­en­te a Deus.” “Gostaria de ter dei­xa­do mais pa­trimô­nio aos meus des­cen­den­tes.”

COELHO. M. Fo­lha de São Paulo. 2 jan 2013.

O tex­to com­pa­ra hi­po­te­ti­ca­men­te dois pa­drões mo­rais que di­ver­gem por se ba­se­a­rem res­pec­ti­va­men­te em a) sa­tis­fa­ção pes­so­al e va­lo­res tra­di­ci­o­nais. b) re­la­ti­vis­mo cul­tu­ral e pos­tu­ra ecu­mê­ni­ca. c) tran­qui­li­da­de es­pi­ri­tu­al e cos­tu­mes li­be­rais. d) re­a­li­za­ção pro­fis­si­o­nal e cul­to à per­so­na­li­da­de. e) en­ga­ja­men­to po­lí­ti­co e prin­cí­pi­os na­ci­o­na­lis­tas.

14)

TEX­TO I

"Até aqui ex­pus a na­tu­re­za do ho­mem (cu­jo or­gu­lho e ou­tras pai­xões o obri­ga­ram a sub­me­ter-se ao go­ver­no), jun­ta­men­te com o gran­de po­der do seu go­ver­nan­te, o qual com­pa­rei com o Le­vi­a­tã, ti­ran­do es­sa com­pa­ra­ção dos dois úl­ti­mos ver­sí­cu­los do ca­pí­tu­lo 41 de Jó, on­de Deus, após ter es­ta­be­le­ci­do o gran­de po­der do Le­vi­a­tã, lhe cha­mou Rei dos So­ber­bos. Não há na­da na Ter­ra, dis­se ele, que se lhe pos­sa com­pa­rar."

HOB­BES. T. O Le­vi­a­tã. São Paulo: Mar­tins Fon­tes,

2003

TEX­TO II

"Eu as­se­gu­ro, tran­qui­la­men­te, que o go­ver­no ci­vil é a so­lu­ção ade­qua­da pa­ra as in­con­ve­ni­ên­ci­as do es­ta­do de na­tu­re­za, que de­vem cer­ta­men­te ser gran­des quan­do os ho­mens po­dem ser juí­zes em cau­sa pró­pria, pois é fá­cil ima­gi­nar que um ho­mem tão in­jus­to a pon­to de le­sar o ir­mão di­fi­cil­men­te se­rá jus­to pa­ra con­de­nar a si mes­mo pe­la mes­ma ofen­sa."

LOC­KE, J. Se­gun­do tra­ta­do so­bre o go­ver­no ci­vil.

Pe­tro­po­lis; Vo­zes, 1994. Tho­mas Hob­bes e John Loc­ke, im­por­tan­tes teó­ri­cos con­tra­tu­a­lis­tas, dis­cu­ti­ram as­pec­tos li­ga­dos à na­tu­re­za hu­ma­na e ao Es­ta­do. Tho­mas Hob­bes, di­fe­ren­te­men­te de John Loc­ke, en­ten­de o es­ta­do de na­tu­re­za co­mo um(a)

a) con­di­ção de gu­er­ra de to­dos con­tra to­dos, mi­sé­ria uni­ver­sal, in­se­gu­ran­ça e me­do da mor­te vi­o­len­ta.

b) or­ga­ni­za­ção pré-so­ci­al e pré-po­lí­ti­ca em que o ho­mem nas­ce com os di­rei­tos na­tu­rais: vi­da, li­ber­da­de, igual­da­de e pro­pri­e­da­de.

c) ca­pri­cho tí­pi­co da me­no­ri­da­de, que de­ve ser eli­mi­na­do pe­la exi­gên­cia mo­ral, pa­ra que o ho­mem pos­sa cons­ti­tuir o Es­ta­do ci­vil.

d) si­tu­a­ção em que os ho­mens nas­cem co­mo de­ten­to-

res de li­vre-ar­bí­trio, mas são fe­ri­dos em sua li­vre de­ci­são pelo pe­ca­do ori­gi­nal.

e) es­ta­do de fe­li­ci­da­de, saú­de e li­ber­da­de que é des­truí­do pe­la ci­vi­li­za­ção, que per­tur­ba as re­la­ções so­ci­ais e vi­o­len­ta a hu­ma­ni­da­de.

15) "[...] O SER­VI­DOR – Di­zi­am ser fi­lho do rei... ÉDIPO – Foi ela qu­em te en­tre­gou a cri­an­ça? O SER­VI­DOR – Foi ela, Se­nhor.

ÉDIPO – Com que in­ten­ção?

O SER­VI­DOR – Pa­ra que eu a ma­tas­se.

