Fren­te bus­ca su­prir au­sên­cia de Frei­xo

Valor Econômico - - POLÍTICA - (CK)

Se a frag­men­ta­ção da di­rei­ta na elei­ção a go­ver­na­dor do Rio é gran­de, a da es­quer­da não é me­nor. Prin­ci­pal ex­pres­são elei­to­ral do cam­po pro­gres­sis­ta no Rio, o de­pu­ta­do es­ta­du­al Mar­ce­lo Frei­xo (Psol) afas­tou qual­quer pos­si­bi­li­da­de de con­cor­rer ao Pa­lá­cio Gu­a­na­ba­ra. Vai se lan­çar a de­pu­ta­do fe­de­ral pa­ra aju­dar o Psol a ul­tra­pas­sar a cláu­su­la de bar­rei­ra, que pas­sa a vi­go­rar nes­tas elei­ções. Com a de­ci­são de Frei­xo, a união das le­gen­das de es­quer­da fi­cou mais di­fí­cil. O PT man­tém a can­di­da­tu­ra do ex-chan­ce­ler Cel­so Amo­rim (3,6% das pre­fe­rên­ci­as, de acor­do com levantamento do Pa­ra­ná Pes­qui­sas); o PC­doB con­ta com o ve­re­a­dor de Ni­te­rói Le­o­nar­do Gi­or­da­no; o PDT apos­ta no de­pu­ta­do es­ta­du­al Pe­dro Fer­nan­des; e o Psol vai no­va­men­te com o ve­re­a­dor da ca­pi­tal Tar­ci­sio Motta, que ob­te­ve qua­se 9% dos vo­tos em 2014.

Na ten­ta­ti­va de for­mar uma fren­te pro­gres­sis­ta, o an­tro­pó­lo­go Luiz Edu­ar­do So­a­res tem pro­mo­vi­do reu­niões em sua ca­sa em São Conrado — “É o nos­so apa­re­lho” — pa­ra se che­gar ao con­sen­so em tor­no de um no­me.

O pri­mei­ro en­con­tro, com re­pre­sen­tan­tes da so­ci­e­da­de ci­vil e de mo­vi­men­tos so­ci­ais, foi no dia 8. Na sexta-fei­ra, 25, o con­vi­te se­rá es­ten­di­do a di­ri­gen­tes e re­pre­sen­tan­tes par­ti­dá­ri­os, co­mo os de­pu­ta­dos fe­de­rais Ales­san­dro Mo­lon (PSB) e Jan­di­ra Fegha­li (PC­doB), o se­na­dor Lind­bergh Fa­ri­as (PT) e Frei­xo.

Das cin­co le­gen­das que par­ti­ci­pam, o PSB é a úni­ca que não tem pré-can­di­da­to, o que, na opi­nião de So­a­res, po­de­ria fa­ci­li­tar as de­mais a abri­rem mão de seus pos­tu­lan­tes, em fa­vor, por exem­plo, do ex-mi­nis­tro da Saú­de, Jo­sé Go­mes Tem­po­rão. “O Rio é um pe­que­no re­tra­to do Bra­sil em seus pi­o­res as­pec­tos. O ce­ná­rio é dan­tes­co. Mas is­so tam­bém fa­ci­li­ta e in­duz a en­ten­di­men­tos”, diz o an­tro­pó­lo­go.

Luiz Edu­ar­do So­a­res — que já foi do PT e do Re­de Sus­ten­ta­bi­li­da­de, de Ma­ri­na Sil­va — su­ge­re ain­da a fi­ló­so­fa e pe­tis­ta Már­cia Ti­bu­ri. Ou mes­mo Tar­ci­sio Motta. O im­por­tan­te, diz, não é o no­me, mas a for­ma­ção da fren­te. O ter­cei­ro en­con­tro do es­for­ço que qua­li­fi­ca de “qui­xo­tes­co” se­rá um even­to pú­bli­co, num au­di­tó­rio mai­or.

Es­tão fo­ra do gru­po de dis­cus­são o Re­de, cu­jo pré-can­di­da­to é o de­ca­no da Câ­ma­ra dos De­pu­ta­dos, Mi­ro Teixeira (6,2%), e o PPS, ali­a­do tra­di­ci­o­nal dos tu­ca­nos no Es­ta­do. “O pro­ble­ma do PPS é que fe­chou com a di­rei­ta em to­do es­se pro­ces­so do im­pe­a­ch­ment [da ex-pre­si­den­te Dil­ma Rous­seff] e es­te­ve no go­ver­no Te­mer. O Ru­bem Ce­sar é meu ami­go, uma gran­de fi­gu­ra, mas se au­to­ex­cluiu ao es­co­lher par­ti­do que não faz par­te do nos­so cam­po. E o Re­de, além do im­pe­a­ch­ment, fi­cou a fa­vor da in­ter­ven­ção fe­de­ral”, diz.

Pa­ra So­a­res, “se to­dos [os can­di­da­tos] fo­rem até o fi­nal, [a es­quer­da] não tem ne­nhu­ma chan­ce de che­gar ao se­gun­do tur­no”. Mas co­mo a elei­ção no Rio é im­pre­vi­sí­vel, até as pou­cas cer­te­zas du­ram pou­co. “O Psol ten­de a cres­cer. Não es­tá fra­co. Pe­lo con­trá­rio. O pro­fes­sor Tar­cí­sio, mes­mo com aque­le ra­bo de ca­va­lo, a bol­sa de uni­ver­si­tá­rio, te­ve qua­se 10% na úl­ti­ma elei­ção. Ho­je es­tá mais ma­du­ro. Nos­sa lei­tu­ra é que te­rá uns 15% de saí­da”, afir­ma um ca­ci­que par­ti­dá­rio fo­ra do cam­po da es­quer­da. No Pa­ra­ná Pes­qui­sas, o ve­re­a­dor apa­re­ce com 3,1% das pre­fe­rên­ci­as.

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