O Rei qu­er mais

Mes­mo con­so­li­da­do co­mo ído­lo mu­si­cal, Mi­cha­el Jack­son ti­nha pro­je­tos am­bi­ci­o­sos

Tributo Edição Histórica Especial - Michael Jackson - - News - Tex­to: Thi­a­go Ko­gu­chi De­sign: Ja­mi­le Cury Gan­da­ra

“100 mi­lhões”. Es­sa era a men­sa­gem es­cri­ta em um dos vá­ri­os bi­lhe­tes que Mi­cha­el Jack­son es­pa­lha­va por sua man­são, a fim de não se es­que­cer de cer­tas coi­sas em seu dia a dia. Mas es­se, co­lo­ca­do ao la­do do es­pe­lho no ba­nhei­ro, ti­nha um sig­ni­fi­ca­do es­pe­ci­al: era a quan­ti­da­de de có­pi­as que o can­tor que­ria ven­der de seu no­vo dis­co, al­go 2,5 ve­zes mais que Th­ril­ler na épo­ca. Se a pre­ten­são era gi­gan­te, ima­gi­ne a pres­são que Mi­cha­el co­lo­cou sob si pró­prio.

Cin­co anos de es­pe­ra

Bad co­me­çou a ser pro­du­zi­do em 1984, en­quan­to Mi­cha­el Jack­son vi­a­ja­va com o Jack­son 5 na Vic­tory World Tour e co­lhia os lu­cros do enor­me su­ces­so de Th­ril­ler atu­al. No en­tan­to, ha­via uma sé­rie de ex­pec­ta­ti­vas so­bre seu pró­xi­mo dis­co, a co­me­çar pe­lo fa­to de que ele se­ria o su­ces­sor de um dos ál­buns mais acla­ma­dos de to­dos os tem­pos. Além dis­so, de acor­do com o con­tra­to com a Sony, o no­vo ál­bum de­ve­ria ser lan­ça­do em 1985, uma con­si­de­rá­vel la­cu­na de três anos em re­la­ção ao úl­ti­mo.

A pre­o­cu­pa­ção com seu no­vo tra­ba­lho era tão gran­de que Mi­cha­el che­gou a com­por mais de 60 mú­si­cas, sen­do que 33 fo­ram gra­va­das em es­tú­dio. De acor­do com a re­vis­ta Rolling Sto­ne, o can­tor que­ria pro­du­zir um ál­bum tri­plo, mas o pro­du­tor Quincy Jo­nes lo­go ve­tou a ideia, pe­lo al­to cus­to que is­so ge­ra­ria. Aliás, es­se nú­me­ro ex­pres­si­vo era um exem­plo cla­ro de que o can­tor es­ta­va mais se­gu­ro pa­ra es­cre­ver e pro­du­zir can­ções. Tan­to que, das 11 fai­xas de Bad, no­ve são de au­to­ria de Mi­cha­el.

Is­so tam­bém era um re­fle­xo da mu­dan­ça no es­ti­lo de tra­ba­lho do can­tor. Nas pri­mei­ras eta­pas de pro­du­ção de Bad, Mi­cha­el Jack­son fa­zia um “la­bo­ra­tó­rio” em seu es­tú­dio ca­sei­ro em Hay­ve­nhurst com al­guns

en­ge­nhei­ros de som e mú­si­cos de sua con­fi­an­ça, co­mo Matt For­ger, John Bar­nes e Bill Bot­trell. Es­se no­vo mé­to­do per­mi­tiu que Mi­cha­el gra­vas­se 48 mú­si­cas de­mo em di­ver­sos es­ti­los, com uma li­ber­da­de e es­pon­ta­nei­da­de que ja­mais ha­via ti­do.

Por ou­tro la­do, Quincy Jo­nes tam­bém tra­ba­lha­va em vá­ri­as com­po­si­ções nos es­tú­di­os de Wes­tla­ke, e qu­an­do Mi­cha­el re­sol­veu mos­trar as com­po­si­ções que ha­via fei­to, no fi­nal de 1986, elas che­ga­vam pra­ti­ca­men­te pron­tas, sem a ne­ces­si­da­de de mi­xa­gem. Se a in­de­pen­dên­cia mu­si­cal ha­via fei­to bem pa­ra o can­tor, por ou­tro la­do ela ge­rou di­ver­sos con­fli­tos na re­la­ção en­tre ele e o pro­du­tor.

As opi­niões de Mi­cha­el Jack­son e Quincy Jo­nes eram di­ver­gen­tes em vá­ri­as si­tu­a­ções, co­mo a pro­du­ção do dis­co em ge­ral e a es­co­lha de mú­si­cas. “Ha­via mui­ta ten­são por­que sen­tía­mos que es­tá­va­mos com­pe­tin­do en­tre nós mes­mos. É mui­to di­fí­cil cri­ar al­gu­ma coi­sa qu­an­do vo­cê sen­te que es­tá com­pe­tin­do”, re­lem­bra Mi­cha­el em uma ra­ra en­tre­vis­ta.