ÉDIPO – Uma mãe! Mu­lher des­gra­ça­da! O SER­VI­DOR – Ela ti­nha me­do de um orá­cu­lo dos deu­ses.

ÉDIPO – O que ele anun­ci­a­va?

O SER­VI­DOR – Que es­sa cri­an­ça um dia ma­ta­ria seu pai.

ÉDIPO – Mas por que tu a en­tre­gas­te a es­te ho­mem? O SER­VI­DOR – Ti­ve pi­e­da­de de­la, mes­tre. Acre­di­tei que ele a le­va­ria ao país de on­de vi­nha. Ele te sal­vou a vi­da, mas pa­ra os piores ma­les! Se és re­al­men­te aque­le de qu­em ele fa­la, sai­bas que nas­ces­te mar­ca­do pe­la in­fe­li­ci­da­de.

ÉDIPO – Oh! Ai de mim! En­tão no fi­nal tu­do se­ria ver­da­de! Ah! Luz do dia, que eu te ve­ja aqui pe­la úl­ti­ma vez, já que ho­je me re­ve­lo o fi­lho de qu­em não de­via nas­cer, o es­po­so de qu­em não de­via ser, o as­sas­si­no de qu­em não de­ve­ria ma­tar!"

SÓFOCLES. Édipo Rei. Por­to Ale­gre: L&PM. 2011. O tre­cho da obra de Sófocles, que ex­pres­sa o nú­cleo da tra­gé­dia gre­ga, re­ve­la o(a)

a) con­de­na­ção eter­na dos ho­mens pe­la prá­ti­ca in­jus­ti fi­ca­da do in­ces­to.

b) le­ga­lis­mo es­ta­tal ao pu­nir com a pri­são per­pé­tua o cri­me de par­ri­cí­dio.

c) bus­ca pe­la ex­pli­ca­ção ra­ci­o­nal so­bre os fa­tos até en­tão des­co­nhe­ci­dos.

d) ca­rá­ter an­tro­po­mór­ti­co dos deu­ses na me­di­da em que imi­ta­vam os ho­mens.

e) im­pos­si­bi­li­da­de de o ho­mem fu­gir do des­ti­no pre­de - ter­mi­na­do pe­los deu­ses.

16) "Po­de-se ad­mi­tir que a ex­pe­ri­ên­cia pas­sa­da dá so­men­te uma in­for­ma­ção di­re­ta e se­gu­ra so­bre de­ter­mi­na­dos ob­je­tos em de­ter­mi­na­dos pe­río­dos do tem­po, dos quais ela te­ve co­nhe­ci­men­to. To­da­via, é es­ta a prin­ci­pal ques­tão so­bre a qual gostaria de in­sis­tir: por que es­ta ex­pe­ri­ên­cia tem de ser es­ten­di­da a tem­pos fu­tu­ros e a ou­tros ob­je­tos que, pelo que sa­be­mos, uni­ca­men­te são si­mi­la­res em apa­rên­cia. O pão que ou­tro­ra co­mi ali­men­tou-me, is­to é, um cor­po do­ta­do de tais qua­li­da­des sen­sí­veis es­ta­va, a es­te tem­po, do­ta­do de tais po­de­res des­co­nhe­ci­dos. Mas, se­gue-se daí que es­te ou­tro pão de­ve tam­bém ali- men­tar­me co­mo ocor­reu na ou­tra vez, e que qua­li­da­des sen­sí­veis se­me­lhan­tes de­vem sem­pre ser acom­pa­nha­das de po­de­res ocul­tos se­me­lhan­tes? A con­sequên­cia não pa­re­ce de ne­nhum mo­do ne­ces­sá­ria."

HU­ME, D. In­ves­ti­ga­ção acer­ca do en­ten­di­men­to

hu­ma­no. São Paulo: Abril cul­tu­ral, 1995 O pro­ble­ma des­cri­to no tex­to tem co­mo con­sequên­cia a

a) uni­ver­sa­bi­li­da­de do con­jun­to das pro­po­si­ções de ob­ser­va­ção.

b) nor­ma­ti­vi­da­de das te­o­ri­as ci­en­tí­fi­cas que se va­lem da ex­pe­ri­ên­cia.

c) di­fi­cul­da­de de se fun­da­men­tar as leis ci­en­tí­fi­cas em ba­ses em­pí­ri­cas.

d) in­vi­a­bi­li­da­de de se con­si­de­rar a ex­pe­ri­ên­cia na cons­tru­ção da ci­ên­cia.

e) cor­res­pon­dên­cia en­tre afir­ma­ções sin­gu­la­res e afir­ma­ções uni­ver­sais.

