Fu­sões e aqui­si­ções so­frem re­tra­ção no Bra­sil em 2018

Valor Econômico - - | EMPRESAS SERVIÇOS&TECNOLOGIA - Pes­qui­sa Ci­bel­le Bou­ças

As companhias de ca­pi­tal aberto de­sem­bol­sa­ram no pri­mei­ro se­mes­tre des­te ano US$ 22 bi­lhões em fu­sões e aqui­si­ções no Bra­sil, o que re­pre­sen­tou uma qu­e­da de 26,7% em re­la­ção ao to­tal re­gis­tra­do no mes­mo in­ter­va­lo de 2017. O vo­lu­me de tran­sa­ções caiu 23,6% no pe­río­do, de 225 pa­ra 172 ope­ra­ções. Os da­dos fa­zem par­te de um es­tu­do glo­bal da con­sul­to­ria Bos­ton Con­sul­ting Group.

Pa­ra a con­sul­to­ria, as companhias fe­cha­rão me­nos acor­dos nes­te ano do que em 2017, em fun­ção do am­bi­en­te ma­cro­e­conô­mi­co fra­co e do ce­ná­rio po­lí­ti­co ain­da in­cer­to. No ano pas­sa­do, fo­ram re­gis­tra­das no país 436 tran­sa­ções, so­man­do US$ 41 bi­lhões. Já em 2019, a ten­dên­cia é de re­to­ma­da des­sas ope­ra­ções.

“Cer­ta­men­te, o ce­ná­rio po­lí­ti­co es­ta­rá me­lhor de­fi­ni­do e a eco­no­mia se­gui­rá a ten­dên­cia de re­cu­pe­ra­ção. Es­ses fa­to­res fa­vo­re­cem as fu­sões e aqui­si­ções. A ten­dên­cia de lon­go pra­zo é de au­men­to de tran­sa­ções no Bra­sil”, afir­mou Mar­cus Ay­res, di­re­tor do BCG e lí­der do cen­tro de tran­sa­ções no Bra­sil.

Na ava­li­a­ção do ana­lis­ta, a eco­no­mia bra­si­lei­ra es­tá ama­du­re­cen­do. E a ten­dên­cia de lon­go pra­zo é que as companhias re­a­li­zem tran­sa­ções de va­lo­res mais al­tos, com mais ca­sos de me­ga­fu­sões.

Em 2017, fo­ram re­a­li­za­das no país se­te ope­ra­ções com va­lo­res aci­ma de US$ 1 bi­lhão. A ope­ra­ção mais va­li­o­sa foi a in­cor­po­ra­ção, pe­la Va­le, da Va­le­par, hol­ding que agru­pa­va os aci­o­nis­tas con­tro­la­do­res da com­pa­nhia bra­si­lei­ra, ava­li­a­da em US$ 21 bi­lhões.

Em 2018, a mai­or ope­ra­ção foi o anún­cio da com­pra da Fi­bria pe­la Su­za­no, ava­li­a­da em US$ 10,7 bi­lhões. Tam­bém fo­ram re­gis­tra­das se­te tran­sa­ções com va­lo­res a par­tir de US$ 1 bi­lhão. Fa­zem par­te da lis­ta o anún­cio de joint ven­tu­re da Em­bra­er com a Bo­eing (ope­ra­ção de US$ 3,8 bi­lhões), a com­pra da So­mos Edu­ca­ção pe­la Kro­ton, por US$ 1,3 bi­lhão, a com­pra da Em­bra­co, da Whirl­po­ol, pe­la ja­po­ne­sa Ni­dec (US$ 1,1 bi­lhão), en­tre ou­tros.

A qu­e­da em tran­sa­ções no Bra­sil em 2018 con­tra­ri­ou a ten­dên­cia glo­bal. De ja­nei­ro a ju­nho, as tran­sa­ções no mun­do al­can­ça­ram US$ 1,72 tri­lhão, com cres­ci­men­to de 31,9% em re­la­ção ao mes­mo in­ter­va­lo de 2017. Já o nú­me­ro de ne­gó­ci­os caiu 11,6 mil, pa­ra 16.189 tran­sa­ções, in­di­can­do que as fu­sões e aqui­si­ções es­tão mais ca­ras.

De acor­do com a con­sul­to­ria, o va­lor das tran­sa­ções atin­giu o va­lor mais al­to des­de 1990, quan­do o BCG co­me­çou a pes­qui­sa. Na mé­dia, o pre­ço dos ati­vos fi­cou equi­va­len­te a 14,2 ve­zes o lu­cro an­tes de ju­ros, im­pos­tos, de­pre­ci­a­ção e amor­ti­za­ção (Ebit­da, na si­gla em in­glês) das companhias no ano. Es­se in­di­ca­dor apre­sen­ta um au­men­to mé­dio de 5% ao ano des­de 2009, se­gun­do a BCG.

Ay­res dis­se que o au­men­to no va­lor das tran­sa­ções de­ve-se a dois fa­to­res prin­ci­pais. Um de­les foi o en­ca­re­ci­men­to de ati­vos no mer­ca­do ame­ri­ca­no, de­vi­do à mu­dan­ça tri­bu­tá­ria no país. “O flu­xo de cai­xa das companhias au­men­tou nos EUA e, com is­so, o va­lor per­ce­bi­do das em­pre­sas cres­ceu”, afir­mou. O va­lor mé­dio das em­pre­sas nos EUA che­gou a 16,9 ve­zes o Ebit­da em 2017, an­te a mé­dia glo­bal de 14,2.

Ou­tro fa­tor apon­ta­do foi a in­clu­são, no pre­ço dos ati­vos, de um va­lor re­la­ti­vo a ga­nhos po­ten­ci­ais de si­ner­gia. De acor­do com a con­sul­to­ria, en­tre 2011 e 2017, as em­pre­sas do­bra­ram os ga­nhos de si­ner­gia com fu­sões e aqui­si­ções. “As companhias têm bus­ca­do em­bu­tir um pe­da­ço des­se ga­nho po­ten­ci­al no pre­ço dos ati­vos. No Bra­sil, es­sa é uma ten­dên­cia que ten­de a ga­nhar espaço tam­bém”, dis­se Ay­res.

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