UE de­ve­rá em­bar­gar 15 uni­da­des da BRF

Valor Econômico - - AGRONEGÓCIOS - Sa­ni­da­de Cris­ti­a­no Zaia (Co­la­bo­rou FL)

O go­ver­no bra­si­lei­ro já dá co­mo cer­to um em­bar­go de­fi­ni­ti­vo da União Eu­ro­peia a ao me­nos 15 plan­tas de car­ne de fran­go da BRF a par­tir des­ta se­ma­na. Uni­da­des de ou­tros fri­go­rí­fi­cos de fran­go e de co­o­pe­ra­ti­vas da re­gião Sul tam­bém devem ser im­pe­di­das de ven­der ao blo­co.

A ex­pec­ta­ti­va do Bra­sil é que as 12 plan­tas da BRF que já ti­ve­ram as ex­por­ta­ções à UE sus­pen­sas pre­ven­ti­va­men­te pe­lo Mi­nis­té­rio da Agri­cul­tu­ra se­jam em­bar­ga­das pe­lo blo­co co­mo efei­to di­re­to da Ope­ra­ção Tra­pa­ça. As in­ves­ti­ga­ções da Po­lí­cia Fe­de­ral, que vi­e­ram à to­na em mar­ço, apon­ta­ram um es­que­ma de frau­des en­vol­ven­do a em­pre­sa e la­bo­ra­tó­ri­os na aná­li­se de sal­mo­ne­la em car­ne de fran­go pa­ra ex­por­ta­ção.

Além das uni­da­des de Rio Ver­de (GO), Mi­nei­ros (GO) e Ca­ram­beí (PR) — di­re­ta­men­te afe­ta­das pe­la Ope­ra­ção Tra­pa­ça —, tam­bém de­ve­rão ser em­bar­ga­das as plan­tas da BRF si­tu­a­das em Con­cór­dia (SC), Dou­ra­dos (MS) , Se­ra­fi­na Cor­rea (RS), Cha­pe­có (SC), Vár­zea Gran­de (MT), Ma­rau (RS), Fran­cis­co Bel­trão (PR), Ca­pin­zal (SC), No­va Mu­tum (MT). A lo­ca­li­za­ção das ou­tras três fá­bri­cas ain­da não é co­nhe­ci­da.

A pro­pos­ta de em­bar­go de­fi­ni­ti­vo da UE a es­sas plan­tas se­rá vo­ta­da ama­nhã em reu­nião dos paí­ses do blo­co. Uma co­mi­ti­va li­de­ra­da pe­lo mi­nis­tro da Agri­cul­tu­ra, Blai­ro Mag­gi, vol­tou de Bru­xe­las se­ma­na pas­sa­da pes­si­mis­ta em re­la­ção à pos­si­bi­li­da­de de re­ver­ter a si­tu­a­ção. Pro­cu­ra­da, a BRF não se pro­nun­ci­ou.

Ho­je, Blai­ro da­rá en­tre­vis­ta co­le­ti­va pa­ra de­ta­lhar a es­tra­té­gia do Bra­sil em re­la­ção ao imi­nen­te em­bar­go eu­ro­peu. O pla­no in­clui a aber­tu­ra um pai­nel na Or­ga­ni­za­ção Mun­di­al do Co­mér­cio (OMC) pa­ra ques­ti­o­nar exi­gên­ci­as sa­ni­tá­ri­as ri­go­ro­sas da UE pa­ra o con­tro­le da sal­mo­ne­la, mas con­si­de­ra­das “dis­tor­ci­vas” por Bra­sí­lia do pon­to de vis­ta co­mer­ci­al. A aber­tu­ra do pai­nel já es­tá sen­do ar­ti­cu­la­da por Blai­ro e os mi­nis­tros Aloy­sio Nunes (Re­la­ções Ex­te­ri­o­res) e Mar­cos Jor­ge (De­sen­vol­vi­men­to, In­dús­tria e Co­mér­cio Ex­te­ri­or).

