Eduardo Lei­te vai ad­mi­nis­trar dé­fi­cit de R$ 6,9 bi no RS

Tu­ca­no se­rá o mais jo­vem go­ver­na­dor do Es­ta­do que en­fren­ta gra­ve situação fi­nan­cei­ra

Valor Econômico - - POLÍTICA -

O ex-pre­fei­to de Pe­lo­tas (RS) Eduardo Lei­te (PSDB) se ele­geu o go­ver­na­dor mais jo­vem do Rio Gran­de do Sul. Aos 33 anos, o tu­ca­no dis­pu­ta­va pe­la pri­mei­ra vez o Pa­lá­cio Pi­ra­ti­ni. Ele ob­te­ve 53,62% dos vo­tos, con­tra 46,38% do atu­al go­ver­na­dor Jo­sé Ivo Sar­to­ri (MDB).

Uma vi­tó­ria bem mais aper­ta­da do que a pre­vis­ta no úl­ti­mo le­van­ta­men­to do Ibo­pe, que mos­tra­va Eduardo com 57% dos vo­tos vá­li­dos, con­tra 43% de Sar­to­ri.

Lei­te é na­tu­ral de Pe­lo­tas, on­de foi elei­to pre­fei­to aos 28 anos. For­ma­do em di­rei­to, es­tu­dou ges­tão pú­bli­ca na Uni­ver­si­da­de de Co­lum­bia (EUA), e faz mes­tra­do em ges­tão e po­lí­ti­cas pú­bli­cas na Fun­da­ção Ge­tu­lio Var­gas (FGV-SP).

Na pri­mei­ra de­cla­ra­ção co­mo go­ver­na­dor elei­to, Lei­te dis­se que se sen­te ex­pe­ri­en­te por já ter go­ver­na­do um gran­de mu­ni­cí­pio e ter se ca­pa­ci­ta­do no ex­te­ri­or co­mo ad­mi­nis­tra­dor pú­bli­co. Qu­es­ti­o­na­do so­bre o de­sem­pe­nho do PSDB nas elei­ções des­te ano, Eduardo Lei­te afir­mou que o par­ti­do pre­ci­sa ou­vir o re­ca­do das ur­nas, e que quer aju­dar o par­ti­do a se re­a­pro­xi­mar de su­as ba­ses e atu­a­li­zar o seu pro­gra­ma. Lei­te é con­si­de­ra­do um dos mais pro­mis­so­res qua­dros da no­va ge­ra­ção de tu­ca­nos.

Em co­le­ti­va de im­pren­sa em Por­to Ale­gre, Lei­te sau­dou a vi­tó­ria de Jair Bol­so­na­ro e dis­se que quer aju­dar o no­vo pre­si­den­te a unir o país e a fa­zer o Bra­sil su­pe­rar seus pro­ble­mas. An­tes da che­ga­da de Lei­te ao co­mi­tê do PSDB na zo­na nor­te de Por­to Ale­gre, as­ses­so­res uti­li­za­ram car­ta­zes do tu­ca­no pa­ra ta­par uma ima­gem de Bol­so­na­ro em um pai­nel fi­xa­do ao fun­do da me­sa on­de Lei­te con­ce­de­ria a co­le­ti­va. Ele de­cla­rou apoio ao mi­li­tar re­for­ma­do no se­gun­do tur­no. Mas ao con­trá­rio de seu opo­nen­te Jo­sé Ivo Sar­to­ri, que co­lou sua ima­gem à do pre­si­den­ciá­vel, Lei­te dis­se que ti­nha res­tri­ções a Bol­so­na­ro.

Na pri­mei­ra dis­pu­ta em 24 anos sem a par­ti­ci­pa­ção de um can­di­da­to do PT, os dois con­cor­ren­tes apre­sen­ta­ram pro­pos­tas se­me­lhan­tes pa­ra os elei­to­res. O PSDB não só apoi­ou Sar­to­ri ao lon­go dos úl­ti­mos qua­tro anos co­mo de­fen­de as mes­mas re­cei­tas pa­ra com­ba­ter a cri­se fi­nan­cei­ra do Es­ta­do: re­du­ção de gas­tos, privatizaç­ões e ade­são ao Re­gi­me de Re­cu­pe­ra­ção Fis­cal.