17) "Fun­da­mos, co­mo afir­mam al­guns ci­en­tis­tas, o an­tro­po­ce­no: uma no­va era ge­o­ló­gi­ca com al­tís­si­mo po­der de des­trui­ção, fru­to dos úl­ti­mos sé­cu­los que sig­ni­fi­ca­ram um trans­tor­no per­ver­so do equi­lí­brio do sis­te­ma-Ter­ra. Co­mo en­fren­tar es­ta no­va si­tu­a­ção nun­ca ocor­ri­da an­tes de for­ma glo­ba­li­za­da e pro­fun­da? Te­mos pes­so­al­men­te tra­ba­lha­do os pa­ra­dig­mas da sus­ten­ta­bi­li­da­de e do cui­da­do co­mo re­la­ção ami­gá­vel e co­o­pe­ra­ti­va pa­ra com a na­tu­re­za. Que­re­mos, ago­ra, agre­gar a éti­ca da res­pon­sa­bi­li­da­de."

BOFF, L. Res­pon­sa­bi­li­da­de co­le­ti­va. Dis­po­ní­vel em: http://le­o­nar­do­boff.word­press.com. Aces­so em: 14 maio

2013 A éti­ca da res­pon­sa­bi­li­da­de pro­ta­go­ni­za­da pelo fi­ló­so­fo ale­mão Hans Jonas e rein­vin­di­ca­da no tex­to é ex­pres­sa pe­la má­xi­ma:

a) “A tua ação pos­sa va­ler co­mo nor­ma pa­ra to­dos os ho­mens.”

b) “A nor­ma acei­ta por to­dos ad­ve­nha da ação co­mu­ni­ca­ti­va e do dis­cur­so.”

c) “A tua ação pos­sa pro­du­zir a má­xi­ma fe­li­ci­da­de pa­ra a mai­o­ria das pes­so­as.”

d) “O teu agir al­me­je al­can­çar de­ter­mi­na­dos fins que pos­sam jus­ti­fi­car os mei­os.”

e) “O efei­to de tu­as ações não des­trua a pos­si­bi­li­da­de fu­tu­ra da vi­da das no­vas ge­ra­ções.”

(UNESP – 2017)

18) "A ge­nuí­na e pró­pria fi­lo­so­fia co­me­ça no Oci­den­te. Só no Oci­den­te se er­gue a li­ber­da­de da au­to­cons­ci­ên­cia. No es­plen­dor do Oriente de­sa­pa­re­ce o in­di­ví­duo; só no Oci­den­te a luz se tor­na a lâm­pa­da do pen­sa­men­to que se ilu­mi­na a si pró­pria, cri­an­do por si o seu mun­do. Que um po­vo se re­co­nhe­ça li­vre, eis o que cons­ti­tui o seu ser, o prin­cí­pio de to­da a sua vi­da mo­ral e ci­vil. Te­mos a no­ção do nos­so ser es­sen­ci­al

no sen­ti­do de que a li­ber­da­de pes­so­al é a sua con­di­ção fun­da­men­tal, e de que nós, por con­se­guin­te, não po­de­mos ser es­cra­vos. O es­tar às or­dens de ou­tro não cons­ti­tui o nos­so ser es­sen­ci­al, mas sim o não ser es­cra­vo. As­sim, no Oci­den­te, es­ta­mos no ter­re­no da ver­da­dei­ra e pró­pria fi­lo­so­fia."

(He­gel. Es­té­ti­ca, 2000. Adap­ta­do.) De acor­do com o tex­to de He­gel, a fi­lo­so­fia a) vi­sa ao es­ta­be­le­ci­men­to de cons­ci­ên­ci­as ser­vis e re­pre­sen­ta­ções ho­mo­gê­ne­as.

b) é com­pa­tí­vel com re­gi­mes po­lí­ti­cos ba­se­a­dos na cen­su­ra e na opres­são.

c) va­lo­ri­za as pai­xões e os sen­ti­men­tos em de­tri­men­to da ra­ci­o­na­li­da­de.

d) é in­se­pa­rá­vel da re­a­li­za­ção e ex­pan­são de po­ten­ci­ais de ra­zão e de li­ber­da­de.

e) fun­da­men­ta-se na ine­xis­tên­cia de pa­drões uni­ver­sais de jul­ga­men­to.

