Bol­so­na­ro quer con­ces­são de mais seis blo­cos de ae­ro­por­tos até 2022

Valor Econômico - - BRASIL - Da­ni­el Ritt­ner e Ra­fa­el Bi­ten­court Pre­pa­rar pa­ra de­co­la­gem

A equi­pe do pre­si­den­te elei­to, Jair Bol­so­na­ro, já tem em mãos um ro­tei­ro pa­ra le­var adi­an­te as con­ces­sões de ae­ro­por­tos. O pla­no prevê du­as no­vas ro­da­das pa­ra trans­fe­rir 44 ter­mi­nais à ini­ci­a­ti­va pri­va­da. Es­te é o ta­ma­nho da re­de que ain­da fi­ca­rá sob con­tro­le da es­ta­tal In­fra­e­ro de­pois do pró­xi­mo lei­lão no setor, que foi pre­pa­ra­do pe­lo atu­al go­ver­no e es­tá agen­da­do pa­ra 15 de mar­ço.

Um de­se­nho ini­ci­al prevê a di­vi­são dos ae­ro­por­tos re­ma­nes­cen­tes em seis gran­des blo­cos re­gi­o­nais. A pri­mei­ra ro­da­da da ges­tão Bol­so­na­ro, com três blo­cos, ocor­re­ria em 2020. Uma se­gun­da ro­da­da, em 2021 ou em 2022, te­ria ou­tros três blo­cos e aca­ba­ria com a re­de de ter­mi­nais da In­fra­e­ro. Con­go­nhas (SP) e Santos Du­mont (RJ), as du­as “joi­as da co­roa”, es­tão na lista.

A ideia é apro­vei­tar o nú­me­ro ca­da vez menor de ae­ro­por­tos lu­cra­ti­vos da es­ta­tal pa­ra tor­ná-los “pu­xa­do­res” de ca­da blo­co, jun­to com ati­vos de­fi­ci­tá­ri­os, em um mo­de­lo cha­ma­do in­for­mal­men­te co­mo “fi­lé com os­so”. Prevê-se, ao to­do, in­ves­ti­men­tos pri­va­dos de qua­se R$ 10 bi­lhões na mo­der­ni­za­ção de pis­tas, pá­ti­os de ae­ro­na­ves e ter­mi­nais de pas­sa­gei­ros.

O blo­co Sul, com Cu­ri­ti­ba à fren­te, con­ta­ria com mais se­te ae­ro­por­tos: Foz do Igua­çu e Lon­dri­na (tam­bém no Pa­ra­ná), Join­vil­le e Na­ve­gan­tes (SC), Uru­guai­a­na, Pe­lo­tas e Ba­gé (RS). A mes­ma ro­da­da ofe­re­ce­ria se­te uni­da­des na re­gião Nor­te: Ma­naus, Rio Bran­co (AC), Porto Ve­lho (RO), Boa Vis­ta (RR), Cruzeiro do Sul (AC), Ta­ba­tin­ga (AM) e Te­fé (AM).

Tam­bém se­ria in­cluí­do, nes­sa ofer­ta, um pa­co­te de seis ae­ro­por­tos do cha­ma­do “clus­ter Central”: Goi­â­nia (GO), Pal­mas (TO), São Luís (MA), Te­re­si­na (PI), Pe­tro­li­na (PE) e Im­pe­ra­triz (MA).

Tra­ta-se, ob­vi­a­men­te, de um ma­pa ini­ci­al das pró­xi­mas con­ces­sões e ain­da su­jei­to a mu­dan­ças. Foi for­mu­la­do pe­lo Pro­gra­ma de Par­ce­ri­as de In­ves­ti­men­tos (PPI) e pe­la Se­cre­ta­ria de Avi­a­ção Civil (SAC). E es­tá em dis­cus­sões na equi­pe de tran­si­ção. O fu­tu­ro mi­nis­tro da In­fra­es­tru­tu­ra, Tar­cí­sio Go­mes de Frei­tas, é se­cre­tá­rio de co­or­de­na­ção de pro­je­tos do PPI e já de­cla­rou que apoia a pri­va­ti­za­ção gra­du­al de to­da a re­de.

Es­se ro­tei­ro foi apre­sen­ta­do às mai­o­res ope­ra­do­ras ae­ro­por­tuá­ri­as do pla­ne­ta na Glo­bal Air­port De­ve­lop­ment, uma fei­ra in­ter­na­ci­o­nal do setor, em Ham­bur­go (Ale­ma­nha). Fon­tes do mer­ca­do con­sul­ta­das pe­lo Va­lor, que ti­ve­ram aces­so à apre­sen­ta­ção e pe­di­ram pa­ra não ser iden­ti­fi­ca­das na re­por­ta­gem, dis­se­ram ter gos­ta­do do pla­no. A es­ti­ma­ti­va de in­ves­ti­men­tos é de US$ 2,5 bi­lhões.