O Bra­sil pla­ne­ja ques­ti­o­nar por que a UE pas­sou a exi­gir tes­tes pa­ra 2,6 mil ti­pos de sal­mo­ne­la nas car­gas de car­ne de fran­go sal­ga­da (fres­ca com 2% de sal), e tes­tes pa­ra ape­nas dois ti­pos da bac­té­ria na car­ne in na­tu­ra (fres­ca com adi­ção in­fe­ri­or de sal). Am­bos os pro­du­tos têm co­tas de im­por­ta­ção li­vres de ta­ri­fas. Con­tu­do, se por um la­do a co­ta do fran­go in na­tu­ra é pe­que­na (14 mil to­ne­la­das) e as ven­das ex­tra­co­tas estão su­jei­tas a ta­ri­fas mais al­tas, a co­ta de fran­go sal­ga­do é mai­or (170 mil to­ne­la­das) e tem ta­ri­fa ex­tra­co­ta mais bai­xa, o que es­ti­mu­la as ex­por­ta­ções pe­las em­pre­sas bra­si­lei­ras.

“A ideia não é de­fen­der a BRF. A en­tra­da na OMC se­ria con­tra es­sa dis­tor­ção ta­ri­fá­ria que exis­te em fun­ção de uma me­di­da sa­ni­tá­ria ina­de­qua­da”, dis­se ao Va­lor o se­cre­tá­rio de De­fe­sa Agro­pe­cuá­ria do Mi­nis­té­rio, Luís Edu­ar­do Ran­gel.

O Mi­nis­té­rio da Agri­cul­tu­ra ad­mi­te, con­tu­do, que o país di­fi­cil­men­te sai­rá vi­to­ri­o­so em uma even­tu­al dis­pu­ta com a UE na OMC, so­bre­tu­do de­pois dos ca­sos de frau­de iden­ti­fi­ca­dos pe­la PF. O pró­prio Blai­ro pas­sou a de­fen­der jun­to às em­pre­sas do seg­men­to que “pa­guem o pre­ço” de ven­der mais car­ne in na­tu­ra com ta­ri­fa mais al­ta, mas com mais chan­ces de pas­sa­rem nos tes­tes de sal­mo­ne­la, e não fi­quem per­ma­nen­te­men­te su­jei­tas a exi­gên­ci­as sa­ni­tá­ri­as du­ras. Ou­tra me­di­da ava­li­a­da pe­la Pas­ta é re­ta­li­ar im­por­ta­ções de pro­du­tos eu­ro­peus co­mo quei­jos, vi­nhos, azei­te e ba­ca­lhau.

Pedro de Ca­mar­go Ne­to, vi­ce-pre­si­den­te da So­ci­e­da­de Ru­ral Bra­si­lei­ra (SRB), es­tá en­tre os que acre­di­tam que a po­si­ção do Bra­sil é frá­gil pa­ra com­prar bri­ga com a UE na OMC. “Per­de­mos cre­di­bi­li­da­de. Não sig­ni­fi­ca que o se­tor de car­nes se­ja ruim. Mui­to pe­lo con­trá­rio. É um se­tor mo­der­no, com qua­dro pro­fis­si­o­nal com­pe­ten­te e ins­ta­la­ções en­tre as mais mo­der­nas do mun­do. Mas hou­ve as ope­ra­ções Car­ne Fra­ca e Tra­pa­ça, que não ti­ve­ram res­pos­ta ade­qua­da. Pro­te­ci­o­nis­mo sem­pre exis­tiu e con­ti­nu­a­rá a exis­tir. Po­rém, é pre­ci­sa en­fren­tá-lo com cre­di­bi­li­da­de ou o la­do que quer nos aju­dar no ex­te­ri­or fi­ca fra­gi­li­za­do. É o que es­tá ocor­ren­do”, dis­se.

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