Lei­lão da Ama­zo­nas Ener­gia re­ce­be ao me­nos uma ofer­ta

Valor Econômico - - | EMPRESAS INFRAESTRUTURA - Ener­gia Ca­mi­la Maia

A Ele­tro­bras po­de en­cer­rar um ca­pí­tu­lo com­pli­ca­do da sua his­tó­ria na se­gun­da-fei­ra, qu­an­do espera-se que te­nha su­ces­so na pri­va­ti­za­ção da dis­tri­bui­do­ra Ama­zo­nas Ener­gia, de lon­ge seu ati­vo mais pro­ble­má­ti­co. On­tem, ao me­nos uma ofer­ta foi apre­sen­ta­da pe­la com­pa­nhia, apu­rou o Va­lor.

Se­gun­do uma fon­te, a Oliveira Ener­gia, tra­di­ci­o­nal na atu­a­ção de ge­ra­ção de ener­gia nos sis­te­mas iso­la­dos, apre­sen­tou proposta pe­la dis­tri­bui­do­ra do Ama­zo­nas. No fim de agos­to, a Oliveira Ener­gia ar­re­ma­tou a Boa Vis­ta, con­ces­si­o­ná­ria de dis­tri­bui­ção de ener­gia de Ro­rai­ma. Em­bo­ra não te­nha experiência no setor de dis­tri­bui­ção de ener­gia, a Oliveira es­tá sen­do as­ses­so­ra­da por no­mes for­tes no setor elé­tri­co, co­mo a con­sul­to­ria Thy­mos Ener­gia e o exe­cu­ti­vo Flá­vio De­cat, ex-pre­si­den­te de Fur­nas, que foi con­tra­ta­do pa­ra ela­bo­rar a es­tra­té­gia do gru­po.

O lei­lão da Ama­zo­nas Ener­gia acontece na se­gun­da-fei­ra, às 17h. Se­gun­do fon­tes, a Ad­vo­ca­cia-Ge­ral da União (AGU) es­tá de plan­tão aten­ta pa­ra li­mi­na­res ou ou­tras me­di­das que pos­sam im­pe­dir a re­a­li­za­ção do cer­ta­me.

Além da Oliveira Ener­gia, ha­via ex­pec­ta­ti­va no mer­ca­do que a Equa­to­ri­al, que tem a con­ces­são vi­zi­nha do Pa­rá, tam­bém fi­zes­se ofer­ta pe­la com­pa­nhia.

A vi­a­bi­li­da­de fi­nan­cei­ra da ope­ra­ção da dis­tri­bui­do­ra de­pen­de da Me­di­da Pro­vi­só­ria (MP) 855, e de­cre­to re­gu­la­men­tan­do sua va­li­da­de já foi pu­bli­ca­do. A Agên­cia Na­ci­o­nal de Ener­gia Elé­tri­ca (Ane­el) já as­se­gu­rou que se­rá pos­sí­vel fa­zer os ajus­tes re­gu­la­tó­ri­os na con­ces­são den­tro do pra­zo de va­li­da­de da MP, mes­mo que es­ta não seja con­ver­ti­da em lei. A ideia é dar a mai­or se­gu­ran­ça jurídica pos­sí­vel ao cer­ta­me.

Mes­mo que ela seja re­jei­ta­da pe­lo Con­gres­so, a ava­li­a­ção das áre­as ju­rí­di­cas do go­ver­no (e de es­cri­tó­ri­os con­tra­ta­dos por in­te­res­sa­dos na aqui­si­ção) é que a as­si­na­tu­ra do contrato com ba­se nas al­te­ra­ções da MP da­rá ori­gem a um cha­ma­do ato ju­rí­di­co per­fei­to.

Se­gun­do fon­tes, o se­na­dor Edu­ar­do Bra­ga (MDB-AM) es­tá se mo­vi­men­tan­do nos bastidores pa­ra ten­tar sus­pen­der o lei­lão ou afastar in­te­res­sa­dos, sob o re­ceio de que po­de­rá in­vi­a­bi­li­zar a as­si­na­tu­ra do contrato de con­ces­são. A AGU, por sua vez, es­tá con­fi­an­te na ro­bus­tez de su­as te­ses e não te­me a atu­a­ção de Bra­ga nos bastidores pa­ra der­ru­bar a tran­sa­ção.

O se­na­dor foi o prin­ci­pal res­pon­sá­vel pe­la re­jei­ção do pro­je­to de lei que vi­a­bi­li­za­va a ope­ra­ção fi­nan­cei­ra da dis­tri­bui­do­ra no co­me­ço de ou­tu­bro, sob o ar­gu­men­to de que a pri­va­ti­za­ção da dis­tri­bui­do­ra iria au­men­tar a ta­ri­fa da ener­gia no Es­ta­do.

O edi­tal do lei­lão, no en­tan­to, de­ter­mi­na que o vencedor se­rá aque­le que der o mai­or des­con­to em re­la­ção à fle­xi­bi­li­za­ção das per­das não téc­ni­cas (por rou­bos) e so­bre re­cur­sos de fun­dos se­to­ri­ais que a dis­tri­bui­do­ra te­ria di­rei­to a re­ce­ber na re­vi­são ta­ri­fá­ria. Na prá­ti­ca, sig­ni­fi­ca que, pa­ra ven­cer, a em­pre­sa pre­ci­sa­rá abrir mão de par­te da ren­ta­bi­li­da­de do ne­gó­cio, com ga­nho di­re­to nas ta­ri­fas.

Além dis­so, há uma obri­ga­ção de investimento ele­va­do na dis­tri­bui­do­ra atre­la­do ao cer­ta­me, a fim de ga­ran­tir a me­lho­ra na qua­li­da­de do ser­vi­ço pres­ta­do.

Ou­tro pon­to re­le­van­te a fa­vor da pri­va­ti­za­ção é o fa­to de que, se a ven­da não acon­te­cer, a dis­tri­bui­do­ra se­rá liqüi­da­da, de­mi­tin­do to­dos os fun­ci­o­ná­ri­os e rom­pen­do con­tra­tos com for­ne­ce­do­res. O cus­to des­sa li­qui­da­ção é es­ti­ma­do em R$ 16 bi­lhões, e há uma dis­cus­são jurídica se a con­ta se­ria paga pe­la Ele­tro­bras ou pe­la União.

Ao atu­ar pa­ra bar­rar a apro­va­ção do pro­je­to de lei em ou­tu­bro, Bra­ga im­pe­diu ain­da uma solução pa­ra a ques­tão do ris­co hi­dro­ló­gi­co (GSF).

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