Na se­gun­da ro­da­da, em 2021 ou em 2022 , es­tão os mais co­bi­ça­dos pe­lo mer­ca­do. Um blo­co São Paulo-Mato Gros­so do Sul te­ria quatro ae­ro­por­tos: Con­go­nhas, Cam­po Gran­de, Co­rum­bá e Pon­ta Po­rã. O Rio-Mi­nas con­ta­ria com cin­co ati­vos: Santos Du­mont, Pam­pu­lha, Uber­lân­dia, Ube­ra­ba e Mon­tes Cla­ros. Fi­nal­men­te, o “clus­ter Nor­te II” ofe­re­ce­ria cin­co ter­mi­nais no Pa­rá — Be­lém, Al­ta­mi­ra, Ma­ra­bá, Ca­ra­jás, San­ta­rém —, além de Ma­ca­pá (AP).

A ideia de­fen­di­da pe­lo PPI e pe­la SAC, em de­ba­te com a equi­pe de tran­si­ção, é pe­gar ain­da al­guns pe­que­nos ae­ro­por­tos da In­fra­e­ro e de­le­gar sua ope­ra­ção pa­ra Es­ta­dos ou municípios que já de­cla­ra­ram in­te­res­se em con­ce­dê-los. São os ca­sos de São Jo­sé dos Cam­pos (SP) e de Paulo Afon­so (BA). São ter­mi­nais que, na lei­tu­ra do atu­al go­ver­no e de seus in­ter­lo­cu­to­res na equi­pe de tran­si­ção, podem ser con­ce­di­dos pa­ra gru­pos me­no­res e com ex­per­ti­se pa­ra ad­mi­nis­trar pe­que­nos ati­vos de fo­co lo­cal.

A or­dem na equi­pe de tran­si­ção, en­tre­tan­to, é dis­cu­tir bas­tan­te es­se mo­de­lo com in­ves­ti­do­res e fi­car aber­to a aper­fei­ço­a­men­tos. O Tribunal de Con­tas da União (TCU) não deve ser im­pe­di­men­to. Na análise que fez do pró­xi­mo lei­lão, o ór­gão de con­tro­le elo­gi­ou as re­gras e a qua­li­da­de dos es­tu­dos apre­sen­ta­dos pe­lo go­ver­no. Um dos prin­ci­pais ide­a­li­za­do­res da li­ci­ta­ção em blo­cos re­gi­o­nais, po­rém, ain­da não tem pre­sen­ça ga­ran­ti­da na ges­tão Bol­so­na­ro. Tra­ta-se do se­cre­tá­rio de Avi­a­ção Civil, Da­rio Rais Lo­pes, um téc­ni­co res­pei­ta­do e com trân­si­to no mer­ca­do.

O cer­to é que a con­ti­nui­da­de dos lei­lões por blo­cos de­pen­de­rá, se­gun­do fon­tes da tran­si­ção, do su­ces­so da dis­pu­ta em mar­ço. A ex­pec­ta­ti­va é de pre­sen­ça das gi­gan­tes do setor nos três lo­tes ofe­re­ci­dos: Nor­des­te (Re­ci­fe, Ma­ceió, João Pes­soa, Ara­ca­ju, Ju­a­zei­ro do Nor­te e Cam­pi­na Gran­de), Su­des­te (Vi­tó­ria e Ma­caé) e Mato Gros­so (Cui­a­bá, Si­nop, Al­ta Flo­res­ta e Ron­do­nó­po­lis). O úl­ti­mo é con­si­de­ra­do o me­nos atra­ti­vo dos três.

A úni­ca ro­da­da de con­ces­sões de ae­ro­por­tos no go­ver­no Mi­chel Te­mer foi vis­ta por in­ves­ti­do­res co­mo um su­ces­so. Além de ter tra­zi­do pa­ra o país três pe­sos-pe­sa­dos (a ale­mã Fra­port, a fran­ce­sa Vin­ci e a suíça Zu­ri­ch), inau­gu­rou re­gras mais ami­gá­veis. A In­fra­e­ro dei­xou de ser só­cia obri­ga­tó­ria, com 49% de participação nas con­ces­si­o­ná­ri­as, e hou­ve mu­dan­ças no sis­te­ma de pa­ga­men­to das ou­tor­gas. As­sim, evi­tou-se a re­pe­ti­ção do pro­ble­ma cri­a­do com as pri­va­ti­za­ções fei­tas pe­la ex-pre­si­den­te Dil­ma Rous­seff.

Na úni­ca li­ci­ta­ção con­du­zi­da por Te­mer, fo­ram con­ce­di­dos os ae­ro­por­tos de For­ta­le­za, Sal­va­dor, Porto Ale­gre e Flo­ri­a­nó­po­lis. Di­fe­ren­te­men­te das ro­da­das an­te­ri­o­res, to­do o ágio da dis­pu­ta te­ve que ser pa­go à vis­ta. As­sim, es­ti­mu­la­va-se as em­pre­sas a ado­tar pos­tu­ra mais res­pon­sá­vel.

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