Trump ame­a­ça re­ta­li­ar China por bar­rar em­pre­sas de TI

EUA acu­sam Pe­quim de res­trin­gir aces­so no se­tor de ser­vi­ços

Valor Econômico - - INTERNACIONAL - Bob Da­vis

Os EUA estão ava­li­an­do ma­nei­ras de re­ta­li­ar as res­tri­ções de Pe­quim a pro­ve­do­res de com­pu­ta­ção em nu­vem e ou­tros ser­vi­ços de al­ta tec­no­lo­gia dos EUA, efe­ti­va­men­te abrin­do uma no­va fren­te na sua ofen­si­va co­mer­ci­al con­tra a China.

Se­gun­do pes­so­as a par das in­ten­ções do go­ver­no, o Es­cri­tó­rio do Re­pre­sen­tan­te Co­mer­ci­al dos EUA (USTR) es­tá ela­bo­ran­do uma no­va de­nún­cia co­mer­ci­al, pro­va­vel­men­te sob a Se­ção 301 da Lei de Co­mér­cio de 1974, ar­gu­men­tan­do que a China res­trin­ge des­le­al­men­te o co­mér­cio dos EUA nes­ses ser­vi­ços de al­ta tec­no­lo­gia.

O re­pre­sen­tan­te de co­mér­cio ain­da pre­ci­sa de­ci­dir se le­va­rá adi­an­te a quei­xa, dis­se­ram as pes­so­as, o que se so­ma­ria às re­cen­tes ini­ci­a­ti­vas pa­ra au­men­tar a pres­são so­bre a China, in­cluin­do a im­po­si­ção de ta­ri­fas so­bre um total de US$ 150 bi­lhões em im­por­ta­ções chi­ne­sas. Mas o USTR, que as­su­miu a li­de­ran­ça na lu­ta co­mer­ci­al à China, vê as res­tri­ções chi­ne­sas à com­pu­ta­ção em nu­vem co­mo um exem­plo cla­ro que pode atrair o apoio da opi­nião pú­bli­ca.

Pe­quim exi­ge que em­pre­sas ame­ri­ca­nas de com­pu­ta­ção em nu­vem, co­mo a Ama­zon e Mi­cro­soft, for­mem ope­ra­ções con­jun­tas com em­pre­sas chi­ne­sas e li­cen­ci­em sua tec­no­lo­gia pa­ra os par­cei­ros chi­ne­ses. O USTR dis­se em re­la­tó­rio so­bre prá­ti­cas co­mer­ci­ais chi­ne­sas que Pe­quim não con­ce­de li­cen­ças que per­mi­ti­ri­am às em­pre­sas dos EUA ope­rar de for­ma in­de­pen­den­te na China.

Co­mo re­sul­ta­do, as em­pre­sas dos EUA não po­dem co­mer­ci­a­li­zar seus ser­vi­ços de com­pu­ta­ção em nu­vem na China nem con­tra­tar cli­en­tes di­re­ta­men­te. As em­pre­sas chi­ne­sas, co­mo a Ali­ba­ba, em com­pa­ra­ção, po­dem ope­rar nos EUA sem res­tri­ções.

"Al­gu­mas em­pre­sas não chi­ne­sas estão re­lu­tan­tes em par­ti­ci­par do mer­ca­do em nu­vem na China de­vi­do ao nú­me­ro de res­tri­ções", dis­se KC Swan­son, di­re­tor de po­lí­ti­ca glo­bal da Te­le­com­mu­ni­ca­ti­ons In­dus­try As­so­ci­a­ti­on. "En­quan­to is­so, os EUA não apli­cam res­tri­ções à par­ti­ci­pa­ção es­tran­gei­ra em nos­so mer­ca­do. É uma cla­ra ques­tão de re­ci­pro­ci­da­de."

As em­pre­sas de com­pu­ta­ção em nu­vem for­ne­cem ser­vi­ços, co­mo ar­ma­ze­na­men­to, soft­ware e aná­li­ses pe­la in­ter­net, nu­ma área con­si­de­ra­do uma das mais pro­mis­so­ras e de al­to cres­ci­men­to do se­tor de tec­no­lo­gia.

Um por­ta-voz do USTR se re­cu­sou a co­men­tar o ca­so.

