De­sas­tres na­tu­rais cau­sa­ram per­das de R$ 58 bi

Valor Econômico - - BRASIL - As­sis Mo­rei­ra

A eco­no­mia bra­si­lei­ra so­freu per­das di­re­tas de R$ 58,3 bi­lhões (US$ 15,7 bi­lhões) por cau­sa de de­sas­tres na­tu­rais no pe­río­do 1998-2017, se­gun­do um no­vo re­la­tó­rio da Agên­cia da ONU pa­ra Re­du­ção de Ris­cos de Ca­tás­tro­fes (Unis­dr, na si­gla em in­glês).

Nos úl­ti­mos 20 anos, 2.780 mor­re­ram no país de­vi­do a tra­gé­di­as am­bi­en­tais . Em mé­dia, mor­re­ram 124 pes­so­as por mi­lhão das po­ten­ci­al­men­te ex­pos­tas a ris­cos de inun­da­ções, de­sas­tres am­bi­en­tais e ou­tros.

Pa­ra a ONU, a sé­rie de des­li­za­men­tos de ter­ra e en­xur­ra­das na re­gião ser­ra­na do Rio em 2011 foi a mai­or ca­tás­tro­fe no Bra­sil em ter­mos de mor­tes, com 900 ví­ti­mas. Cal­cu­la a per­da econô­mi­ca di­re­ta no ano em R$ 4,1 bi­lhões (US$ 1,1 bi­lhão).

O mai­or cus­to econô­mi­co, por sua vez, ocor­reu em 2015, no to­tal de R$ 20 bi­lhões (US$ 5,4 bi­lhões). Foi o ano em que ocor­reu a tra­gé­dia em Ma­ri­a­na (Mi­nas Ge­rais), já con­si­de­ra­da o mai­or de­sas­tre am­bi­en­tal do país.

Glo­bal­men­te, as ca­tás­tro­fes na­tu­rais pro­vo­ca­ram per­das econô­mi­cas di­re­tas de US$ 2,9 tri­lhões e cau­sa­ram a mor­te de 1,3 mi­lhão de pes­so­as.

As per­das pro­vo­ca­das por ca­tás­tro­fes li­ga­das ao cli­ma cres­ce­ram 151% nes­ses 20 anos, ten­dên­cia que po­de pi­o­rar se os go­ver­nos não ado­ta­rem me­di­das de com­ba­te às mu­dan­ças cli­má­ti­cas. “Os da­dos são mui­to alar­man­tes”, diz Ri­car­do Me­na, da agên­cia da ONU.

As po­pu­la­ções po­bres são as mais afe­ta­das por tem­pes­ta­des, inun­da­ções e ter­re­mo­to, apon­ta o do­cu­men­to das Na­ções Uni­das. As pes­so­as nes­ses paí­ses cor­rem seis ve­zes mais ris­cos de per­de­rem su­as ca­sas, se­rem eva­cu­a­das ou pre­ci­sa­rem de as­sis­tên­cia de emer­gên­cia, do que as de paí­ses ri­cos.

Em ge­ral, a res­pon­sa­bi­li­da­de das au­to­ri­da­des na re­pe­ti­ção de mui­tas ca­tás­tro­fes, co­mo des­li­za­men­tos de ter­ra e en­chen­tes, é ex­tre­ma­men­te al­ta, diz De­ba­ra­ti Guha-Sa­pir, da Uni­ver­si­da­de Ca­tó­li­ca de Lou­vain (Bélgica), prin­ci­pal au­to­ra do re­la­tó­rio. A ne­gli­gên­cia es­ta­tal é am­pla­men­te pro­pa­ga­da, ao au­to­ri­za­rem ocu­pa­ção de ter­re­nos em áre­as de ris­co, por exem­plo, con­cor­dam ana­lis­tas.

As per­das econô­mi­cas mais im­por­tan­tes nos úl­ti­mos 20 anos ocor­re­ram nos EUA (US$ 944,8 bi­lhões), qua­se o do­bro do re­gis­tra­do na Chi­na, on­de os es­tra­gos so­ma­ram US$ 492,2 bi­lhões.

LU­CAS LACAZ RUIZ/FO­LHA­PRESS

Re­gião de Ma­ri­a­na (MG), após rom­pi­men­to da bar­ra­gem da Sa­mar­co em 2015, mai­or de­sas­tre am­bi­en­tal do país

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