Pre­ço da TV en­co­lhe e a ima­gem na te­la me­lho­ra

Em 12 me­ses, até ou­tu­bro, a re­tra­ção é de 10,6%

Valor Econômico - - | EMPRESAS TENDÊNCIAS&CONSUMO - Gustavo Bri­gat­to

O con­su­mi­dor que pre­ten­de com­prar uma TV no­va na Black Fri­day ou no Na­tal tem chan­ce de fa­zer um bom ne­gó­cio. Os apa­re­lhos que es­tão che­gan­do às lo­jas têm, na mé­dia, mais qua­li­da­de de ima­gem do que os que fo­ram ven­di­dos no iní­cio do ano. Já os pre­ços, de­pois de te­rem su­bi­do na épo­ca da Co­pa do Mun­do, es­tão vol­tan­do ao pa­ta­mar pra­ti­ca­do em ja­nei­ro.

Em ju­lho, se­gun­do o ín­di­ce ofi­ci­al da in­fla­ção (IPCA/IBGE), os pre­ços dos apa­re­lhos de TV es­ta­vam su­bin­do 1,49%. Des­de en­tão, caem. Em ou­tu­bro, hou­ve re­cuo de 0,07%, le­van­do a cur­va dos pre­ços em di­re­ção ao ní­vel do iní­cio des­te ano (ver grá­fi­co ao la­do). Se for con­si­de­ra­do o pe­río­do acu­mu­la­do em 12 me­ses, até ou­tu­bro, a que­da dos pre­ços da TV é de 10,6%.

De acor­do com a em­pre­sa de pes­qui­sas GfK, em ja­nei­ro des­te ano o pre­ço mé­dio dos apa­re­lhos de TV era de R$ 1.687. Em se­tem­bro, cus­ta­va R$ 1.702.

“Es­ta­mos, de fa­to, com um pre­ço mé­dio pró­xi­mo ao que tí­nha­mos no co­me­ço do ano”, diz Rui Aga­pi­to, di­re­tor da GfK que acom­pa­nha o mer­ca­do de TVs. Ele tam­bém observa que os apa­re­lhos que che­gam ao va­re­jo ago­ra têm, em mé­dia, me­lhor re­so­lu­ção de ima­gem (mais li­nhas/me­lhor de­fi­ni­ção) e um ta­ma­nho mé­dio mai­or (mais po­le­ga­das). “Ou se­ja, o mix de pro­du­tos é di­fe­ren­te do que ti­ve­mos no co­me­ço do ano”, diz ele.

A que­da dos pre­ços nes­te fim do ano po­de ser li­mi­ta­da por dois fa­to­res: os va­re­jis­tas es­tão es­to­ca­dos com TVs com­pra­das a um dó­lar mais al­to em re­la­ção ao re­al; e e a “ra­ci­o­na­li­da­de” que a Black Fri­day ga­nhou nos úl­ti­mos dois anos — fa­bri­can­tes e va­re­jis­tas es­tão mais co­me­di­dos na quan­ti­da­de de pro­du­tos em pro­mo­ção e no per­cen­tu­al de des­con­tos ofe­re­ci­dos. A Black Fri­day es­tá marcada pa­ra 23 de no­vem­bro, mas al­guns va­re­jis­tas já ini­ci­a­ram su­as cam­pa­nhas pro­mo­ci­o­nais.

“A pres­são por re­sul­ta­do exis­te, ha­ve­rá pro­mo­ções pa­ra re­for­çar o vo­lu­me de ven­das, mas den­tro da ra­ci­o­na­li­da­de”, diz Kle­ber Ca­rant, di­re­tor de ven­das da Semp TCL. “Se­rá uma boa opor­tu­ni­da­de pa­ra o con­su­mi­dor ad­qui­rir óti­mos pro­du­tos com pre­ços mais bai­xos”, diz Ser­gei Epof, ge­ren­te de mar­ke­ting da Pa­na­so­nic. Pa­ra Mar­ce­lo Gon­çal­ves, di­re­tor de mar­ke­ting da Sony, a de­fi­ni­ção do ce­ná­rio po­lí­ti­co, que pro­me­te tra­zer um pou­co mais de tran­qui­li­da­de pa­ra a eco­no­mia, aju­da a le­var o con­su­mi­dor às com­pras.

