BofA Mer­rill Lyn­ch vê cres­ci­men­to de 3,5% em 2019

Valor Econômico - - BRASIL - Ser­gio La­muc­ci

A re­cu­pe­ra­ção da eco­no­mia bra­si­lei­ra vai se con­so­li­dar em 2019, le­van­do o PIB a cres­cer 3,5%, diz Da­vid Be­ker, che­fe de eco­no­mia e es­tra­té­gia do Bank of Ame­ri­ca (BofA) Mer­rill Lyn­ch no Brasil. Pa­ra ele, a ace­le­ra­ção da ati­vi­da­de se­rá am­pa­ra­da pe­lo avan­ço da agen­da de re­for­mas, co­mo a da Pre­vi­dên­cia, o que le­va­rá ao au­men­to da con­fi­an­ça e per­mi­ti­rá que os juros fi­quem baixos por mais tem­po, me­lho­ran­do as con­di­ções fi­nan­cei­ras. Pa­ra es­te ano, Be­ker es­ti­ma cres­ci­men­to de 1,5%.

“Es­tou oti­mis­ta, mas é um oti­mis­mo con­di­ci­o­na­do à im­ple­men­ta­ção da agen­da de re­for­mas”, afir­ma Be­ker. Se o no­vo go­ver­no se em­pe­nhar no avan­ço de me­di­das co­mo a mu­dan­ça do sis­te­ma de apo­sen­ta­do­ri­as, há con­di­ções pa­ra a eco­no­mia se ex­pan­dir a um rit­mo con­si­de­ra­vel­men­te mais for­te no ano que vem, acre­di­ta ele, ob­ser­van­do que o Brasil se­rá um dos pou­cos paí­ses em que o cres­ci­men­to vai ace­le­rar em 2019.

Na vi­são de Be­ker, o con­su­mo das famílias con­ti­nu­a­rá a ser o prin­ci­pal mo­tor da retomada no ano que vem. Pa­ra ele, o prin­ci­pal com­po­nen­te do PIB pe­lo la­do da de­man­da vai cres­cer 3,5% em 2019, rit­mo que é qua­se o do­bro do 1,8% es­pe­ra­do pa­ra es­te ano. A me­lho­ra gra­du­al do mer­ca­do de tra­ba­lho, o ce­ná­rio be­nig­no pa­ra a in­fla­ção e a re­cu­pe­ra­ção nos ín­di­ces de con­fi­an­ça de­vem ele­var a de­man­da e a ofer­ta de cré­di­to, im­pul­si­o­nan­do o con­su­mo pri­va­do.

Ele tam­bém acre­di­ta nu­ma ace­le­ra­ção expressiva do investimento, cu­ja taxa de ex­pan­são deve pas­sar de 4% nes­te ano pa­ra 8% no que vem. Be­ker diz que as em­pre­sas es­tão com um caixa ele­va­do e in­ves­ti­ram pouquís­si­mo nos úl­ti­mos anos. Com a re­cu­pe­ra­ção da con­fi­an­ça uma vez en­cer­ra­das as eleições, ele espera um sal­to nos in­ves­ti­men­tos des­ti­na­dos à ma­nu­ten­ção do es­to­que de ca­pi­tal.

Be­ker res­sal­ta a me­lho­ra da cur­va de juros, que ti­nha fi­ca­do mui­to in­cli­na­da de­vi­do às in­cer­te­zas elei­to­rais. A que­da dos juros fu­tu­ros e a pers­pec­ti­va de que es­sas ta­xas fi­quem com­por­ta­das no ano que vem de­vem es­ti­mu­lar a eco­no­mia. O câm­bio ten­de a fi­car com­por­ta­do, ava­lia Be­ker, pro­je­tan­do um dó­lar a R$ 3,60 no fim de 2019. As con­di­ções fi­nan­cei­ras, com is­so, es­ti­mu­la­rão a ati­vi­da­de.

