Carly­le ne­go­cia com­pra de fa­tia na re­de Ma­de­ro por R$ 1 bi­lhão

Con­ver­sas evo­lu­em pa­ra a ven­da de 25% da com­pa­nhia, que tem 140 lo­jas

Valor Econômico - - EMPRESAS - Adriana Mat­tos

A ca­deia de res­tau­ran­tes Ma­de­ro es­tá em ne­go­ci­a­ções avan­ça­das pa­ra a ven­da de uma par­ti­ci­pa­ção mi­no­ri­tá­ria à ges­to­ra ame­ri­ca­na de fun­dos de pri­va­te equity Carly­le, con­for­me an­te­ci­pou on­tem o Va­lor PRO, ser­vi­ço de in­for­ma­ções em tem­po re­al do Va­lor. Ca­so as tra­ta­ti­vas avan­cem, os re­cur­sos com a ven­da de­vem ir pa­ra re­du­ção de dívida e ex­pan­são da re­de.

As con­ver­sas, nes­te mo­men­to, en­vol­vem a ven­da de 25% da ca­deia por va­lor em tor­no de R$ 1 bi­lhão. O Itaú BBA es­tá in­ter­me­di­an­do as ne­go­ci­a­ções. A mai­or par­te des­te mon­tan­te — se­gun­do du­as fon­tes, en­tre 70% e 90% — de­ve ser des­ti­na­do à em­pre­sa e o res­tan­te a seus con­tro­la­do­res. A re­de, com 140 uni­da­des no país, foi fun­da­da em 2005 pe­lo chef pa­ra­na­en­se Luiz Junior Durs­ki.

“De 0 a 10, a em­pre­sa foi até a pá­gi­na seis, e aí pa­rou de ne­go­ci­ar pou­co an­tes das elei­ções por cau­sa da ins­ta­bi­li­da­de do mer­ca­do e re­to­mou nas úl­ti­mas se­ma­nas”, diz uma pes­soa a par das con­ver­sas. Pro­cu­ra­dos pe­lo Va­lor, a Ma­de­ro e o Carly­le pre­fe­ri­ram não co­men­tar o as­sun­to.

A Ma­de­ro es­tá sen­do ava­li­a­da em cer­ca de R$ 4 bi­lhões, com Ebit­da (lu­cro an­tes de ju­ros, im­pos­tos, amor­ti­za­ção e de­pre­ci­a­ção) pro­je­ta­do de R$ 200 mi­lhões nes­te ano. Se­gun­do pes­so­as a par do as­sun­to, Durs­ki bus­ca re­du­zir en­di­vi­da­men­to da re­de, que su­biu após o seu cres­ci­men­to or­gâ­ni­co — a re­la­ção en­tre dívida e Ebit­da es­ta­ria en­tre 2,5 a 3 ve­zes. A ca­deia não pre­ten­de fe­char o ne­gó­cio por um múl­ti­plo mui­to abai­xo de 20 ve­zes o va­lor do Eb­ti­da.

Em 2017, a re­cei­ta bru­ta da Ma­de­ro foi de pou­co mais de R$ 510 mi­lhões, com al­ta de 67% fren­te a 2016, se­gun­do ba­lan­ço da em­pre­sa. A pro­je­ção da re­de é al­can­çar en­tre R$ 700 mi­lhões e R$ 1 bi­lhão nes­te ano, diz uma fon­te.

Nes­te ano, a Ge­ne­ral Atlan­tic tam­bém ana­li­sou os nú­me­ros da re­de de res­tau­ran­tes, mas as ne­go­ci­a­ções com o Carly­le se ace­le­ra­ram. A fi­na­li­za­ção do ne­gó­cio de­pen­de, em par­te, de ques­tões fis­cais. A Ma­de­ro ope­ra pe­lo re­gi­me tri­bu­tá­rio do lu­cro pre­su­mi­do de su­as em­pre­sas con­tro­la­das, e o Carly­le pe­diu mu­dan­ças em re­la­ção a is­so.