19) "Nos­sa fe­li­ci­da­de de­pen­de da­qui­lo que so­mos, de nos­sa in­di­vi­du­a­li­da­de; en­quan­to, na mai­or par­te das ve­zes, le­va­mos em con­ta ape­nas a nos­sa sor­te, ape­nas aqui­lo que te­mos ou re­pre­sen­ta­mos. Pois, o que al­guém é pa­ra si mes­mo, o que o acom­pa­nha na so­li­dão e nin­guém lhe po­de dar ou re­ti­rar, é ma­ni­fes­ta­men­te mais es­sen­ci­al pa­ra ele do que tu­do quan­to pu­der pos­suir ou ser aos olhos dos ou­tros. Um ho­mem es­pi­ri­tu­al­men­te rico, na mais ab­so­lu­ta so­li­dão, con­se­gue se di­ver­tir pri­mo­ro­sa­men­te com seus pró­pri­os pen­sa­men­tos e fan­ta­si­as, en­quan­to um ob­tu­so, por mais que mu­de con­ti­nu­a­men­te de so­ci­e­da­des, es­pe­tá­cu­los, pas­sei­os e fes­tas, não con­se­gue afu­gen­tar o té­dio que o mar­ti­ri­za."

(Schopenhauer. Afo­ris­mos so­bre a sa­be­do­ria de vi­da,

2015. Adap­ta­do.) Com ba­se no tex­to, é cor­re­to afir­mar que a éti­ca de Schopenhauer

a) cor­ro­bo­ra os pa­drões he­gemô­ni­cos de com­por­ta­men­to da so­ci­e­da­de de consumo atu­al.

b) va­lo­ri­za o apri­mo­ra­men­to for­ma­ti­vo do es­pí­ri­to co­mo cam­po mais re­le­van­te da vi­da hu­ma­na.

c) va­lo­ri­za pre­fe­ren­ci­al­men­te a sim­pli­ci­da­de e a hu­mil­da­de, em vez do cul­ti­vo de qua­li­da­des in­te­lec­tu­ais.

d) pri­o­ri­za a con­di­ção so­ci­al e a ri­que­za ma­te­ri­al co­mo as de­ter­mi­na­ções mais re­le­van­tes da vi­da hu­ma­na.

e) re­a­li­za um elo­gio à fé re­li­gi­o­sa e à es­pi­ri­tu­a­li­da­de em de­tri­men­to da atra­ção pe­los bens ma­te­ri­ais.

(UNESP – 2016)

20) "O mun­do se­ria or­de­na­do de­mais, har­mo­ni­o­so de­mais, pa­ra que se pos­sa ex­pli­cá-lo sem su­por, na sua ori­gem, uma in­te­li­gên­cia be­ne­vo­len­te e or­ga­ni­za­do­ra. Co­mo o aca­so po­de­ria fa­bri­car um mun­do tão bo­ni­to? Se en­con­tras­sem um re­ló­gio num pla­ne­ta qual­quer, nin­guém po­de­ria acre­di­tar que ele se ex­pli­cas­se uni­ca­men­te pe­las leis da na­tu­re­za, qual­quer um ve­ria ne­le o re­sul­ta­do de uma ação de­li­be­ra­da e in­te­li­gen­te. Ora, qual­quer ser vi­vo é in­fi­ni­ta­men­te mais com­ple­xo do que o re­ló­gio mais so­fis­ti­ca­do. Não há re­ló­gio sem re­lo­jo­ei­ro, di­zi­am Vol­tai­re e Rous­se­au. Mas que re­ló­gio ruim o que con­tém ter­re­mo­tos, fu­ra­cões, se­cas, ani­mais car­ní­vo­ros, um sem-nú­me­ro de do­en­ças – e o ho­mem! A his­tó­ria na­tu­ral não é nem um pou­co edi­fi­can­te. A his­tó­ria hu­ma­na tam­bém não. Que Deus após Darwin? Que Deus após Aus­chwitz?"

(An­dré Com­te-Spon­vil­le. Apre­sen­ta­ção da fi­lo­so­fia,

2002. Adap­ta­do.) So­bre os ar­gu­men­tos dis­cor­ri­dos pelo au­tor, é cor­re­to afir­mar que a exis­tên­cia de Deus é

a)de­fen­di­da me­di­an­te um ar­gu­men­to de na­tu­re­za es­té­ti­ca, em opo­si­ção ao ca­rá­ter ide­o­ló­gi­co e ali­e­nan­te das cren­ças re­li­gi­o­sas.

b) tra­ta­da co­mo um pro­ble­ma so­bre­tu­do me­ta­fí­si­co e te­o­ló­gi­co, di­an­te do qual são ir­re­le­van­tes as ques­tões em­pí­ri­cas e his­tó­ri­cas.

c) abor­da­da sob um pon­to de vis­ta bí­bli­co-cri­a­ci­o­nis­ta, em opo­si­ção a uma pers­pec­ti­va ro­mân­ti­ca pe­cu­li­ar ao ilu­mi­nis­mo fi­lo­só­fi­co.

d) pro­ble­ma­ti­za­da me­di­an­te um ar­gu­men­to de na­tu­re­za me­ca­ni­cis­ta-cau­sal, em opo­si­ção ao pro­ble­ma éti­co da exis­tên­cia do mal.

e) tra­ta­da co­mo uma ques­tão con­cer­nen­te ao li­vre-ar­bí­trio da cons­ci­ên­cia, em de­tri­men­to de pos­sí­veis es­pe­cu­la­ções fi­lo­só­fi­cas.

