Ven­das do cam­po ao Irã em ris­co

Saí­da dos EUA do acor­do nu­cle­ar ameaça o fi­nan­ci­a­men­tos das ex­por­ta­ções ao país

Valor Econômico - - AGRONEGÓCIOS - Cris­ti­a­no Zaia

A ten­são ge­o­po­lí­ti­ca cau­sa­da pe­la saí­da dos Es­ta­dos Uni­dos do acor­do nu­cle­ar com o Irã po­de­rá tra­zer im­pac­tos ao fi­nan­ci­a­men­to das ex­por­ta­ções do agro­ne­gó­cio bra­si­lei­ro àque­le país. O Bra­sil é o mai­or for­ne­ce­dor de so­ja, mi­lho, car­nes e açú­car pa­ra os ira­ni­a­nos. No ano pas­sa­do, as ex­por­ta­ções do agro­ne­gó­cio ao país do Ori­en­te Mé­dio ren­de­ram US$ 2,2 bi­lhões.

Na ava­li­a­ção do go­ver­no bra­si­lei­ro, a po­lê­mi­ca me­di­da to­ma­da pe­lo pre­si­den­te Do­nald Trump de­ve agra­var o em­bar­go fi­nan­cei­ro ao Irã. A con­sequên­cia se­ria o au­men­to das tra­vas fi­nan­cei­ras que os ban­cos ame­ri­ca­nos já im­põem às tran­sa­ções co­mer­ci­ais en­vol­ven­do os ban­cos bra­si­lei­ros com em­pre­sas bra­si­lei­ras e ira­ni­a­nas.

O em­bai­xa­dor do Bra­sil no Irã, Ro­dri­go de Aze­re­do San­tos, ex­pli­ca que mui­tos ban­cos bra­si­lei­ros de gran­de por­te são im­pe­di­dos ho­je de ope­rar no Irã de­vi­do às cláu­su­las con­tra­tu­ais fir­ma­das com ins­ti­tui­ções fi­nan­cei­ras ame­ri­ca­nas das quais são par­cei­ros. Lo­go, não fi­nan­ci­am ex­por­ta­ções de­vi­do ao ris­co em­bu­ti­do nes­sas ope­ra­ções, mes­mo que os ali­men­tos ge­ral­men­te fi­quem fo­ra des­sas san­ções.

“Pe­lo acor­do nu­cle­ar de 2015 os EUA ti­nham se com­pro­me­ti­do a le­van­tar to­das as bar­rei­ras fi­nan­cei­ras, mas ago­ra, com a saí­da dos ban­cos ame­ri­ca­nos, de­vem en­du­re­cer mais ain­da e is­so po­de com­pli­car a ques­tão fi­nan­cei­ra pa­ra os ex­por­ta­do­res do Bra­sil”, diz Aze­re­do. “No ca­so do agro­ne­gó­cio, as tra­dings mul­ti­na­ci­o­nais com atu­a­ção no Bra­sil fa­zem a mai­o­ria das ope­ra­ções usan­do seus ban­cos em ou­tros paí­ses, mas ex­por­ta­do­res me­no­res têm di­fi­cul­da­des” , con­clui.

De acor­do com o pre­si­den­te da As­so­ci­a­ção Bra­si­lei­ra de Fri­go­rí­fi­cos (Abra­fri­go), Pé­ri­cles Sa­la­zar, o pro­ble­ma fi­nan­cei­ro já tem afe­ta­do os aba­te­dou­ros de me­nor por­te do Bra­sil. Di­an­te dis­so, a as­so­ci­a­ção pe­di­rá apoio do go­ver­no.

Na ten­ta­ti­va de con­tor­nar es­se pro­ble­ma, Ban­co Cen­tral, Ita­ma­raty e Mi­nis­té­rio da Agri­cul­tu­ra já vêm pro­cu­ran­do in­cen­ti­var pe­que­nos e mé­di­os ban­cos bra­si­lei­ros a atu­a­rem no Irã. Ou, ain­da, ne­go­ci­ar a vin­da de ins­ti­tui­ções fi­nan­cei­ras do Irã ao país.

No Mi­nis­té­rio da Agri­cul­tu­ra, o Irã é vis­to co­mo um mer­ca­do a ser ex­plo­ra­do. A Pas­ta es­ti­ma que a re­cei­ta com as ex­por­ta­ções ao país po­dem atin­gir US$ 5 bi­lhões no mé­dio pra­zo. Com o in­tui­to de au­men­tar as ven­das ao Irã, uma co­mi­ti­va do Mi­nis­té­rio da Agri­cul­tu­ra pro­mo­veu uma mis­são co­mer­ci­al no Irã em se­tem­bro do ano pas­sa­do. Além dos pro­du­tos já ex­por­ta­dos, o Bra­sil tem in­te­res­se em aces­sar o mer­ca­do ira­ni­a­no de fru­tas, ca­fé, ar­roz e ga­do.

“O Irã têm um mer­ca­do con­su­mi­dor em ex­pan­são, mas sa­be­mos das di­fi­cul­da­des fi­nan­cei­ras. Já con­ver­sa­mos com o Ban­co do Bra­sil e es­ta­mos ten­tan­do des­tra­var is­so”, diz o se­cre­tá­rio-exe­cu­ti­vo do Mi­nis­té­rio, Eu­mar No­vac­ki.

O Va­lor apu­rou que o Ban­co do Bra­sil não tem fi­nan­ci­a­do ne­gó­ci­os de ex­por­ta­do­res bra­si­lei­ros no Irã, por de­ter­mi­na­ção do de­par­ta­men­to de compliance.

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