País tem 5 ve­zes mais ho­mi­cí­di­os que mé­dia glo­bal, diz OMS

Valor Econômico - - BRASIL - As­sis Mo­rei­ra

O Bra­sil é um dos paí­ses mais vi­o­len­tos do mun­do, com a ta­xa de ví­ti­mas de ho­mi­cí­di­os in­ten­ci­o­nais sen­do 489% mai­or que a mé­dia glo­bal, con­for­me es­ta­tís­ti­cas da saú­de glo­bal pu­bli­ca­das ho­je pe­la Or­ga­ni­za­ção Mun­di­al da Saú­de (OMS).

A ta­xa de ho­mi­cí­di­os no país é de 31,3 pes­so­as por 100 mil ha­bi­tan­tes, an­te a mé­dia glo­bal de 6,4 pes­so­as. Pa­ra se ter uma ideia da si­tu­a­ção bra­si­lei­ra, na Lí­bia a ta­xa de mor­tes di­re­tas por con­fli­tos é de 28,7, no Afe­ga­nis­tão de 37,3 e no Ira­que de 86,3 pes­so­as.

A Amé­ri­ca La­ti­na é a re­gião mais vi­o­len­ta do mun­do, com se­te dos no­ve paí­ses com mais cri­mes. O Bra­sil glo­bal­men­te só fi­ca atrás de oi­to paí­ses, in­cluin­do Hon­du­ras (55,5 por 100 mil), o cam­peão mun­di­al, Ve­ne­zu­e­la (49,2), El Sal­va­dor (46), Colôm­bia (43), Tri­ni­dad e To­ba­go (42,2), Ja­mai­ca (39), Le­so­to (35), Afri­ca do Sul (33,1). Na vi­zi­nha Ar­gen­ti­na, a ta­xa é de 6,2 e nos EUA, de 6,5.

Tam­bém o nú­me­ro de mor­tes por aci­den­tes nas es­tra­das é ele­va­do no Bra­sil, de 23,4 ví­ti­mas por 100 mil ha­bi­tan­tes, com­pa­ra­do à mé­dia glo­bal de 17,4 pes­so­as e nas Amé­ri­cas de 15,9. Nas Amé­ri­cas, a ta­xa de mor­tes de trân­si­to no Bra­sil só fi­ca atrás de Be­li­ze, Re­pú­bli­ca Do­mi­ni­ca­na e Ve­ne­zu­e­la.

A pro­por­ção da po­pu­la­ção no Bra­sil usan­do ser­vi­ços sa­ni­tá­ri­os se­gu­ros pa­ra la­va­gem de mão com sa­bão e água é de 39%, que é a mé­dia mun­di­al. Em com­pa­ra­ção, a ta­xa é de 85% no Chi­le, 64% no Uru­guai, 45% no Mé­xi­co e 42% no Equa­dor.

A par­te da po­pu­la­ção bra­si­lei­ra que gas­ta mais de 10% da renda com saú­de é de 25,6%, mais do do­bro da mé­dia das Amé­ri­cas de 11,1% e glo­bal de 11,7%. Os que gas­tam mais de 25% da renda che­gam a 3,5% (a ta­xa glo­bal é de 2,6%).

A ta­xa de sui­cí­dio no Bra­sil é de 6,5 por 100 mil ha­bi­tan­tes, abai­xo da mé­dia glo­bal de 10,6 e das Amé­ri­cas de 9,8 pes­so­as. O con­su­mo de ál­co­ol por quem tem mais de 15 anos no Bra­sil é de 7,8 li­tros na mé­dia por ano, li­gei­ra­men­te aci­ma da mé­dia glo­bal de 6,4 li­tros mas abai­xo dos 8 li­tros nas Amé­ri­cas.

Do­en­ças co­mo tu­ber­cu­lo­se e ma­lá­ria têm ta­xas bem me­no­res no Bra­sil que na mé­dia mun­di­al. A pos­si­bi­li­da­de no Bra­sil de uma pes­soa mor­rer de do­en­ça car­di­o­vas­cu­lar, câncer ou di­a­be­tes é es­ti­ma­da em 16,6%, mais que os 15,1% nas Amé­ri­cas, mas me­nos que a mé­dia mun­di­al de 18,3%.

Glo­bal­men­te, a OMS cons­ta­ta que me­nos da me­ta­de da po­pu­la­ção tem to­dos os ser­vi­ços de saú­de de que ne­ces­si­tam. Cer­ca de 13 mi­lhões de pes­so­as mor­rem a ca­da dia an­tes dos 70 anos por cau­sa de do­en­ças car­di­o­vas­cu­lar, pro­ble­mas res­pi­ra­tó­ri­os, di­a­be­tes e câncer, a mai­o­ria nos paí­ses de renda mé­dia e bai­xa. Di­a­ri­a­men­te, em 2016, cer­ca de 15 mil cri­an­ças mor­ri­am an­tes de al­can­çar os cin­co anos de ida­de.

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