Se­gun­do uma fon­te pró­xi­ma à em­pre­sa, ca­so as par­tes re­sol­vam as ques­tões fis­cais, a re­de po­de de­ci­dir aguar­dar a con­clu­são do ano pa­ra, com ba­se no ba­lan­ço de 2018, fe­char a tran­sa­ção.

Se a ne­go­ci­a­ção for con­cluí­da, e o va­lor em tor­no de R$ 1 bi­lhão for con­fir­ma­do, cer­ca de R$ 500 mi­lhões de­vem ser des­ti­na­dos pa­ra pa­ga­men­to de de­bên­tu­res subs­cri­tas nes­te ano pe­la ges­to­ra He­mis­fé­rio Sul In­ves­ti­men­tos (HSI). A ope­ra­ção ven­ce em abril de 2020, mas des­de se­tem­bro a Ma­de­ro po­de pa­gar a dívida an­te­ci­pa­da­men­te.

O va­lor da emis­são con­cluí­da nes­te ano, e com dois anos de ca­rên­cia pa­ra as ta­xas de ju­ros, atin­giu R$ 380 mi­lhões, mas a so­ma fi­nal che­ga a R$ 500 mi­lhões, con­si­de­ran­do os ju­ros.

O res­tan­te dos re­cur­sos des­ti­na­dos à em­pre­sa (ex­cluin­do a par­te dos só­ci­os), de­ve fi­car no cai­xa, pa­ra in­ves­ti­men­tos. A em­pre­sa tem pro­je­ção de aber­tu­ra de no­vas mar­cas e avan­çar com a Ma­de­ro, com pre­sen­ça ain­da lo­ca­li­za­da em al­guns mer­ca­dos. No co­me­ço do ano, o pla­no era abrir 29 no­vos res­tau­ran­tes Ma­de­ro, além de 12 pon­tos da Je­ro­ni­mo Bur­guer, bandeira cri­a­da no ano pas­sa­do.

A Ma­de­ro já pas­sou, pe­lo me­nos, por ou­tros três mo­men­tos en­vol­ven­do ne­go­ci­a­ções pa­ra a ven­da de uma fa­tia da em­pre­sa, mas as con­ver­sas não avan­ça­ram. Nu­ma des­sas si­tu­a­ções, no iní­cio des­te ano, Durs­ki che­gou a cos­tu­rar um acor­do com a L Cat­ter­ton, o mai­or fun­do do se­tor de con­su­mo do mun­do, co­mo an­te­ci­pou o Va­lor na épo­ca.

As con­ver­sas avan­ça­ram pa­ra a ven­da de 13% da re­de, ava­li­an­do a em­pre­sa em qua­se R$ 3,1 bi­lhões e con­si­de­ran­do um múl­ti­plo de 15 ve­zes o Ebit­da de R$ 200 mi­lhões pre­vis­to pa­ra 2018. Mas o fun­da­dor da ca­deia de res­tau­ran­tes bus­ca­va um va­lor mai­or e de­sis­tiu da ope­ra­ção, se­gun­do fon­tes.

Sem a ven­da, e pre­ci­san­do re­ne­go­ci­ar ou­tra dívida de R$ 200 mi­lhões na épo­ca, a Ma­de­ro fe­chou a emis­são de de­bên­tu­res de R$ 380 mi­lhões com a HSI. En­tre as ga­ran­ti­as com a HSI es­tão, por exem­plo, 51% das ações da re­de, além de to­dos os re­ce­bí­veis

O Carly­le tem em seu port­fó­lio no país fa­ti­as mi­no­ri­tá­ri­as ou o con­tro­le em ati­vos co­mo Tok& Stok, Ri Happy, FS (pro­ve­do­ra de ser­vi­ços, apli­ca­ti­vos e con­teú­dos mó­veis), en­tre ou­tros ne­gó­ci­os.

BRENNO CAR­VA­LHO/AGÊN­CIA O GLO­BO

Em 2017, a re­cei­ta bru­ta da Ma­de­ro foi de pou­co mais de R$ 510 mi­lhões, com al­ta de 67%; ex­pec­ta­ti­va é al­can­çar en­tre R$ 700 mi­lhões e R$ 1 bi es­te ano

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