A es­ti­ma­ti­va da GfK é que se­jam ven­di­das 11 mi­lhões de TVs nes­te ano, um avan­ço de qua­se 20% em re­la­ção a 2017. Até se­tem­bro, o va­re­jo ven­deu pou­co mais de 8 mi­lhões de uni­da­des.

Em ter­mos de tec­no­lo­gi­as, a de­man­da con­ti­nua em al­ta por apa­re­lhos de te­la gran­de, mo­de­los com re­so­lu­ção 4K e com co­ne­xão à in­ter­net. O de­sign e a qua­li­da­de do som tam­bém atra­em o con­su­mi­dor.

Na Sam­sung, um re­cur­so batizado de “mo­do am­bi­en­te” faz a TV “de­sa­pa­re­cer” da pa­re­de quan­do es­tá des­li­ga­da, diz Gustavo As­sun­ção, vi­ce-pre­si­den­te da fa­bri­can­te. O re­cur­so fun­ci­o­na co­mo um des­can­so de te­la, subs­ti­tuin­do a tra­di­ci­o­nal te­la pre­ta por uma ima­gem da pa­re­de on­de a TV es­tá ins­ta­la­da, pa­re­cen­do que é tu­do uma coi­sa só. A fa­bri­can­te pro­me­te que o con­su­mo de ele­tri­ci­da­de é bai­xo.

Na LG, o des­ta­que é o sis­te­ma de in­te­li­gên­cia ar­ti­fi­ci­al ThinQ, que per­mi­te con­tro­lar a TV por meio de co­man­do de voz em por­tu­guês. Dá, por exem­plo, pa­ra fa­zer pes­qui­sas de ou­tros fil­mes es­tre­la­dos por um ator ou atriz, ou pro­cu­rar a tri­lha so­no­ra do fil­me, diz Igor Krau­nis­ki, ge­ren­te da LG.

Com abor­da­gens dis­tin­tas, Sony, Semp TCL e Pa­na­so­nic des­ta­cam o som. A Sony trans­for­ma a su­per­fí­cie da TV em uma po­ten­te cai­xa de som. A Semp TCL ofe­re­ce um sis­te­ma de ho­me the­a­ter 7.1 as­si­na­do pe­la Har­mon Kar­don no mo­de­lo de 85 po­le­ga­das. Já a Pa­na­so­nic in­cor­po­rou à sua li­nha um re­cur­so de co­ne­xão sem fio blu­e­to­oth, que per­mi­te ou­vir mú­si­cas a par­tir de um ce­lu­lar, por exem­plo.

Do la­do da pro­du­ção, ao lon­go do ano, hou­ve uma re­vi­são nos nú­me­ros. De acor­do com Jo­sé Jor­ge do Nas­ci­men­to Júnior, pre­si­den­te da Ele­tros, as­so­ci­a­ção que reú­ne os fa­bri­can­tes de ele­tro­e­le­trô­ni­cos, a ex­pec­ta­ti­va ini­ci­al era de uma pro­du­ção de 12,5 mi­lhões de uni­da­des. Ago­ra, é de 11,5 mi­lhões.

“A gre­ve dos ca­mi­nho­nei­ros der­ru­bou o mer­ca­do e não se al­can­çou no­va­men­te o cres­ci­men­to por con­ta do cli­ma de in­cer­te­za no país”, diz. De acor­do com ele, a ca­pa­ci­da­de oci­o­sa da in­dús­tria, que fi­cou em 20% no pri­mei­ro se­mes­tre, ago­ra es­tá na fai­xa de 30% a 35% e o ní­vel de es­to­ques es­tá bai­xo. “O que foi pro­du­zi­do es­tá sen­do ven­di­do. As pro­gra­ma­ções es­tão sen­do atin­gi­das”, diz o pre­si­den­te da Ele­tros.

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