Pa­ra se des­co­lar do dis­cur­so da cri­se, o tu­ca­no tam­bém pro­me­teu me­di­das co­mo a atra­ção de in­ves­ti­men­tos, re­du­ção de im­pos­tos e par­ce­ri­as pú­bli­co-pri­va­das.

Eduardo Lei­te as­su­me em ja­nei­ro um dos Estados em pi­or situação fi­nan­cei­ra do Bra­sil, com uma pre­vi­são de dé­fi­cit de R$ 6,9 bi­lhões em 2018. Os sa­lá­ri­os dos ser­vi­do­res são pa­gos de for­ma atra­sa­da e/ou par­ce­la­da há 32 me­ses con­se­cu­ti­vos.

A situação só não é pi­or gra­ças a uma li­mi­nar do mi­nis­tro Mar­co Au­ré­lio Mel­lo, do Su­pre­mo Tri­bu­nal Fe­de­ral, que de­so­bri­ga o Es­ta­do de pa­gar a par­ce­la men­sal da dí­vi­da com a União des­de se­tem­bro do ano pas­sa­do. Mas a de­ci­são po­de ser re­ver­ti­da a qual­quer mo­men­to pe­lo ple­ná­rio do STF.

Pa­ra ga­ran­tir o não pa­ga­men­to da dí­vi­da pe­los pró­xi­mos três anos e a con­tra­ta­ção de no­vos fi­nan­ci­a­men­tos, o pró­xi­mo go­ver­na­dor te­rá de ade­rir ao Re­gi­me de Re­cu­pe­ra­ção Fis­cal do go­ver­no fe­de­ral. Sar­to­ri, que sem­pre apon­tou o Re­gi­me co­mo a prin­ci­pal saí­da pa­ra a cri­se, dei­xa­rá o car­go sem ter con­se­gui­do fe­char o acor­do.

O prin­ci­pal en­tra­ve é a pri­va­ti­za­ção de es­ta­tais, uma das con­tra­par­ti­das da União, e que no Rio Gran­de do Sul só po­de ser fei­ta atra­vés de um ple­bis­ci­to. Du­ran­te a cam­pa­nha Eduardo Lei­te pro­me­teu re­to­mar a ne­go­ci­a­ção com Bra­sí­lia em no­vos ter­mos. Ele usou o exem­plo do Rio de Ja­nei­ro, que ade­riu ao Re­gi­me sem pri­va­ti­zar es­ta­tais, mas dan­do uma em­pre­sa de sa­ne­a­men­to co­mo ga­ran­tia ao go­ver­no fe­de­ral.

O no­vo go­ver­na­dor tam­bém te­rá que li­dar com for­te opo­si­ção na As­sem­bleia Le­gis­la­ti­va. As di­ver­gên­ci­as se acen­tu­a­ram na re­ta fi­nal da cam­pa­nha, em que Lei­te acu­sou o can­di­da­to do MDB de es­pa­lhar fa­ke news so­bre sua vi­da pes­so­al, e Sar­to­ri acu­sou o tu­ca­no de vi­ti­mis­mo.

Além dos pre­vi­sí­veis em­ba­tes, Lei­te te­rá de li­dar com uma das prin­ci­pais pre­o­cu­pa­ções dos gaú­chos: a vi­o­lên­cia. O Rio Gran­de do Sul es­tá sob in­ter­ven­ção da For­ça Na­ci­o­nal de Se­gu­ran­ça Pú­bli­ca des­de se­tem­bro de 2016.

ITA­MAR AGUI­AR/AGÊN­CIA FREELANCER/FO­LHA­PRESS

Eduardo Lei­te: elei­to ga­nhou ex­pe­ri­ên­cia co­mo pre­fei­to de Pe­lo­tas e gra­du­a­ção em ges­tão pú­bli­ca no ex­te­ri­or

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