(UNICAMP – 2017)

21) “Mui­tos po­lí­ti­cos ve­em fa­ci­li­ta­do seu ne­fas­to tra­ba­lho pe­la au­sên­cia da fi­lo­so­fia. Mas­sas e fun­ci­o­ná­ri­os são mais fá­ceis de ma­ni­pu­lar quan­do não pen­sam, mas tão so­men­te usam de uma in­te­li­gên­cia de re­ba­nho. É pre­ci­so im­pe­dir que os ho­mens se tor­nem sen­sa­tos. Mais va­le, por­tan­to, que a fi­lo­so­fia se­ja vis­ta co­mo al­go en­te­di­an­te.”

(Karl Jas­pers, In­tro­du­ção ao pen­sa­men­to fi­lo­só­fi­co.

São Paulo: Cul­trix, 1976, p.140.) As­si­na­le a al­ter­na­ti­va cor­re­ta. a) O fi­ló­so­fo lem­bra que a fi­lo­so­fia tem um po­ten­ci­al crí­ti­co que po­de de­sa­gra­dar a po­lí­ti­cos, po­de­ro­sos e ao sen­so co­mum, tal co­mo ocor­reu na Gré­cia em re­la­ção a Só­cra­tes.

b) A fi­lo­so­fia pre­ci­sa ser en­te­di­an­te pa­ra es­ti­mu­lar o pen­sa­men­to crí­ti­co, ri­go­ro­so e for­mar pes­so­as sen­sa­tas, a par­tir do en­si­no de ló­gi­ca, re­tó­ri­ca e éti­ca.

c) A di­ta­du­ra mi­li­tar no Bra­sil re­ti­rou a dis­ci­pli­na de fi­lo­so­fia das es­co­las por con­si­de­rá-la sub­ver­si­va, mas ate­nu­ou a me­di­da es­ti­mu­lan­do os Cen­tros Po­pu­la­res de Cul­tu­ra (CPC), li­ga­dos a en­ti­da­des es­tu­dan­tis.

d) Os po­lí­ti­cos e a es­tru­tu­ra es­co­lar não são o ver­da-

dei­ro obs­tá­cu­lo ao en­si­no de fi­lo­so­fia, mas a con­cep­ção de que ela é di­fí­cil e te­di­o­sa, con­si­de­ran­do-se que exis­tem me­ca­nis­mos pa­ra apro­xi­má-la do sen­so co­mum.

(Pro­pos­ta de Re­da­ção – FUVEST 2017)

Exa­mi­ne o tex­to* abai­xo, pa­ra fa­zer sua re­da­ção. Res­pos­ta à per­gun­ta: O que é Es­cla­re­ci­men­to? Es­cla­re­ci­men­to é a saí­da do ho­mem de sua me­no­ri­da­de, da qual ele pró­prio é cul­pa­do. A me­no­ri­da­de é a in­ca­pa­ci­da­de de ser­vir­se de seu pró­prio en­ten­di­men­to sem di­re­ção alheia. O ho­mem é o pró­prio cul­pa­do des­sa me­no­ri­da­de quan­do ela não é cau­sa­da por fal­ta de en­ten­di­men­to mas, sim, por fal­ta de de­ter­mi­na­ção e de co­ra­gem pa­ra ser­vir­se de seu pró­prio en­ten­di­men­to sem a tu­te­la de um ou­tro. Sa­pe­re au­de!** Ou­sa fa­zer uso de teu pró­prio en­ten­di­men­to! Eis o le­ma do Es­cla­re­ci­men­to.

A pre­gui­ça e a co­var­dia são as cau­sas de que a imen­sa mai­o­ria dos ho­mens, mes­mo de­pois de a na­tu­re­za já os ter li­ber­ta­do da tu­te­la alheia, per­ma­ne­ça de bom gra­do a vi­da in­tei­ra na me­no­ri­da­de. É por es­sas mes­mas cau­sas que, com tan­ta fa­ci­li­da­de, ou­tros ho­mens se co­lo­cam co­mo seus tu­to­res. É tão cô­mo­do ser me­nor. Se te­nho um li­vro que faz as ve­zes de meu en­ten­di­men­to, se te­nho um di­re­tor es­pi­ri­tu­al que as­su­me o lu­gar de mi­nha cons­ci­ên­cia, um mé­di­co que por mim es­co­lhe mi­nha di­e­ta, en­tão não pre­ci­so me es­for­çar. Não te­nho ne­ces­si­da­de de pen­sar, se é su­fi­ci­en­te pa­gar. Ou­tros se en­car­re­ga­rão, em meu lu­gar, des­sas ocu­pa­ções abor­re­ci­das.

