Bi­o­me­tria te­ve fa­lha de 10% na elei­ção

TSE con­si­de­ra ín­di­ce acei­tá­vel e in­for­ma que trei­na­rá me­sá­ri­os pa­ra re­du­zir trans­tor­nos no se­gun­do tur­no

Valor Econômico - - | EMPRESAS SERVIÇOS&TECNOLOGIA - Gus­ta­vo Bri­gat­to (Co­la­bo­rou Lui­sa Mar­tins, de Bra­sí­lia)

A iden­ti­fi­ca­ção bi­o­mé­tri­ca não fun­ci­o­nou pa­ra 10% dos mais de 87 mi­lhões de elei­to­res ha­bi­li­ta­dos a usar tec­no­lo­gia na elei­ção de do­min­go, dis­se ao Va­lor, Giu­sep­pe Ja­ni­no, se­cre­tá­rio de tec­no­lo­gia da in­for­ma­ção do Tri­bu­nal Su­pe­ri­or Elei­to­ral (TSE). O per­cen­tu­al, que é su­pe­ri­or aos 8,5% do plei­to de 2014 — quan­do 21,6 mi­lhões de elei­to­res ti­nham di­gi­tais ca­das­tra­das — foi con­si­de­ra­do acei­tá­vel pe­lo tri­bu­nal. De acor­do com ele, o pla­no do TSE é ter um ín­di­ce de re­co­nhe­ci­men­to su­pe­ri­or a 90%.

Na ava­li­a­ção de Ja­ni­no, três fa­to­res po­dem ter fei­to o per­cen­tu­al fi­car em 10% no pri­mei­ro tur­no do plei­to des­te ano. O pri­mei­ro es­tá re­la­ci­o­na­do à co­le­ta ini­ci­al das di­gi­tais. Se o pro­ces­so não foi bem fei­to, a ve­ri­fi­ca­ção na ses­são de vo­ta­ção po­de dar pro­ble­mas. O se­gun­do é o pos­sí­vel des­gas­te da di­gi­tal en­tre a co­le­ta e o dia da vo­ta­ção por con­ta de fa­to­res co­mo o tem­po se­co ou su­jei­ra. A ter­cei­ra hi­pó­te­se é uma fa­lha no acom­pa­nha­men­to por par­te do me­sá­rio. Pa­ra ele, não há pro­ble­mas na tec­no­lo­gia usa­da pe­lo TSE. “Sem­pre es­ta­mos aten­tos a me­lho­ri­as, mas en­ten­do que os equi­pa­men­tos e sis­te­mas es­tão fun­ci­o­nan­do bem”, dis­se.

Pa­ra re­du­zir o ín­di­ce de fa­lhas no se­gun­do tur­no, o TSE de­ve in­ves­tir mais no trei­na­men­to dos me­sá­ri­os, diz a pro­fes­so­ra da Fun­da­ção Dom Cabral, Pau­la Oli­vei­ra. É is­so mes­mo que o TSE pre­ten­de fa­zer — re­for­çar o trei­na­men­to dos me­sá­ri­os até o dia 28. A me­di­da é, na ver­da­de, a úni­ca pos­sí­vel nes­te mo­men­to do ca­len­dá­rio elei­to­ral uma vez que não é pos­sí­vel me­xer nos softwa­res da ur­na. Os sis­te­mas fo­ram la­cra­dos pe­la pre­si­den­te do TSE, mi­nis­tra Ro­sa We­ber, pe­lo vi­ce-pro­cu­ra­dor-ge­ral elei­to­ral, Humberto Jac­ques, e pe­lo pe­ri­to cri­mi­nal da Po­lí­cia Fe­de­ral, Mar­ce­lo Sil­va, em 6 de se­tem­bro.

A bi­o­me­tria co­me­çou a ser es­tu­da­da pe­lo TSE em 2007 pa­ra re­du­zir frau­des. Ela foi usa­da pe­la pri­mei­ra vez em 2008, com 20 mil elei­to­res de três ci­da­des. Ho­je, pra­ti­ca­men­te 60% da ba­se de elei­to­res te­ve a di­gi­tal co­le­ta­da. A me­ta é que em 2022, to­dos os elei­to­res te­nham o ca­das­tro. Até lá, a es­ti­ma­ti­va é que a ba­se de pes­so­as ha­bi­li­ta­das a vo­tar pas­se dos atu­ais 147 mi­lhões pa­ra mais de 150 mi­lhões.

Em 10 anos, o TSE de­tec­tou 27 mil pes­so­as com ca­das­tros du­pli­ca­dos. O ‘re­cor­dis­ta’ ti­nha 52 tí­tu­los. “Is­so mos­tra co­mo a iden­ti­fi­ca­ção tra­di­ci­o­nal é frá­gil”, dis­se Ja­ni­no.

Ho­je, to­das as ur­nas usa­das pe­lo TSE pos­su­em lei­to­res de im­pres­são di­gi­tal. O sis­te­ma de cap­tu­ra e aná­li­se das di­gi­tais é for­ne­ci­do ao TSE pe­la em­pre­sa Gri­au­le Bi­o­me­trics, de Cam­pi­nas (SP). A ve­ri­fi­ca­ção nas ur­nas ocor­re com o soft­ware de có­di­go aberto Bo­zorth.

Até 2014, o elei­tor podia fa­zer até oi­to ten­ta­ti­vas com de­dos di­fe­ren­tes pa­ra ve­ri­fi­car sua iden­ti­da­de. Em 2016, o nú­me­ro foi re­du­zi­do pa­ra qua­tro pa­ra evi­tar de­mo­ras no pro­ces­so. “Per­ce­be­mos que 80% das pes­so­as são re­co­nhe­ci­das pe­lo de­dão ou pe­lo de­do in­di­ca­dor”, dis­se Ja­ni­no. Se ne­nhu­ma ten­ta­ti­va fun­ci­o­nar, o me­sá­rio po­de fa­zer a che­ca­gem com o tí­tu­lo de elei­tor e um do­cu­men­to com fo­to. As di­gi­tais com pro­ble­mas são re­gis­tra­das e ana­li­sa­das pos­te­ri­or­men­te. Se um pro­ble­ma de ca­das­tro for ve­ri­fi­ca­do, o TSE po­de en­trar em con­ta­to com o elei­tor pa­ra re­fa­zer o pro­ces­so.

Além da di­gi­tal, o TSE tam­bém ti­ra uma fo­to do elei­tor no ca­das­tra­men­to. A ima­gem é ana­li­sa­da por softwa­res e é usa­da co­mo uma es­pé­cie de “ti­ra­tei­ma” no ca­so de o sis­te­ma achar du­as di­gi­tais que te­nham al­gu­ma se­me­lhan­ça.

Em al­gum mo­men­to no fu­tu­ro, es­sas ima­gens tam­bém po­de­rão vir a ser usa­das em um sis­te­ma de re­co­nhe­ci­men­to fa­ci­al dos elei­to­res na ho­ra da vo­ta­ção. Pa­ra que is­so acon­te­ça, é pre­ci­so que o cus­to da câ­me­ra e do soft­ware que pre­ci­sam ser usa­dos caia nos pró­xi­mos anos. “Co­mo são mais de 460 mil pon­tos de vo­ta­ção, o cus­to de equi­pa­men­to tem que ser mul­ti­pli­ca­do por to­dos eles. E o scan­ner de di­gi­tal tem re­la­ção cus­to be­ne­fí­cio me­lhor ho­je”, dis­se Ja­ni­no.

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