No­vo go­ver­no es­tu­da fun­dir Su­sep e Pre­vic

Valor Econômico - - FINANÇAS - Ed­na Si­mão e Fa­bio Gra­ner

A equi­pe do no­vo mi­nis­tro da Eco­no­mia, Paulo Gu­e­des, pre­ten­de fun­dir a Su­pe­rin­ten­dên­cia de Se­gu­ros Pri­va­dos (Su­sep) e a Su­pe­rin­ten­dên­cia Na­ci­o­nal de Pre­vi­dên­cia Com­ple­men­tar (Pre­vic) co­mo for­ma de re­du­zir o ta­ma­nho do go­ver­no e, des­sa for­ma, di­mi­nuir gastos ao im­pe­dir so­bre­po­si­ções de fun­ções. Se­gun­do es­tu­dos da equi­pe de tran­si­ção, tam­bém de­vem se unir as Es­co­la Na­ci­o­nal de Ad­mi­nis­tra­ção Pú­bli­ca (Enap) e a Es­co­la de Ad­mi­nis­tra­ção Fa­zen­dá­ria (Esaf).

No ca­so da Su­sep e da Pre­vic, as du­as au­tar­qui­as, li­ga­das ao Mi­nis­té­rio da Fa­zen­da, atu­am na im­ple­men­ta­ção de me­di­das, con­tro­le e fis­ca­li­za­ção de pla­nos de pre­vi­dên­cia. A Su­sep cui­da dos mer­ca­dos de seguro, pre­vi­dên­cia pri­va­da aber­ta e ca­pi­ta­li­za­ção de res­se­gu­ro. Já o fo­co da Pre­vic são os fun­dos de pen­são.

Nes­te ano, por exem­plo, a Pre­vic realizou mu­dan­ças nas re­gras dos fun­dos de pen­são pa­ra for­ta­le­cer a go­ver­nan­ça des­sas en­ti­da­des. Um dos ob­je­ti­vos era atu­ar nas re­gras de con­fli­to de in­te­res­se na apro­va­ção de in­ves­ti­men­tos, um dos te­mas que es­te­ve em evi­dên­cia de­pois de episódios co­mo a in­ter­ven­ção e as ope­ra­ções po­li­ci­ais en­vol­ven­do o Pos­ta­lis, dos Cor­rei­os.

A equi­pe de tran­si­ção tam­bém che­gou a con­si­de­rar a pos­si­bi­li­da­de de in­cluir a Agên­cia Na­ci­o­nal de Saúde Su­ple­men­tar (ANS) na jun­ção pa­ra criar uma “su­per” agên­cia re­gu­la­do­ra da se­gu­ri­da­de so­ci­al. Nos bastidores, se fa­la­va até no no­me de So­lan­ge Pai­va, que já foi di­re­to­ra­pre­si­den­te da Agên­cia Na­ci­o­nal de Avi­a­ção Civil (Anac).

Na ava­li­a­ção de al­guns téc­ni­cos na área de pre­vi­dên­cia, es­sa proposta se­ria mais di­fí­cil de ser ado­ta­da por não ha­ver mui­tas áre­as co­muns, con­for­me téc­ni­cos, en­tre Pre­vic, Su­sep e ANS. Uma área ci­ta­da co­mum é a de análise atu­a­ri­al dos pla­nos de saúde.

Ou­tra me­di­da dis­cu­ti­da pa­ra re­du­zir es­tru­tu­ras den­tro do go­ver­no foi trans­fe­rir as atri­bui­ções da Su­sep e Pre­vic pa­ra o Banco Central (BC). Mas, al­guns de­fen­dem que a au­to­ri­da­de mo­ne­tá­ria man­te­nha o es­co­po de atu­a­ção ape­nas nas ins­ti­tui­ções fi­nan­cei­ras.

A equi­pe de Paulo Gu­e­des tam­bém pen­sa em fun­dir a Esaf e Enap. Com a jun­ção de Mi­nis­té­rio do Pla­ne­ja­men­to com Fa­zen­da no pró­xi­mo ano, as es­co­las cri­a­das pa­ra for­ne­cer cur­sos de ca­pa­ci­ta­ção pa­ra os ser­vi­do­res pú­bli­cos fe­de­rais se­rão che­fi­a­das pe­la pas­ta de Gu­e­des. Ho­je, ape­nas a Enap es­tá li­ga­da o Mi­nis­té­rio do Pla­ne­ja­men­to.

A Enap tem co­mo ob­je­ti­vo de­sen­vol­ver com­pe­tên­ci­as de ser­vi­do­res pú­bli­cos pa­ra au­men­tar a ca­pa­ci­da­de de go­ver­no na ges­tão de po­lí­ti­cas pú­bli­cas. Já a Esaf é res­pon­sá­vel pe­los cur­sos, trei­na­men­tos e ca­pa­ci­ta­ção, além da or­ga­ni­za­ção de con­cur­sos pú­bli­cos, da Ad­mi­nis­tra­ção Tri­bu­tá­ria e Adu­a­nei­ra da União.

As­sim que as­su­miu à pre­si­dên­cia da Re­pú­bli­ca, Mi­chel Te­mer fez uma re­for­ma ad­mi­nis­tra­ti­va pa­ra di­mi­nuir o nú­me­ro de mi­nis­té­ri­os e de car­gos co­mis­si­o­na­dos. Mas as mu­dan­ças não fo­ram tão gran­des co­mo as pro­pos­tas pe­lo go­ver­no elei­to. Com a re­for­ma ad­mi­nis­tra­ti­va, o pre­si­den­te elei­to Jair Bol­so­na­ro pre­ten­de re­du­zir os atu­ais 29 mi­nis­té­ri­os pa­ra 22, se­te além dos 15 pro­me­ti­dos du­ran­te a cam­pa­nha elei­to­ral.

So­men­te o Mi­nis­té­rio da Eco­no­mia, por exem­plo, vai agre­gar fun­ções dos mi­nis­té­ri­os do Pla­ne­ja­men­to e In­dús­tria, Co­mér­cio Ex­te­ri­or e Ser­vi­ços, além de al­gu­mas atri­bui­ções da pas­ta do Tra­ba­lho (FGTS e fis­ca­li­za­ção).

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