Múl­ti es­pe­ra ven­cer dis­pu­ta com mi­nei­ra CCPR

Valor Econômico - - AGRONEGÓCIOS - (AAR)

En­quan­to faz a in­te­gra­ção com a Vi­gor, a me­xi­ca­na La­la vi­ve a ex­pec­ta­ti­va da de­ci­são da Câ­ma­ra de Ar­bi­tra­gem Bra­sil-Ca­na­dá so­bre a dis­pu­ta com a Co­o­pe­ra­ti­va Cen­tral dos Pro­du­to­res Ru­rais de Mi­nas Ge­rais (CCPR) em tor­no d a ven­da da Itam­bé pa­ra a fran­ce­sa Lac­ta­lis.

A de­ci­são do tri­bu­nal — que ain­da em fa­se de ins­ta­la­ção — de­ve de­mo­rar en­tre dois e três anos, ava­li­am os advogados da em­pre­sa me­xi­ca­na. Mas Edu­ar­do Tri­cio, pre­si­den­te do con­se­lho de ad­mi­nis­tra­ção da em­pre­sa, tem uma cer­te­za: “o pa­re­cer se­rá fa­vo­rá­vel à La­la”.

A Vi­gor, que era con­tro­la­da pe­la J&F an­tes de ser vendida à La­la, em agos­to, era só­cia da CCPR na Itam­bé. Quando fez a ofer­ta pe­la Vi­gor, a La­la in­cluiu tam­bém a par­ti­ci­pa­ção de 50% na Itam­bé, atri­buin­do às du­as em­pre­sas um va­lor to­tal de R$ 5,7 bi­lhões. Mas a CCPR de­ci­diu exer­cer o di­rei­to de re­com­pra de sua fa­tia na Itam­bé, o que es­ta­va pre­vis­to no acor­do de aci­o­nis­tas. As­sim o fez, mas um dia de­pois de pa­gar a La­la pe­los 50% anun­ci­ou a ven­da de 100% das ações da Itam­bé à Lac­ta­lis.

A Vi­gor, já sob o con­tro­le dos mexicanos, re­cor­reu à Jus­ti­ça e à ar­bi­tra­gem por con­si­de­rar que a ope­ra­ção en­tre a CCPR e Lac­ta­lis fe­riu o acor­do de aci­o­nis­tas que ti­nha com a cen­tral de cooperativas na em­pre­sa mi­nei­ra de lác­te­os. O acor­do pre­via que era proi­bi­da a ven­da da em­pre­sa pa­ra um ter­cei­ro que fos­se con­cor­ren­te, o que é ca­so da Lac­ta­lis.

Outro pon­to qu­es­ti­o­na­do pe­la Vi­gor é o acor­do de NDA (non dis­clo­su­re agre­e­ment) que Lac­ta­lis e ou­tras em­pre­sas as­si­na­ram com a J&F quando fi­ze­ram pro­pos­tas de com­pra pe­la Vi­gor, em me­a­dos de 2017. Pe­lo con­tra­to, as em­pre­sas te­ri­am de fi­car dois anos sem ne­go­ci­ar com a Itam­bé. A CCPR tem afir­ma­do que a ven­da à Lac­ta­lis não des­cum­priu o acor­do de aci­o­nis­tas, uma vez que es­te te­ria se en­cer­ra­do quando a cen­tral vol­tou a con­tro­lar a Itam­bé.

Edu­ar­do Tri­cio ad­mi­te que a em­pre­sa po­de apro­vei­tar even­tu­ais opor­tu­ni­da­des de ne­gó­cio que sur­gi­rem no Bra­sil en­quan­to aguar­da a de­ci­são so­bre a Itam­bé, que já ti­nha ten­ta­do com­prar há cin­co anos. Mas rei­te­ra que nes­te mo­men­to a pri­o­ri­da­de é a in­te­gra­ção com a Vi­gor.

Ca­so a de­ci­são do tri­bu­nal ar­bi­tral se­ja mes­mo fa­vo­rá­vel à Vi­gor, a em­pre­sa vol­ta­rá a ser só­cia da CCPR na Itam­bé. Ape­sar dos con­fli­tos após a ven­da sub ju­di­ce pa­ra a Lac­ta­lis, Tri­cio des­car­ta que es­sa se­ria uma si­tu­a­ção des­con­for­tá­vel. E qu­es­ti­o­na­do se se­ria in­te­res­se da La­la ter o con­tro­le da Itam­bé, ter­gi­ver­sa. “Va­mos ver o que acon­te­ce”. E com­ple­ta que a La­la fi­ca­ria “con­ten­te com uma par­ce­ria com os pro­du­to­res” na Itam­bé.

A de­ci­são so­bre a va­li­da­de da ven­da da Itam­bé à fran­ce­sa Lac­ta­lis es­tá nas mãos da Cã­ma­ra de Ar­bi­tra­gem Bra­sil Ca­na­dá des­de 7 de mar­ço pas­sa­do, quando a Câ­ma­ra de Di­rei­to Em­pre­sa­ri­al do Tri­bu­nal de Jus­ti­ça de São Pau­lo de­ter­mi­nou, por dois vo­tos a um, a sus­pen­são da ven­da da em­pre­sa mi­nei­ra pe­la CCPR à Lac­ta­lis até que o tri­bu­nal ar­bi­tral dê seu pa­re­cer. Dois de­sem­bar­ga­do­res da Câ­ma­ra po­si­ci­o­na­ram-se con­tra a trans­fe­rên­cia das ações da Itam­bé à Lac­ta­lis aca­tan­do o ar­gu­men­to da Vi­gor de que hou­ve des­res­pei­to ao acor­do de aci­o­nis­tas.

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