Oci­o­si­da­de ele­va­da na eco­no­mia ga­ran­te in­fla­ção do­ma­da

Valor Econômico - - BRASIL - Aná­li­se Ser­gio La­muc­ci Com­por­ta­men­to be­nig­no

São Pau­lo

O re­sul­ta­do do Ín­di­ce Na­ci­o­nal de Pre­ços ao Con­su­mi­dor Am­plo (IPCA) em 2018 mos­trou uma in­fla­ção do­ma­da, refletindo em boa par­te uma eco­no­mia com gran­de oci­o­si­da­de de re­cur­sos, em que a ta­xa de de­sem­pre­go ain­da é mui­to ele­va­da — de 11,6% no tri­mes­tre en­cer­ra­do em no­vem­bro, o equi­va­len­te a 12,2 mi­lhões de pes­so­as. O IPCA te­ve al­ta de 3,75% no ano pas­sa­do, mais que os 2,95% de 2017, mas con­si­de­ra­vel­men­te abai­xo da me­ta de 4,5%. Em de­zem­bro, o IPCA avan­çou 0,15%, a me­nor va­ri­a­ção pa­ra o mês des­de 1994, ain­da que te­nha fi­ca­do um pou­co aci­ma da mé­dia das pro­je­ções dos ana­lis­tas con­sul­ta­dos pe­lo Va­lor Da­ta, de 0,12%.

A in­fla­ção de ser­vi­ços e as me­di­das de nú­cleo (que bus­cam eli­mi­nar ou re­du­zir a in­fluên­cia dos itens mais vo­lá­teis) fi­ca­ram ex­tre­ma­men­te com­por­ta­das em 2018, com va­ri­a­ção con­si­de­ra­vel­men­te in­fe­ri­or ao do ín­di­ce “cheio”. Os pre­ços li­vres, de­ter­mi­na­dos pe­lo mer­ca­do, su­bi­ram ape­nas 2,91%, en­quan­to os pre­ços ad­mi­nis­tra­dos (co­mo ta­ri­fas de ser­vi­ços pú­bli­cos e ga­so­li­na) avan­ça­ram 6,22%. No acu­mu­la­do do ano, a ener­gia elé­tri­ca su­biu 8,7%, e a ga­so­li­na, 7,24%.

Nos úl­ti­mos me­ses, po­rém, es­ses itens têm re­gis­tra­do um com­por­ta­men­to be­nig­no. Em de­zem­bro, os pre­ços ad­mi­nis­tra­dos caí­ram 0,89%, com que­da de 1,96% da ener­gia elé­tri­ca e 4,8% da ga­so­li­na.

O efei­to da len­ta re­cu­pe­ra­ção da eco­no­mia, num qua­dro de gran­de oci­o­si­da­de, fi­ca evi­den­te no com­por­ta­men­to dos nú­cle­os da in­fla­ção. O IPCA EX 2, que reú­ne ali­men­tos, ser­vi­ços e bens in­dus­tri­ais mais sen­sí­veis ao ci­clo econô­mi­co, te­ve al­ta de ape­nas 2,2% em 2018, abai­xo até mes­mo do pi­so da ban­da de to­le­rân­cia da me­ta, de 3%, se­gun­do nú­me­ros da MCM Consultores As­so­ci­a­dos.

A mé­dia de se­te me­di­das de nú­cleo, por sua vez, su­biu 2,79% no ano pas­sa­do, de acor­do com cál­cu­los da MCM. Em de­zem­bro, po­rém, hou­ve ace­le­ra­ção da va­ri­a­ção dos nú­cle­os. A al­ta foi de 0,39%, aci­ma do 0,05% de no­vem­bro. Não pa­re­ce, con­tu­do, al­go pre­o­cu­pan­te. A in­fla­ção de ser­vi­ços, por sua vez, ter­mi­nou 2018 com au­men­to de 3,34%. Em de­zem­bro, hou­ve ele­va­ção mais for­te, de 0,62%.

O ín­di­ce de di­fu­são, que mos­tra o per­cen­tu­al de itens em al­ta no mês, pas­sou de 54,6% em no­vem­bro pa­ra 61,1% em de­zem­bro. É um nú­me­ro bas­tan­te pró­xi­mo da mé­dia his­tó­ri­ca, de 61,8%, apon­tam os nú­me­ros da MCM.

A in­fla­ção de 2018 te­ria si­do ain­da mais bai­xa se não fos­se o efei­to da gre­ve dos ca­mi­nho­nei­ros, pa­ra­li­sa­ção ini­ci­a­da em 21 de maio, com du­ra­ção de 11 di­as. O even­to pres­si­o­nou os pre­ços de ju­nho, le­van­do o IPCA da­que­le mês a fe­char em al­ta de 1,26%, um pon­to fo­ra da cur­va num ano mar­ca­do por um qua­dro in­fla­ci­o­ná­rio be­nig­no. Nas con­ta do eco­no­mis­ta Fa­bio Ro­mão, da LCA Consultores, a gre­ve acres­cen­tou cer­ca de 0,5 pon­to per­cen­tu­al à in­fla­ção de 2018, ou se­ja, sem ela, IPCA te­ria fi­ca­do na ca­sa de 3,25%.

O gru­po de ali­men­ta­ção e be­bi­das te­ve uma ace­le­ra­ção con­si­de­rá­vel em 2018. Su­biu 4,04%, de­pois de re­gis­trar uma de­fla­ção de 1,87% em 2017. No en­tan­to, a al­ta do ano pas­sa­do fi­cou bas­tan­te abai­xo da mé­dia ob­ser­va­da en­tre 2007 e 2016. Nes­ses dez anos, a in­fla­ção anu­al de ali­men­ta­ção e be­bi­das foi de qua­se 9%.

O IPCA bai­xo de 2018 te­rá um efei­to fa­vo­rá­vel so­bre o in­di­ca­dor des­te ano, por cau­sa do efei­to da inér­cia, o fenô­me­no pe­lo qual a in­fla­ção pas­sa­da ali­men­ta a in­fla­ção fu­tu­ra. Is­so de­ve aju­dar a man­ter o IPCA nu­ma tra­je­tó­ria com­por­ta­da em 2019, ano em que a me­ta per­se­gui­da pe­lo Ban­co Cen­tral (BC) é de 4,25%. A me­di­a­na das pro­je­ções dos ana­lis­tas con­sul­ta­dos pe­lo BC apon­ta pa­ra um IPCA de 4,01% nes­te ano.

O que os eco­no­mis­tas es­pe­ram

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