Es­co­lhi­das as mú­si­cas, o de­sa­fio era cri­ar sons que os ou­vi­dos hu­ma­nos ain­da não co­nhe­ci­am. A von­ta­de de Mi­cha­el era cri­ar sons to­tal­men­te iné­di­tos, que nin­guém ha­via es­cu­ta­do an­tes. A re­al in­ten­ção do can­tor era não fa­zer um “no­vo Th­ril­ler” ou cri­ar can­ções co­muns que to­ca­vam nas rá­di­os. Até o lan­ça­men­to, Quincy Jo­nes e Mi­cha­el Jack­son tra­ba­lha­ram qua­se um ano na fi­na­li­za­ção do dis­co.

Fi­nal­men­te, Bad

Fo­ram cin­co anos de hi­a­to sem lan­ça­men­tos; três anos de pro­du­ção, in­cluin­do com­po­si­ção, gra­va­ção e mi­xa­gem; mais de um ano em es­tú­dio pa­ra pro­du­zir os “sons que nin­guém ha­via ou­vi­do”. Com dois anos de atra­so e mui­ta pres­são da Sony, en­fim, Mi­cha­el Jack­son lan­çou o sé­ti­mo dis­co de sua car­rei­ra so­lo, Bad, em 31 de agos­to de 1987.

Na oca­sião, o ál­bum foi lan­ça­do com dez fai­xas. So­men­te na ver­são em CD ele ga­nha­ria a fai­xa bô­nus Le­a­ve Me Alo­ne. Nos Es­ta­dos Uni­dos e no Rei­no Uni­do, Bad es­tre­ou no to­po das lis­tas de mais ven­di­dos em sua pri­mei­ra se­ma­na de lan­ça­men­to. Mas o al­to nú­me­ro de có­pi­as ven­di­das e a boa re­cep­ção por par­te dos fãs con­tras­tou com a opi­nião dos crí­ti­cos, que acha­ram o dis­co pou­co ou­sa­do, ape­sar de ser tec­ni­ca­men­te me­lhor do que seu an­te­ces­sor, Th­ril­ler.

Mi­cha­el Jack­son faz dois du­e­tos em seu no­vo ál­bum. I Just Can’t Stop Lo­ving You, uma ba­la­da ro­mân­ti­ca, foi com­pos­ta e in­ter­pre­ta­da com a en­tão no­va­ta Si­e­dah Gar­rett. Aliás, a mú­si­ca foi a úni­ca lan­ça­da co­mo com­pac­to an­tes da es­treia de Bad. Em Just Go­od Fri­ends, ele faz uma par­ce­ria com Ste­vie Won­der nos vo­cais.

A mú­si­ca que abre o dis­co, Bad, é tam­bém uma ten­ta­ti­va de mu­dan­ça de ima­gem do can­tor. Seus em­pre­sá­ri­os que­ri­am que Mi­cha­el se des­vin­cu­las­se da per­so­na­li­da­de ju­ve­nil e se tor­nas­se al­go mais pa­re­ci­do com um bad boy.

Pa­ra re­for­çar es­se pen­sa­men­to, a fai­xa ga­nhou um cli­pe di­ri­gi­do por Mar­tin Scor­se­se e com par­ti­ci­pa­ção es­pe­ci­al do ator Wes­ley Sni­pes, de 17 mi­nu­tos de du­ra­ção.

Na ten­ta­ti­va de pro­mo­ver ao má­xi­mo o no­vo dis­co, os em­pre­sá­ri­os lan­ça­ram, com ex­ce­ção de Le­a­ve Me Alo­ne, to­das as can­ções de Bad no for­ma­to sin­gle. A ini­ci­a­ti­va deu cer­to, pois os cin­co pri­mei­ros com­pac­tos –

I Just Can’t Stop Lo­ving You , Bad, The Way you Ma­ke Me Fe­el, Man in The Mir­ror e Dirty Di­a­na – che­ga­ram ao to­po das lis­tas de mais ven­di­das, que fez de Mi­cha­el o pri­mei­ro a con­se­guir tal fei­to.

Por con­ta pró­pria

Pa­ra pro­mo­ver seu no­vo dis­co, Mi­cha­el Jack­son lan­çou sua no­va sé­rie de shows, a Bad World Tour. A tur­nê, que co­me­çou em se­tem­bro de 1987 no Ja­pão, foi a pri­mei­ra fei­ta pe­lo can­tor sem a com­pa­nhia de seus ir­mãos no pal­co. Mi­cha­el tam­bém con­tou com o apoio da Pep­si, co­mo par­te do no­vo con­tra­to com a em­pre­sa, que pre­via o pa­tro­cí­nio de su­as apre­sen­ta­ções.