A imen­sa mai­o­ria da hu­ma­ni­da­de con­si­de­ra a pas­sa­gem pa­ra a mai­o­ri­da­de, além de di­fí­cil, pe­ri­go­sa, por­que aque­les tu­to­res de bom gra­do to­ma­ram­na sob sua su­per­vi­são. De­pois de te­rem, pri­mei­ra­men­te, em­bur­re­ci­do seus ani­mais do­més­ti­cos e im­pe­di­do cui­da­do­sa­men­te es­sas dó­ceis cri­a­tu­ras de da­rem um pas­so se­quer fo­ra do an­da­dor de cri­an­ças em que os co­lo­ca­ram, seus tu­to­res mos­tram­lhes, em se­gui­da, o pe­ri­go que é ten­ta­rem an­dar so­zi­nhos. Ora, es­se pe­ri­go não é as­sim tão gran­de, pois apren­de­ri­am mui­to bem a an­dar, fi­nal­men­te, de­pois de al­gu­mas que­das. Bas­ta uma li­ção des­se ti­po pa­ra in­ti­mi­dar o in­di­ví­duo e dei­xá­lo te­me­ro­so de fa­zer no­vas ten­ta­ti­vas.

* Pa­ra o ex­cer­to aqui apre­sen­ta­do, fo­ram uti­li­za­das as tra­du­ções de Flo­ri­a­no de Sou­sa Fer­nan­des, Luiz Paulo Rou­a­net e Vi­ni­cius de Fi­guei­re­do.

** Sa­pe­re au­de: cit. lat. de Ho­rá­cio, que sig­ni­fi­ca “Ou­sa sa­ber”.

Es­tes são os pa­rá­gra­fos ini­ci­ais de um cé­le­bre tex­to de Kant, nos quais o pen­sa­dor de­fi­ne o Es­cla­re­ci­men­to co­mo a saí­da do ho­mem de sua me­no­ri­da­de, o que es­te al­can­ça­ria ao tor­nar­se ca­paz de pen­sar de mo­do li­vre e autô­no­mo, sem a tu­te­la de um ou­tro. Pu­bli­ca­do em um pe­rió­di­co, no ano de 1784, o tex­to di­ri­gi­a­se aos lei­to­res em ge­ral, não ape­nas a es­pe­ci­a­lis­tas. Em pers­pec­ti­va his­tó­ri­ca, o Es­cla­re­ci­men­to, tam­bém cha­ma­do de Ilu­mi­nis- mo ou de Ilus­tra­ção, con­sis­te em um am­plo mo­vi­men­to de idei­as, de al­can­ce in­ter­na­ci­o­nal, que, fir­man­do­se a par­tir do sé­cu­lo XVIII, pro­cu­rou es­ten­der o uso da ra­zão, co­mo guia e co­mo crí­ti­ca, a to­dos os cam­pos da ati­vi­da­de hu­ma­na. Pas­sa­dos mais de dois sé­cu­los des­de o iní­cio des­se mo­vi­men­to, são mui­tas as in­ter­ro­ga­ções quan­to ao sen­ti­do e à atu­a­li­da­de do Es­cla­re­ci­men­to. Com ba­se nas idei­as pre­sen­tes no tex­to de Kant, aci­ma apre­sen­ta­do, e va­len­do­se tan­to de ou­tras in­for­ma­ções que vo­cê jul­gue per­ti­nen­tes quan­to dos da­dos de sua pró­pria ob­ser­va­ção da re­a­li­da­de, re­di­ja uma dis­ser­ta­ção em pro­sa, na qual vo­cê ex­po­nha o seu pon­to de vis­ta so­bre o te­ma: O ho­mem saiu de sua me­no­ri­da­de?

Ins­tru­ções:

A dis­ser­ta­ção de­ve ser re­di­gi­da de acor­do com a nor­ma-pa­drão da lín­gua por­tu­gue­sa.

Es­cre­va, no mí­ni­mo, 20 li­nhas, com le­tra le­gí­vel. Não ul­tra­pas­se o es­pa­ço de 30 li­nhas da fo­lha de re­da­ção.

