Ne­o­e­ner­gia faz ofer­ta pe­la Ele­tro­pau­lo

Es­pa­nho­la fe­chou acor­do pa­ra an­co­rar ofer­ta pri­má­ria de ações a R$ 25,51, po­den­do fi­car com 26%

Valor Econômico - - | EMPRESAS INDÚSTRIA - Ca­mi­la Maia

A es­pa­nho­la Ne­o­e­ner­gia, con­tro­la­da pe­la Iber­dro­la, con­se­guiu uma van­ta­gem sig­ni­fi­ca­ti­va na acir­ra­da dis­pu­ta pe­lo con­tro­le da Ele­tro­pau­lo, ao fe­char um acor­do pa­ra an­co­rar uma ofer­ta pri­má­ria de ações de no mí­ni­mo R$ 1,5 bi­lhão pre­pa­ra­da pe­la dis­tri­bui­do­ra pau­lis­ta. O pre­ço acer­ta­do por ação, de R$ 25,51, re­pre­sen­ta prê­mio de 16% em re­la­ção ao fe­cha­men­to de on­tem, de R$ 22, e le­va­ria o va­lor total da com­pa­nhia no mer­ca­do a R$ 5,7 bi­lhões.

Com o acor­do, a Ne­o­e­ner­gia dei­xou pa­ra trás as con­cor­ren­tes Enel e Ener­gi­sa, que já che­ga­ram a co­lo­car pro­pos­tas na me­sa, mas em va­lo­res in­fe­ri­o­res. A ita­li­a­na Enel propôs an­co­rar a ofer­ta pri­má­ria pa­gan­do cer­ca de R$ 19 por ação da com­pa­nhia. Já a Ener­gi­sa lan­çou, no iní­cio do mês, uma ofer­ta pú­bli­ca de aqui­si­ção de ações (OPA) pe­la dis­tri­bui­do­ra, por R$ 19,38.

Um fa­to re­le­van­te com es­sas in­for­ma­ções, , con­for­me apu­rou o Va­lor, de­ve ser di­vul­ga­do ho­je ao mer­ca­do pe­la Ele­tro­pau­lo.

Além do pre­ço mais atra­ti­vo, as con­di­ções im­pos­tas pe­la Ne­o­e­ner­gia tam­bém fo­ram bem­re­ce­bi­das pe­la Ele­tro­pau­lo, se­gun­do fon­tes com co­nhe­ci­men­to da si­tu­a­ção. Di­fe­ren­te­men­te da pro­pos­ta da Ener­gi­sa, que ti­nha li­mi­ta­ções re­la­ci­o­na­das ao en­di­vi­da­men­to da com­pa­nhia, por exem­plo, a Ne­o­e­ner­gia não impôs tais li­mi­ta­ções.

A Ele­tro­pau­lo vai uti­li­zar os re­cur­sos pa­ra for­ta­le­cer sua es­tru­tu­ra de ca­pi­tal, me­lho­rar o per­fil de en­di­vi­da­men­to, além de in­ves­tir em me­lho­ri­as ope­ra­ci­o­nais, que já cons­tam em seu pla­no de in­ves­ti­men­tos e re­es­tru­tu­ra­ção que es­tá sen­do im­ple­men­ta­do. No cro­no­gra­ma pre­vis­to pe­la dis­tri­bui­do­ra, a pre­ci­fi­ca­ção da ofer­ta de­ve acon­te­cer até 27 de abril.

Ao an­co­rar a OPA, a Ne­o­e­ner­gia vai se com­pro­me­ter a le­var 100% das ações que se­rão emi­ti­das, ca­so o pro­ce­di­men­to de co­le­ta de in­for­ma­ções de in­ves­ti­men­to (bo­ok­buil­ding) não che­gue ao va­lor pre­vis­to. Se fi­car no pre­ço, a es­pa­nho­la po­de­rá le­var até 80% das ações co­lo­ca­das no mer­ca­do, de­pois que os atu­ais aci­o­nis­tas exer­ce­rem — ou não — o di­rei­to de pre­fe­rên­cia de subs­cri­ção na ofer­ta. Se a de­man­da pu­xar os pre­ços pa­ra ci­ma, a Ele­tro­pau­lo po­de­rá le­van­tar mais do que o R$ 1,5 bi­lhão pre­vis­to.

A in­ten­ção da Ne­o­e­ner­gia, se­gun­do o Va­lor apu­rou, é de su­pe­rar o per­cen­tu­al de 30% das ações da Ele­tro­pau­lo, o que a obri­ga­ria a lan­çar uma ofer­ta pú­bli­ca de aqui­si­ção de ações (OPA) ao mes­mo pre­ço pa­go na emis­são pri­má­ria, de acor­do com as re­gras do es­ta­tu­to da dis­tri­bui­do­ra de ener­gia.