Ele es­ti­ma que a Se­lic su­bi­rá pou­co no ano que vem, fe­chan­do 2019 em 7% ao ano. Ho­je, es­tá em 6,5%. Pa­ra Be­ker, o ce­ná­rio pa­ra a in­fla­ção é be­nig­no. O Ín­di­ce de Pre­ços ao Con­su­mi­dor Am­plo (IPCA) deve fe­char 2018 em 3,7% e 2019 em 4,2%, em li­nha com a me­ta do ano que vem, de 4,25%. Ele des­ta­ca que os pre­ços de ser­vi­ços e os nú­cle­os de in­fla­ção (que bus­cam eli­mi­nar ou re­du­zir a in­fluên­cia dos itens mais vo­lá­teis) mos­tram uma “di­nâ­mi­ca be­nig­na”, da­da a gran­de oci­o­si­da­de na eco­no­mia.

As con­tas ex­ter­nas de­vem con­ti­nu­ar tran­qui­las. Be­ker espera que o dé­fi­cit em con­ta cor­ren­te au­men­te de 0,8% do PIB nes­te ano pa­ra 1,8% do PIB no ano que vem, num ce­ná­rio em que o mai­or cres­ci­men­to da de­man­da do­més­ti­ca co­lo­ca­rá pres­sões so­bre as im­por­ta­ções e tam­bém so­bre a balança de ser­vi­ços e ren­das. Mas não ha­ve­rá di­fi­cul­da­des pa­ra fi­nan­ci­ar es­se rom­bo, diz Be­ker, que pro­je­ta flu­xo de US$ 80 bi­lhões de in­ves­ti­men­tos es­tran­gei­ros di­re­tos no país (IDP) em 2019, o equi­va­len­te a 3,9% do PIB, mais que os US$ 60 bi­lhões des­te ano, ou 3,2% do PIB.

Be­ker no­ta que a in­fla­ção e os juros es­tão baixos, o cres­ci­men­to es­tá vol­tan­do, o dé­fi­cit ex­ter­no é bai­xo e as em­pre­sas e famílias re­du­zi­ram os seus ní­veis de en­di­vi­da­men­to. “Há um fun­da­men­to pro­ble­má­ti­co, que é o fis­cal.” O en­ca­mi­nha­men­to da dis­cus­são so­bre o ajuste das con­tas pú­bli­cas, se con­cre­ti­za­do, vai con­tri­buir pa­ra “um ci­clo mais vir­tu­o­so”, afir­ma Be­ker, en­fa­ti­zan­do a im­por­tân­cia de apro­va­ção da re­for­ma da Pre­vi­dên­cia. “Pa­ra es­se ci­clo se ma­te­ri­a­li­zar, o no­vo go­ver­no te­rá que en­tre­gar [a agen­da de re­for­mas]. A par­te das idei­as vai bem, obri­ga­do. Mas em 2019 vem a con­ta”, diz ele, que vê es­se ce­ná­rio po­si­ti­vo co­mo fac­tí­vel.

Ele pro­je­ta um dé­fi­cit pri­má­rio (que ex­clui gastos com juros) de 1,8% do PIB nes­te ano e de 1,7% do PIB no ano que vem, ava­li­an­do que o nú­me­ro de 2019 po­de ser menor, de 1,5% do PIB. Is­so vai de­pen­der das re­cei­tas ex­tra­or­di­ná­ri­as que o go­ver­no ob­ti­ver, co­mo as do lei­lão de con­ces­são das áre­as da ces­são one­ro­sa fei­ta à Pe­tro­bras. A dí­vi­da bru­ta deve su­bir de 76,7% do PIB nes­te ano pa­ra 77,5% a 78% do PIB no ano que vem, es­ti­ma Be­ker.

Ele rei­te­ra que o Brasil po­de se di­fe­ren­ci­ar en­tre os emer­gen­tes em 2019. O cres­ci­men­to vai ace­le­rar e a ex­pec­ta­ti­va é fa­vo­rá­vel pa­ra os lu­cros das em­pre­sas. Se­gun­do ele, os ga­nhos em dó­la­res das com­pa­nhi­as bra­si­lei­ras de­vem ser os mai­o­res en­tre os emer­gen­tes em 2019, su­bin­do 22%, aci­ma dos 21% na Ín­dia, 17% na Áfri­ca do Sul, 16% no Mé­xi­co e no Chi­le e 14% na Chi­na.

SIL­VIA COSTANTI/VA­LOR

Da­vid Be­ker: oti­mis­mo con­di­ci­o­na­do à im­ple­men­ta­ção da agen­da de re­for­mas

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