Dê um tí­tu­lo a sua re­da­ção

(ENEM – 2014)

22) "A fe­li­ci­da­de é, por­tan­to, a me­lhor, a mais no­bre e a mais apra­zí­vel coi­sa do mun­do, e es­ses atri­bu­tos não de­vem es­tar se­pa­ra­dos co­mo na ins­cri­ção exis­ten­te em Del­fos “das coi­sas, a mais no­bre é a mais jus­ta, e a me­lhor é a saú­de; po­rém a mais do­ce é ter o que ama­mos”. To­dos es­tes atri­bu­tos es­tão pre­sen­tes nas mais ex­ce­len­tes ati­vi­da­des, e en­tre es­sas a me­lhor, nós a iden­ti­fi­ca­mos co­mo fe­li­ci­da­de." ARISTÓTELES. A Po­lí­ti­ca. São Paulo: Cia. das

Le­tras, 2010. Ao re­co­nhe­cer na fe­li­ci­da­de a reunião dos mais ex­ce­len­tes atri­bu­tos, Aristóteles a iden­ti­fi­ca co­mo: a) bus­ca por bens ma­te­ri­ais e tí­tu­los de no­bre­za. b) ple­ni­tu­de es­pi­ri­tu­al e as­ce­se pes­so­al. c) fi­na­li­da­de das ações e con­du­tas hu­ma­nas. d) co­nhe­ci­men­to de ver­da­des imu­tá­veis e per­fei­tas. e) ex­pres­são do su­ces­so in­di­vi­du­al e re­co­nhe­ci­men­to público.

(UEG – 2013)

23) O surgimento da Fi­lo­so­fia en­tre os gre­gos (séc. VI a.C.) é mar­ca­do por um cres­cen­te pro­ces­so de ra­ci­o­na­li­za­ção da vi­da na ci­da­de, em que o ser hu­ma­no aban­do­na a ver­da­de re­ve­la­da pe­la co­di­fi­ca­ção mí­ti­ca e pas­sa a exi­gir uma ex­pli­ca­ção ra­ci­o­nal pa­ra a com­pre­en­são do mun­do hu­ma­no e do mun­do na­tu­ral. Den­tre os le­ga­dos da Fi­lo­so­fia gre­ga pa­ra o Oci­den­te, des­ta­ca-se:

a) a con­cep­ção po­lí­ti­ca ex­pres­sa em A Re­pú­bli­ca, de Pla­tão, se­gun­do a qual os mais for­tes de­vem go­ver­nar sob um re­gi­me po­lí­ti­co oli­gár­qui­co.

b) a cri­a­ção de ins­ti­tui­ções uni­ver­si­tá­ri­as co­mo a Aca­de­mia, de Pla­tão, e o Li­ceu, de Aristóteles.

c) a Fi­lo­so­fia, tal co­mo sur­giu na Gré­cia, dei­xou-nos co­mo le­ga­do a re­cu­sa de uma fé ina­ba­lá­vel na ra­zão hu­ma­na e a cren­ça de que sem­pre de­ve­mos acre­di­tar nos sen­ti­men­tos.

d) a re­cu­sa em apre­sen­tar ex­pli­ca­ções pre­es­ta­be­le­ci­das me­di­an­te a exi­gên­cia de que, pa­ra ca­da fa­to, ação ou dis­cur­so, se­ja en­con­tra­do um fun­da­men­to ra­ci­o­nal.

(ENEM – 2012)

24)

TEX­TO I

"Ex­pe­ri­men­tei al­gu­mas ve­zes que os sen­ti­dos eram en­ga­no­sos, e é de pru­dên­cia nun­ca se fi­ar in­tei­ra­men­te em qu­em já nos en­ga­nou uma vez."

DES­CAR­TES, R. Me­di­ta­ções me­ta­fí­si­cas. São

Paulo: Abril Cul­tu­ral, 1979.

TEX­TO II

"Sem­pre que ali­men­tar­mos al­gu­ma sus­pei­ta de que uma ideia es­te­ja sen­do em­pre­ga­da sem ne­nhum sig­ni­fi­ca­do, pre­ci­sa­re­mos ape­nas in­da­gar: de que im­pres­são de­ri­va es­ta su­pos­ta ideia? E se for im­pos­sí­vel atri­buir-lhe qual­quer im­pres­são sen­so­ri­al, is­so ser­vi­rá pa­ra con­fir­mar nos­sa sus­pei­ta."

HU­ME, D. Uma in­ves­ti­ga­ção so­bre o en­ten­di­men­to. São Paulo: Unesp, 2004. Adap­ta­do. Nos tex­tos, am­bos os au­to­res se po­si­ci­o­nam so­bre a na­tu­re­za do co­nhe­ci­men­to hu­ma­no. A com­pa­ra­ção dos ex­cer­tos per­mi­te as­su­mir que Des­car­tes e Hu­me:

a) de­fen­dem os sen­ti­dos co­mo cri­té­rio ori­gi­ná­rio pa­ra con­si­de­rar um co­nhe­ci­men­to le­gí­ti­mo.

b) en­ten­dem que é des­ne­ces­sá­rio sus­pei­tar do sig­ni­fi­ca­do de uma ideia na re­fle­xão fi­lo­só­fi­ca e crí­ti­ca.

c) são le­gí­ti­mos representantes do cri­ti­cis­mo quan­to à gê­ne­se do co­nhe­ci­men­to.

d) con­cor­dam que co­nhe­ci­men­to hu­ma­no é im­pos­sí­vel em re­la­ção às idei­as e aos sen­ti­dos.

e) atri­bu­em di­fe­ren­tes lu­ga­res ao pa­pel dos sen­ti­dos no pro­ces­so de ob­ten­ção do co­nhe­ci­men­to.

