BNDES vai abrir mais da­dos ao pú­bli­co no dia 27

Valor Econômico - - BRASIL - Fran­cis­co Góes

Ape­sar de o pre­si­den­te elei­to, Jair Bol­so­na­ro, ter ex­pres­sa­do on­tem, em sua con­ta no Twit­ter, que pre­ten­de abrir a “cai­xa-pre­ta” do Ban­co Na­ci­o­nal de De­sen­vol­vi­men­to Econô­mi­co e So­ci­al (BNDES), a pro­mes­sa não in­qui­e­ta os téc­ni­cos da ins­ti­tui­ção. Exis­te a con­vic­ção, en­tre o cor­po téc­ni­co, que, no mo­men­to em que a equi­pe de Bol­so­na­ro se de­bru­çar so­bre o te­ma, fi­ca­rá de­mons­tra­do que o ban­co tem ní­vel de trans­pa­rên­cia ade­qua­do. An­tes mes­mo da pos­se do no­vo go­ver­no, o BNDES irá tor­nar pú­bli­cas no­vas in­for­ma­ções.

No dia 27 des­te mês ha­ve­rá um even­to pro­mo­vi­do pe­lo ban­co e pe­lo Tri­bu­nal de Con­tas da União (TCU), em Bra­sí­lia, em que se­rá as­si­na­do acor­do de co­o­pe­ra­ção téc­ni­ca en­tre as du­as ins­ti­tui­ções. Pe­lo acor­do, o tri­bu­nal te­rá a pos­si­bi­li­da­de de ter aces­so “pe­re­ne” a to­da e qu­al­quer in­for­ma­ção do ban­co, sem si­gi­lo. Em par­ce­ria acer­ta­da com o TCU, o BNDES vem am­pli­an­do as in­for­ma­ções pú­bli­cas dis­po­ní­veis no si­te do ban­co.

An­tes de uma au­di­ên­cia re­a­li­za­da com o TCU em agos­to, no Rio, já era pos­sí­vel ver no si­te quem to­mou o fi­nan­ci­a­men­to, o va­lor e a da­ta da con­tra­ta­ção, com que fi­na­li­da­de o contrato foi fir­ma­do e qual a ta­xa de ju­ros co­bra­da. Em agos­to, o ban­co tam­bém pas­sou a in­for­mar o por­te do cli­en­te, a si­tu­a­ção do contrato (se ati­vo ou qui­ta­do), o va­lor de­sem­bol­sa­do pa­ra a ad­mi­nis­tra­ção pú­bli­ca e em con­tra­tos não re­em­bol­sá­veis, além de iden­ti­fi­car ope­ra­ções de apoio à ino­va­ção.

A par­tir do dia 27, o ban­co di­vul­ga­rá no­vas in­for­ma­ções: a fon­te de re­cur­sos das ope­ra­ções (FAT, Te­sou­ro ou re­cur­sos pró­pri­os) e o va­lor de­sem­bol­sa­do pa­ra cli­en­tes pri­va­dos. Na área de mer­ca­do de ca­pi­tais, se­rão co­nhe­ci­dos os de­sin­ves­ti­men­tos e a re­mu­ne­ra­ção que o ban­co te­ve pe­la ven­da de su­as par­ti­ci­pa­ções aci­o­ná­ri­as. Tam­bém se­rá di­vul­ga­do o va­lor de mer­ca­do atu­a­li­za­do da car­tei­ra da BNDESPar. Um con­jun­to de in­for­ma­ções, po­rém, continuará pro­te­gi­da por lei.

In­for­ma­ções so­bre ina­dim­plên­cia e so­bre o sal­do de­ve­dor dos cli­en­tes con­ti­nu­a­rão pro­te­gi­das do pú­bli­co por ques­tões de si­gi­lo ban­cá­rio. Tam­bém fi­ca­rão pro­te­gi­das por lei in­for­ma­ções de si­gi­lo co­mer­ci­al e in­dus­tri­al. A ava­li­a­ção é que a even­tu­al di­vul­ga­ção des­sas in­for­ma­ções “ma­ta­ria” o ban­co pois os cli­en­tes po­de­ri­am não que­rer mais se re­la­ci­o­nar com a ins­ti­tui­ção ou omi­tir in­for­ma­ções, o que com­pro­me­te­ria uma aná­li­se ade­qua­da dos pe­di­dos de cré­di­to. Por fim, um ter­cei­ro nú­cleo pro­te­gi­do é a aná­li­se de ris­co de cré­di­to dos cli­en­tes fei­ta pe­lo BNDES. To­das es­sas in­for­ma­ções, em­bo­ra não se­jam pú­bli­cas, são re­pas­sa­das a ór­gãos ex­ter­nos de con­tro­le, co­mo o TCU, que têm o com­pro­mis­so de pre­ser­vá-las.

Ain­da em de­zem­bro é es­pe­ra­da a con­clu­são da au­di­to­ria in­de­pen­den­te con­du­zi­da pe­los es­cri­tó­ri­os Cle­ary Got­tli­eb & Ha­mil­ton, dos EUA, e o bra­si­lei­ro Levy & Sa­lo­mão so­bre o apoio do ban­co à pro­du­to­ra de car­nes JBS. O ban­co che­gou a ins­tau­rar uma co­mis­são in­ter­na de apu­ra­ção que não iden­ti­fi­cou ne­nhum fa­to re­le­van­te no ca­so.

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