A tur­nê foi mais uma pro­va do imen­so su­ces­so de Mi­cha­el Jack­son. Ela pas­sou por 55 ci­da­des de 15 paí­ses, em um to­tal de 123 apre­sen­ta­ções. Es­ti­ma-se que 4,4 mi­lhões de pes­so­as as­sis­ti­ram Mi­cha­el no pal­co, o que ge­rou uma ar­re­ca­da­ção re­cor­de de mais de 125 mi­lhões de dó­la­res. A Bad World Tour en­trou pa­ra o Guin­ness Bo­ok, o li­vro dos re­cor­des, com a mai­or au­di­ên­cia já re­gis­tra­da até en­tão e com a mai­or lu­cra­ti­vi­da­de da his­tó­ria.

Pou­cas in­ves­ti­das nas te­lo­nas O la­do ator de Mi­cha­el Jack­son

Mi­cha­el Jack­son afir­ma­va que a Bad World Tour se­ria sua úl­ti­ma gran­de tur­nê. De­pois dis­so, ele in­ves­ti­ria ain­da mais tem­po na pro­du­ção de seus dis­cos e em ou­tras áre­as, co­mo o ci­ne­ma. No en­tan­to, po­de-se afir­mar que ele pou­co in­ves­tiu em uma car­rei­ra na sé­ti­ma ar­te.

A pri­mei­ra pro­du­ção ci­ne­ma­to­grá­fi­ca es­tre­la­da por Mi­cha­el Jack­son foi Cap­tain EO, pro­du­zi­do por Ge­or­ge Lu­cas e di­ri­gi­do Fran­cis Ford Cop­po­la em 1986. O cur­ta-me­tra­gem de 17 mi­nu­tos pro­ta­go­ni­za­do pe­lo can­tor foi lan­ça­do em 12 de se­tem­bro do mes­mo ano na Dis­ney­lân­dia (Ca­li­fór­nia) e no Ep­cot Cen­ter (Fló­ri­da). Além dis­so, uma atra­ção com o mes­mo no­me foi cri­a­da (pe­lo pró­prio Mi­cha­el) pa­ra os dois par­ques.

Pa­ra Cap­tain EO, Mi­cha­el Jack­son compôs du­as mú­si­cas: We Are He­re to Chan­ge the World e Another Part of Me, que vi­ria a fa­zer par­te de Bad. A pro­du­ção é con­si­de­ra­da uma das mais ca­ras da his­tó­ria pa­ra um cur­ta­me­tra­gem, com va­lor es­ti­ma­do en­tre 17 e 30 mi­lhões de dó­la­res. No en­tan­to, o fil­me foi exi­bi­do du­ran­te oi­to anos na Dis­ney­lân­dia e por 10 no Ep­cot Cen­ter. Em 2009, após a mor­te de Mi­cha­el, os dois par­ques fi­ze­ram exi­bi­ções es­pe­ci­ais do ví­deo co­mo ho­me­na­gem ao can­tor.

Já em 1988, du­ran­te a Bad World Tour, foi lan­ça­do Mo­onwal­ker, o úni­co lon­ga-me­tra­gem es­tre­la­do por Mi­cha­el Jack­son. Aliás, ele tam­bém te­ve par­ti­ci­pa­ção di­re­ta na di­re­ção, na pro­du­ção e no ro­tei­ro. No fil­me, o can­tor ten­ta im­pe­dir que três cri­an­ças cai­am nas mãos do tra­fi­can­te de drogas Mr. Big (Joe Pes­ci).

Além da aven­tu­ra, o fil­me tam­bém apresenta cli­pes de al­guns su­ces­sos de Mi­cha­el, co­mo Smo­oth Cri­mi­nal, e uma re­tros­pec­ti­va mu­si­cal, des­de a épo­ca do Jack­son 5. Mo­onwal­ker cha­mou a aten­ção po­si­ti­va­men­te pe­los efei­tos es­pe­ci­ais e pe­la óti­ma pro­du­ção, mes­mo ten­do si­do fei­to em um cur­to in­ter­va­lo de tem­po. O lon­ga-me­tra­gem ain­da ins­pi­rou a pro­du­ção de um jo­go de vi­de­o­ga­me com o mes­mo no­me, que tam­bém fez gran­de su­ces­so.

Jack­son fez uma pon­ta no fil­me MIB - Ho­mens de Pre­to 2. Na ce­na, ele apa­re­ce ra­pi­da­men­te no te­lão da se­de da or­ga­ni­za­ção MIB.

Si­e­dah Gar­rett

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