Pre­ço de ali­men­to so­be no ata­ca­do sem gran­de im­pac­to pa­ra in­fla­ção do va­re­jo

Valor Econômico - - BRASIL - Ra­fa­el Ro­sas

O avan­ço do pre­ço dos ali­men­tos no ata­ca­do, per­ce­bi­do pe­lo Ín­di­ce Ge­ral de Pre­ços - 10 (IGP10), di­vul­ga­do on­tem pe­lo Ins­ti­tu­to Bra­si­lei­ro de Eco­no­mia da Fun­da­ção Ge­tu­lio Var­gas (Ibre/FGV), vai cau­sar al­gu­ma pres­são so­bre o va­re­jo, mas não o su­fi­ci­en­te pa­ra ti­rar a in­fla­ção ao con­su­mi­dor dos tri­lhos.

Em abril, o IGP-10 su­biu 0,56%, aci­ma do re­sul­ta­do de 0,45% de mar­ço, le­van­do o acu­mu­la­do em 12 me­ses a 1,31% e o acu­mu­la­do no ano a 2,04%. Em abril do ano pas­sa­do, o IGP-10 te­ve de­fla­ção de 0,76%.

Es­sa al­ta foi mui­to pu­xa­da pe­lo ata­ca­do, uma vez que o Ín­di­ce de Pre­ços ao Pro­du­tor Am­plo (IPA) su­biu 0,70% es­te mês, con­tra 0,63% no mês an­te­ri­or. E den­tro do IPA, os pro­du­tos agro­pe­cuá­ri­os pas­sa­ram de 2,03% em mar­ço pa­ra 3,45% ago­ra. Em ter­mos de es­tá­gi­os da pro­du­ção, os bens fi­nais sal­ta­ram de 0,09% pa­ra 0,77% na mes­ma com­pa­ra­ção.

“A par­te fá­cil pa­ra o con­su­mi­dor é que foi uma ques­tão sa­zo­nal, de ofer­ta. A de­man­da não es­tá aque­ci­da”, dis­se o eco­no­mis­ta An­dré Braz, do Ibre/FGV, lem­bran­do que es­sa de­man­da se­gue fra­ca mes­mo com os es­for­ços da au­to­ri­da­de mo­ne­tá­ria pa­ra bai­xar os ju­ros e es­ti­mu­lar a ati­vi­da­de econô­mi­ca, o que li­mi­ta o con­tá­gio da al­ta do ata­ca­do pa­ra o va­re­jo.

Braz man­tém a pre­vi­são de uma in­fla­ção ao con­su­mi­dor, me­di­da pe­lo IPCA, en­tre 3,3% e 3,5% es­te ano. “Há efei­tos sa­zo­nais que pres­si­o­nam os ali­men­tos, mas que não tem fô­le­go pa­ra pres­si­o­nar tan­to o va­re­jo”, res­sal­ta Braz, ci­tan­do co­mo exem­plo o lei­te.

O lei­te in na­tu­ra, den­tro das ma­té­ri­as-pri­mas bru­tas, su­biu 7,18% em abril, con­tra 1,77% em mar­ço, sen­do que nos fi­nais, o lei­te in­dus­tri­a­li­za­do sal­tou de 0,99% pa­ra 6,97% na mes­ma com­pa­ra­ção. Ape­sar des­sa pres­são no ata­ca­do, Braz não vê mui­to es­pa­ço pa­ra is­so che­gar com tan­ta for­ça ao va­re­jo. “Es­sa pres­são no ata­ca­do tem mais a ver com a ofer­ta do que com a de­man­da. Cau­sa ruí­do, mas não se­rá le­va­do [ao va­re­jo com tan­ta for­ça]”, diz Braz.

Ou­tro exem­plo é a so­ja, que mes­mo com a que­bra de sa­fra na Ar­gen­ti­na não cau­sou efei­tos so­bre aves e suí­nos por aqui. Se­gun­do Braz, os pro­du­to­res bra­si­lei­ros estão com so­bra de car­ne de aves e suí­nos, in­vi­a­bi­li­zan­do o re­pas­se das al­tas da so­ja — ma­té­ria-pri­ma das ra­ções. “Sem­pre aca­ba ten­do um con­tá­gio [pa­ra o va­re­jo], mas a de­man­da se­gu­ra”, fri­sou.

Uma fon­te de al­gu­ma pres­são, se­gun­do o eco­no­mis­ta, vem dos com­bus­tí­veis. A al­tas do di­e­sel ten­dem a in­flu­en­ci­ar em itens co­mo pas­sa­gens de ôni­bus e em cus­tos de trans­por­te das ca­dei­as agrí­co­la e in­dus­tri­al. Ele lem­bra que em 12 me­ses o di­e­sel no ata­ca­do acu­mu­la al­ta de 11,74%, en­quan­to o bi­o­di­e­sel — tam­bém uti­li­za­do em ôni­bus — avan­çou 16%. Já os óle­os com­bus­tí­veis acu­mu­lam al­ta de 11,84%. “Num ano em que se quer cres­cer, a de­man­da não es­tá aque­ci­da e os in­su­mos ener­gé­ti­cos ca­ros, o que pode en­co­lher ain­da mais a de­man­da”, diz Braz.

Se­gun­do Braz, um pon­to de alí­vio nos re­pas­se de pre­ços vem dos ser­vi­ços, que não en­con­tram for­ça pa­ra re­a­jus­tes re­le­van­tes. “A ali­men­ta­ção fi­ca com ofer­ta mais fra­ca e pode ace­le­rar, mas ou­tros gru­pos pe­sa­dos no IPCA des­com­pri­mem. Os ser­vi­ços ca­em. Es­sa queda de bra­ço en­tre pres­são de al­ta de pres­são de bai­xa man­tém o IPCA em ta­xa con­for­tá­vel, sem mu­dar a pro­je­ção pa­ra o ano”, diz Braz.

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