Ca­so o USTR si­ga adi­an­te com a quei­xa, es­sa se­rá a ter­cei­ra ação im­por­tan­te dos EUA pa­ra ten­tar abrir ain­da mais o mer­ca­do chi­nês — e au­men­ta­rá o ris­co de re­ta­li­a­ção de Pe­quim. Os EUA im­pu­se­ram ta­ri­fas so­bre im­por­ta­ções de aço e alu­mí­nio chi­ne­ses, o que re­sul­tou em pu­ni­ção, com ta­ri­fas so­bre cer­ca de US$ 3 bi­lhões de im­por­ta­ções ame­ri­ca­nas vin­das da China.

O go­ver­no tam­bém es­tá ini­ci­an­do ou­tro pro­ce­di­men­to ba­se­a­do nos ter­mos da Se­ção 301, fo­ca­do na su­pos­ta vi­o­la­ção chi­ne­sa de pro­pri­e­da­de in­te­lec­tu­al ame­ri­ca­na. Nes­sa ação, os EUA ame­a­ça­ram ta­xar US$ 50 bi­lhões em im­por­ta­ções chi­ne­sas com ta­ri­fas de 25% e pla­ne­jam lan­çar em bre­ve uma se­gun­da lis­ta de mais US$ 100 bi­lhões em im­por­ta­ções chi­ne­sas que po­de­ri­am ser su­jei­tas a ta­ri­fas.

Em res­pos­ta, Pe­quim dis­se que vai apli­car ta­ri­fas ao equi­va­len­te a US $ 50 bi­lhões em ex­por­ta­ções dos EUA pa­ra a China pa­ra ta­ri­fas e to­mar ou­tras ações não es­pe­ci­fi­ca­das, no que mui­tos ve­em co­mo mais uma re­ta­li­a­ção chi­ne­sa às ações dos EUA.

As au­to­ri­da­des chi­ne­sas ar­gu­men­tam que as prá­ti­cas de co­mér­cio e in­ves­ti­men­to da China não são dis­cri­mi­na­tó­ri­as. Elas ten­ta­ram dis­cre­ta­men­te fa­zer com que os EUA ini­ci­as­sem ne­go­ci­a­ções pa­ra im­pe­dir uma guer­ra co­mer­ci­al. Até ago­ra, hou­ve tro­cas de car­tas en­tre os dois la­dos, mas na­da de am­plas ne­go­ci­a­ções.

O go­ver­no Trump ar­gu­men­ta que ro­da­das pas­sa­das de ne­go­ci­a­ções sob go­ver­nos an­te­ri­o­res não pro­du­zi­ram mui­tas coi­sa e ten­ta ma­xi­mi­zar a pres­são an­tes de con­cor­dar com qual­quer ne­go­ci­a­ção em gran­de es­ca­la.

Na se­ma­na pas­sa­da, o pre­si­den­te chi­nês, Xi Jin­ping, de­li­ne­ou um pla­no de qua­tro eta­pas pa­ra abrir ain­da mais o mer­ca­do chi­nês, o que Pe­quim con­si­de­ra ofe­re­cer um ra­mo de oli­vei­ra à Ca­sa Bran­ca. O pla­no in­cluiu a re­du­ção das res­tri­ções a in­ves­ti­men­tos nos EUA.

Os EUA ga­nha­ri­am ala­van­ca­gem adi­ci­o­nal ini­ci­an­do uma ter­cei­ra ação co­mer­ci­al con­tra a China no se­tor de ser­vi­ços. Os pro­ces­sos co­mer­ci­ais le­vam me­ses pa­ra se­rem pre­pa­ra­dos, mas a ame­a­ça de ação si­na­li­za­ria que os EUA têm ou­tras me­di­das que po­de­ri­am em­pre­gar. Em úl­ti­ma aná­li­se, um ca­so de co­mér­cio po­de­ria ser usa­do pa­ra im­por ta­ri­fas so­bre ain­da mais mer­ca­do­ri­as, mas os EUA já em­pre­ga­ram es­sa ar­ma.

O Te­sou­ro dos EUA es­tá es­tu­dan­do res­tri­ções a in­ves­ti­men­tos chi­ne­ses no país. Elas tam­bém po­de­ri­am ser em­pre­ga­das nes­te ca­so, dis­se­ram as pes­so­as fa­mi­li­a­ri­za­das com o pen­sa­men­to do go­ver­no. Por exem­plo, os EUA po­de­ri­am proi­bir a Ali­ba­ba de ofe­re­cer ser­vi­ços de com­pu­ta­ção em nu­vem nos EUA ou blo­que­ar a ex­pan­são da em­pre­sa no país, até que a China eli­mi­nas­se su­as res­tri­ções, dis­se­ram as fon­tes.

AMCHAM

Pas­cal Lamy, di­re­tor da OMC en­tre 2005 e 2013, com em­pre­sá­ri­os em São Paulo

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