(UNESP – 2014)

25) "Nu­ma de­ci­são pa­ra lá de po­lê­mi­ca, o juiz fe­de­ral Eu­gê­nio Ro­sa de Araú­jo, da 17.ª Va­ra Fe­de­ral do Rio, in­de­fe­riu pe­di­do do Mi­nis­té­rio Público pa­ra que fos­sem re­ti­ra­dos da re­de ví­de­os ti­dos co­mo ofen­si­vos à um­ban­da e ao can­dom­blé. No des­pa­cho, o ma­gis­tra­do afir­mou que es­ses sis­te­mas de cren­ças “não con­têm os tra­ços ne­ces­sá­ri­os de uma re­li­gião” por não te­rem um tex­to-ba­se, uma es­tru­tu­ra hi­e­rár­qui­ca nem “um Deus a ser ve­ne­ra­do”. Pa­ra mim, es­se é um be­lo ca­so de con­clu­são cer­ta pe­las ra­zões er­ra­das. Creio que o juiz agiu bem ao não cen­su­rar os fil­mes, mas me­teu os pés pe­las mãos ao jus­ti­fi­car a de­ci­são. Ao con­trá­rio do Mi­nis­té­rio Público, não pen­so que re­li­giões de­vam ser imu­nes à crí­ti­ca. Se al­gum evan­gé­li­co jul­ga que o can­dom­blé es­tá as­so­ci­a­do ao di­a­bo, de­ve ter a li­ber­da­de de di­zê-lo. Co­mo não po­de­mos nem se­quer es­ta­be­le­cer se Deus e o demô­nio exis­tem, o mais ló­gi­co é que pre­va­le­ça a li­ber­da­de de di­zer qual­quer coi­sa." SCHWARTSMAN, H. O can­dom­blé e o ti­nho­so.

Fo­lha de S. Paulo, 20.05.2014. Adap­ta­do. O nú­cleo fi­lo­só­fi­co da ar­gu­men­ta­ção do au­tor do tex­to é de na­tu­re­za: a) li­be­ral. b) mar­xis­ta. c) to­ta­li­tá­ria. d) te­o­ló­gi­ca. e) anar­quis­ta.

(UFU-MG – 2015)

26) "Den­tre os fi­ló­so­fos do cha­ma­do sé­cu­lo das lu­zes, que pre­co­ni­za­vam a di­fu­são do sa­ber co­mo o meio mais efi­caz pa­ra se pôr fim à su­pers­ti­ção, à ig­no­rân­cia, ao im­pé­rio da opi­nião e do pre­con­cei­to, e que acre­di­ta­vam es­tar dan­do uma con­tri­bui­ção enor­me pa­ra o progresso do es­pí­ri­to hu­ma­no, Rous­se­au, cer­ta­men­te, ocu­pa um lu­gar não mui­to cô­mo­do."

NAS­CI­MEN­TO, M. M. Rous­se­au: da ser­vi­dão à li­ber­da­de. In: WEFFORT, Fran­cis­co C. Os clás­si­cos da

po­lí­ti­ca. v. 1. São Paulo: Áti­ca, 1991. p. 189. So­bre a fi­lo­so­fia po­lí­ti­ca de Rous­se­au, é cor­re­to afir­mar que:

a) uma vez ins­tau­ra­do go­ver­no co­mo cor­po sub­mis­so à au­to­ri­da­de so­be­ra­na, ul­te­ri­or es­for­ço de ma­nu­ten­ção des­te es­ta­do tor­na-se des­ne­ces­sá­rio.

b) as for­mas clás­si­cas de go­ver­no aris­to­crá­ti­co são in­com­pa­tí­veis com a ideia de um po­vo so­be­ra­no.

c) ape­nas por um pac­to le­gí­ti­mo os ho­mens, após te­rem per­di­do a sua li­ber­da­de na­tu­ral, po­dem re­ce­ber, em tro­ca, a li­ber­da­de ci­vil.

d) a ação po­lí­ti­ca/go­ver­na­men­tal é boa em si quan­do le­va em con­si­de­ra­ção a na­tu­re­za pró­pria do ser hu­ma­no, da sua ín­do­le na­tu­ral.

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