Se a Ne­o­e­ner­gia com­prar as 58,8 mi­lhões de ações or­di­ná­ri­as (ON) que se­rão emi­ti­das na ope­ra­ção, ao pre­ço de R$ 25,1, atin­gi­rá 26% do ca­pi­tal da com­pa­nhia, já con­si­de­ran­do a di­lui­ção dos atu­ais só­ci­os.

Ou­tra for­ma de su­pe­rar os 30% se­ria ad­qui­rin­do as ações da AES. Ho­je, a com­pa­nhia ame­ri­ca­na, que com­par­ti­lha­va con­tro­le da dis­tri­bui­do­ra com o BNDES até a sua mi­gra­ção pa­ra o No­vo Mer­ca­do da B3, em no­vem­bro do ano pas­sa­do, tem 16,83% das ações da em­pre­sa. O ban­co tem ou­tros 18,73% do ca­pi­tal. A AES pre­ten­de sair da dis­tri­bui­do­ra por meio da OPA.

Com a emis­são de R$ 1,5 bi­lhão em no­vas ações, a par­ti­ci­pa­ção da AES vai pa­ra 12,4%, ou R$ 718,8 mi­lhões ao pre­ço ofe­re­ci­do pe­la Ne­o­e­ner­gia, e o BNDES che­ga a 13,8%, ou R$ 799,7 mi­lhões.

Ape­nas nes­te ano, as ações da Ele­tro­pau­lo já acu­mu­lam va­lo­ri­za­ção de 34,5%, re­fle­tin­do, além da ex­pec­ta­ti­va de uma “guer­ra de ofer­tas” pa­ra aqui­si­ção da com­pa­nhia, a con­clu­são de um acor­do que en­cer­rou uma dis­pu­ta ju­di­ci­al com a Ele­tro­bras que já se ar­ras­ta­va há 30 anos. A dis­tri­bui­do­ra con­cor­dou em pa­gar R$ 1,5 bi­lhão no acor­do, mon­tan­te in­fe­ri­or ao pre­vis­to pe­la es­ta­tal em seu ba­lan­ço, pró­xi­mo de R$ 3 bi­lhões, o que foi bem re­ce­bi­do por in­ves­ti­do­res por “des­tra­var va­lor” da com­pa­nhia.

Mas o gran­de even­to que im­pul­si­o­nou a al­ta das ações da con­ces­si­o­ná­ria foi a ofer­ta da Ener­gi­sa. Des­de que a OPA pe­la com­pa­nhia foi lan­ça­da, em 5 de abril, as ações já va­lo­ri­za­ram 23,2%.

In­ves­ti­do­res es­pe­ram que OPAs con­cor­ren­tes se­jam lan­ça­das ago­ra, mas res­tam pou­cos na dis­pu­ta, em ra­zão do va­lor ele­va­do que pre­ci­sa­ria ser de­sem­bol­sa­do. Pe­las re­gras do mer­ca­do de ca­pi­tais, as no­vas ofer­tas pre­ci­sa­ri­am ter um va­lor por ação no mí­ni­mo 5% su­pe­ri­or que a ope­ra­ção já lan­ça­da. No ca­so do pre­ço da Ne­o­e­ner­gia, con­cor­ren­tes pre­ci­sa­ri­am pa­gar R$ 26,78 por ação, le­van­do o va­lor de mer­ca­do da com­pa­nhia, de­pois da ofer­ta pri­má­ria, a R$ 6 bi­lhões.

Ao pre­ço de fe­cha­men­to das ações de ho­je, o va­lor de mer­ca­do da Ele­tro­pau­lo é de R$ 3,7 bi­lhões.

Em seu fa­vor na dis­pu­ta, a Ne­o­e­ner­gia tem os po­ten­ci­ais ganhos com si­ner­gi­as com a Elek­tro, con­ces­si­o­ná­ria que aten­de 223 mu­ni­cí­pi­os no in­te­ri­or de São Paulo e cin­co do Ma­to Gros­so do Sul, to­ta­li­zan­do 2,5 mi­lhões de cli­en­tes. Além da dis­tri­bui­do­ra, que foi in­cor­po­ra­da em uma re­or­ga­ni­za­ção das ati­vi­da­des da Iber­dro­la no Bra­sil, a com­pa­nhia tem as con­ces­si­o­ná­ri­as Co­sern (Rio Gran­de do Nor­te), Co­el­ba (Bahia) e Cel­pe (Per­nam­bu­co).

A Ele­tro­pau­lo, que tem a mai­or área de con­ces­são de dis­tri­bui­ção da Amé­ri­ca La­ti­na, con­so­li­da­ria a Ne­o­e­ner­gia co­mo mai­or dis­tri­bui­do­ra do Bra­sil em ter­mos de nú­me­ro de cli­en­tes e vo­lu­me de ener­gia dis­tri­buí­da.

Newspapers in Portuguese

Newspapers from Brazil

© PressReader. All rights reserved.