OMC vê de­sa­ce­le­ra­ção no co­mér­cio, que já atin­ge os emer­gen­tes

Valor Econômico - - INTERNACIONAL - As­sis Mo­rei­ra

A Or­ga­ni­za­ção Mun­di­al do Co­mér­cio (OMC) pre­vê me­nor cres­ci­men­to do co­mér­cio in­ter­na­ci­o­nal de mer­ca­do­ri­as, em vo­lu­me, nos pró­xi­mos me­ses. E pes­qui­sas com se­to­res in­dus­tri­ais já apon­tam os pri­mei­ros si­nais de de­sa­ce­le­ra­ção nas ex­por­ta­ções de eco­no­mi­as emer­gen­tes, que pas­sam atu­al­men­te por ou­tras tur­bu­lên­ci­as.

O mais re­cen­te In­di­ca­dor de Pers­pec­ti­vas do Co­mér­cio Mun­di­al (WTOI) da OMC, que dá in­for­ma­ções em tem­po re­al so­bre a tra­je­tó­ria das tro­cas glo­bais, mos­trou que o cres­ci­men­to das ex­por­ta­ções e im­por­ta­ções se­guem for­tes, mas o rit­mo po­de cair no se­gun­do tri­mes­tre.

O WTOI caiu pa­ra 101,8, de 102,3 em fe­ve­rei­ro — nú­me­ros aci­ma de 100 in­di­cam cres­ci­men­to aci­ma da ten­dên­cia no mé­dio pra­zo. Es­sa que­da ocor­re so­bre­tu­do pe­la bai­xa nos ín­di­ces de en­co­men­das de ex­por­ta­ções (fi­cou em 98,1) e de fre­te aé­reo in­ter­na­ci­o­nal de car­gas (caiu pa­ra 102,5). O mo­vi­men­to de con­têi­ne­res nos por­tos per­ma­ne­ceu aci­ma da ten­dên­cia (com 105,8), mas es­tag­nou.

Por sua vez, a pro­du­ção e ven­da glo­bal de au­to­mó­veis (97,8) e de com­mo­di­ti­es agrí­co­las (95,9) con­ti­nu­am abai­xo da ten­dên­cia re­cen­te. Já o co­mér­cio de com­po­nen­tes ele­trô­ni­cos cres­ceu (104,2).

Con­for­me a OMC, es­ses re­sul­ta­dos es­tão em li­nha com sua es­ti­ma­ti­va de ex­pan­são mo­de­ra­da do co­mér­cio glo­bal, de 4,7% em 2017 pa­ra 4,4% em 2018 e 4% em 2019. Mas o di­re­tor-ge­ral, Ro­ber­to Aze­vê­do, aler­tou re­cen­te­men­te que es­sas pre­vi­sões cor­rem ris­co com a es­ca­la­da de ten­sões co­mer­ci­ais, no ras­tro de me­di­das uni­la­te­rais to­ma­das pe­lo pre­si­den­te dos EUA, Do­nald Trump. On­tem, foi a vez de o Ja­pão ame­a­çar re­ta­li­ar os EUA por cau­sa de so­bre­ta­xa apli­ca­da nas ex­por­ta­ções ja­po­ne­sas de aço.

Pa­ra os emer­gen­tes, o ce­ná­rio se com­pli­ca. O “Mo­ni­tor de Co­mér­cio e Eco­no­mi­as Emer­gen­tes”, da Ca­pi­tal Eco­no­mics, em Lon­dres, mos­tra que o avan­ço das ex­por­ta­ções des­se gru­po de paí­ses já co­me­çou a ate­nu­ar e con­ti­nu­a­rá en­fra­que­cen­do nos pró­xi­mos me­ses.

A con­sul­to­ria se ba­seia em du­as gran­des pes­qui­sas jun­to aos se­to­res in­dus­tri­ais, o Mar­kit PMI (ín­di­ce de ge­ren­te de com­pras) e o Ifo World Eco­no­mic Sur­vey. O com­po­nen­te “no­vas en­co­men­das de ex­por­ta­ções” pa­ra emer­gen­tes caiu pa­ra o ní­vel mais bai­xo em 16 me­ses, so­bre­tu­do por cau­sa de fra­que­za da Ásia. As du­as pes­qui­sas jun­tas apon­tam me­nor cres­ci­men­to das ex­por­ta­ções em vo­lu­me de 6% (em ba­se anu­al) no pri­mei­ro tri­mes­tre pa­ra 1% no ter­cei­ro tri­mes­tre — ou se­ja, que­da im­por­tan­te na se­gun­da me­ta­de do ano.

A con­sul­to­ria res­sal­va que du­ran­te a cri­se da dí­vi­da na zo­na do eu­ro os in­dus­tri­ais su­pe­res­ti­ma­ram ris­co de con­tá­gio e che­ga­ram a pre­ver uma de­sa­ce­le­ra­ção bem mai­or do que re­al­men­te ocor­reu nas ex­por­ta­ções.

O ce­ná­rio atu­al, ape­sar de re­tó­ri­ca agres­si­va dos EUA e em ou­tras par­tes, ain­da não te­ve mu­dan­ças im­por­tan­tes de po­lí­ti­ca co­mer­ci­al.

Mas a Ca­pi­tal Eco­no­mics no­ta que não ape­nas o vo­lu­me de ex­por­ta­ções dos emer­gen­tes po­de­rá ser me­nor, co­mo em ter­mos de dó­lar as ven­das já per­de­ram for­ça, pe­los re­sul­ta­dos re­cen­tes de paí­ses co­mo a Chi­na, Bra­sil, Co­reia do Sul, Chi­le, Vi­et­nã e Taiwan.

A ex­pec­ta­ti­va é de que um me­nor cres­ci­men­to na Chi­na, par­cei­ro-cha­ve pa­ra a mai­o­ria dos paí­ses, de­ve pe­sar nas ex­por­ta­ções dos emer­gen­tes. O fran­cês So­cié­té Gé­né­ra­le ob­ser­va que, ape­sar da re­cen­te for­te re­to­ma­da na pro­du­ção in­dus­tri­al, vá­ri­os in­di­ca­do­res de de­man­da do­més­ti­ca de­sa­ce­le­ra­ram em abril. As con­di­ções de crédito na Chi­na con­ti­nu­am aper­ta­das e a di­fi­cul­da­de econô­mi­ca re­al co­me­ça a apa­re­cer, com a rá­pi­do al­ta no cus­to de fi­nan­ci­a­men­to.

A in­qui­e­ta­ção com os emer­gen­tes au­men­ta com os si­nais de vul­ne­ra­bi­li­da­de fi­nan­cei­ra na Ar­gen­ti­na e na Tur­quia. Pa­ra o Ins­ti­tu­to In­ter­na­ci­o­nal de Finanças (IIF), o aba­lo na Ar­gen­ti­na po­de ser ape­nas a pon­ta do icer­berg. No­ta que des­de o iní­cio do ano tem mos­tra­do pre­o­cu­pa­ção com a al­ta glo­bal dos ju­ros, que ex­põem as vul­ne­ra­bi­li­da­des des­se gru­po de paí­ses.

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