‘Ca­so Hu­awei’ ele­va a tensão EUA-Chi­na e agita mer­ca­dos

Valor Econômico - - PRIMEIRA PÁGINA -

A tensão nas re­la­ções en­tre as du­as mai­o­res eco­no­mi­as do mun­do au­men­tou on­tem de for­ma sig­ni­fi­ca­ti­va, com a notícia da pri­são, no Ca­na­dá — a pedido de au­to­ri­da­des ame­ri­ca­nas —, de Meng Wanzhou, di­re­to­ra fi­nan­cei­ra da Hu­awei e fi­lha de Ren Zheng­fei, fun­da­dor da com­pa­nhia chi­ne­sa, a mai­or do mun­do no setor de te­le­co­mu­ni­ca­ção.

A exe­cu­ti­va foi pre­sa den­tro de um avião, no sá­ba­do, dia do en­con­tro en­tre os pre­si­den­tes Do­nald Trump e Xi Jin­ping, em Bu­e­nos Ai­res, on­de acer­ta­ram uma tré­gua, por 90 di­as, na guer­ra co­mer­ci­al en­tre os dois paí­ses. Meng Wanzhou es­ta­ria sen­do pro­ces­sa­da, nos Es­ta­dos Uni­dos, sob a acu­sa­ção de que a Hu­awei e su­as sub­si­diá­ri­as te­ri­am ven­di­do equi­pa­men­to ame­ri­ca­no pa­ra o Irã, que es­tá sob san­ções econô­mi­cas dos EUA.

A pri­são pro­vo­cou um in­ci­den­te di­plo­má­ti­co e tur­bu­lên­cia nos mer­ca­dos in­ter­na­ci­o­nais. Na Ásia e na Europa, as que­das nas bol­sas de va­lo­res fo­ram acen­tu­a­das, mas nos EUA e nos de­mais mer­ca­dos do con­ti­nen­te ame­ri­ca­no os for­tes re­cu­os no iní­cio dos pre­gões fo­ram re­ver­ti­dos ao lon­go do dia, gra­ças a de­cla­ra­ções de três pre­si­den­tes de se­ções re­gi­o­nais do Fe­de­ral Re­ser­ve (Fed, o banco central dos EUA) su­ge­rin­do que a taxa de juros ame­ri­ca­na po­de até não su­bir na reu­nião do pró­xi­mo dia 19.

No pi­or mo­men­to do dia, o S&P 500 caiu 2,91%, o Dow Jo­nes ce­deu 3,14% e o Nas­daq, 2,43%. Es­se pon­to coin­ci­diu com o tom­bo das bol­sas na Europa, que nes­ta épo­ca do ano fe­cham quatro ho­ras e meia an­tes das ame­ri­ca­nas. No fim do dia, em Wall Stre­et, o que se viu foi o ín­di­ce S&P 500 com que­da de 0,15%, aos 2.695,95 pon­tos. O Dow Jo­nes ce­deu 0,32%, aos 24.947,67 pon­tos, e o Nas­daq Com­pos­to aca­bou fe­chan­do em al­ta de 0,42%, aos 7.188,26 pon­tos. No Brasil, o Ibo­ves­pa, prin­ci­pal ín­di­ce da bol­sa, che­gou a cair 2,26%, mas fe­chou em que­da de ape­nas 0,22%.

O ana­lis­ta ma­cro glo­bal da TS Lom­bard, Ste­ven Blitz, dis­se, em en­tre­vis­ta ao Va­lor, que os dois con­fli­tos têm na­tu­re­zas di­fe­ren­tes: um é o co­mer­ci­al, que se­gun­do o eco­no­mis­ta tem ca­mi­nha­do pa­ra uma re­so­lu­ção. O ou­tro é o da dis­pu­ta tec­no­ló­gi­ca, no qual os EUA acu­sam a Chi­na de “rou­bo”.

De acor­do com o es­pe­ci­a­lis­ta, no cur­to pra­zo, o epi­só­dio po­de res­pin­gar e até aba­lar a tré­gua co­mer­ci­al ob­ti­da na reu­nião do G-20, na Ar­gen­ti­na, mas “tra­ta-se mais de um ruí­do, que não vai in­flu­en­ci­ar du­ran­te mui­to tem­po o an­da­men­to das con­ver­sas so­bre o co­mér­cio en­tre os dois paí­ses”.

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