Fa­vo­ri­tos, Re­nan e Maia tra­ba­lham jun­tos em dis­pu­tas no Le­gis­la­ti­vo

Valor Econômico - - POLÍTICA - Vand­son Li­ma e Mar­ce­lo Ribeiro

No­mes mais for­tes nas dis­pu­tas pe­las pre­si­dên­ci­as da Câ­ma­ra dos De­pu­ta­dos e do Se­na­do, o de­pu­ta­do Ro­dri­go Maia (DEM-RJ) e o se­na­dor Re­nan Ca­lhei­ros (MDB-AL) es­tão em sintonia. Há me­ses tro­cam in­for­ma­ções so­bre os ce­ná­ri­os das elei­ções ao co­man­do do Le­gis­la­ti­vo e têm se aju­da­do mu­tu­a­men­te. Re­nan re­ce­beu Maia em um jan­tar no fim do ano pas­sa­do, em sua re­si­dên­cia em Bra­sí­lia.

Atri­bui-se ao con­se­lho do se­na­dor al­guns mo­vi­men­tos fei­tos por Maia a par­tir da­li: ele se apro­xi­mou do PSL e com eles fe­chou ali­an­ça, em de­tri­men­to do PP. Al­go que agra­dou mui­to Re­nan, já que o prin­ci­pal ri­val de Maia é o ho­mem for­te do PP da Câ­ma­ra, Arthur Li­ra, ini­mi­go po­lí­ti­co do eme­de­bis­ta em Ala­go­as. Re­nan tam­bém pro­cu­rou o de­pu­ta­do Fá­bio Ra­ma­lho (MG), seu cor­re­li­gi­o­ná­rio de MDB, a fim de in­flu­en­ciá-lo a de­sis­tir de concorrer à pre­si­dên­cia da Câ­ma­ra. Se­gun­do in­ter­lo­cu­to­res, Re­nan dis­se a Ra­ma­lho que, se ele insistir na can­di­da­tu­ra, o MDB po­de fi­car sem re­pre­sen­ta­ção na Me­sa Di­re­to­ra. A ban­ca­da da si­gla di­mi­nuiu de 66 elei­tos em 2014 pa­ra 34 em 2018, cain­do de se­gun­da pa­ra quar­ta ban­ca­da. “Não é ho­ra de dis­pu­tar, é ho­ra de com­por. Vo­cê quer que o MDB fi­que sem na­da?”, te­ria di­to Re­nan a Ra­ma­lho.

Já Maia não po­de fa­zer ges­tos tão elo­quen­tes em fa­vor de Re­nan – a lei­tu­ra é que is­so pre­ju­di­ca­ria sua can­di­da­tu­ra, ho­je fa­vo­ri­ta, nos acor­dos com o PSL. Mas o se­na­dor con­ta com o au­xí­lio de Maia pa­ra fa­zer a ca­be­ça do DEM no Sa­lão Azul, prin­ci­pal­men­te nos vo­tos de no­vos se­na­do­res, que eram de­pu­ta­dos na le­gis­la­tu­ra pas­sa­da e so­bre os quais Maia exer­ce­ria in­fluên­cia, co­mo Mar­cos Ro­gé­rio (RO) e Ro­dri­go Pa­che­co (MG).

O la­ço en­tre Maia e Re­nan, que se fa­lam se­ma­nal­men­te, já exis­te des­de ju­lho de 2016, quan­do Maia ven­ceu a elei­ção na Câ­ma­ra e eles fo­ram pre­si­den­tes jun­tos até o fim da­que­le ano, quan­do Re­nan pas­sou o bas­tão pa­ra Eu­ní­cio Oli­vei­ra (MDB-CE). À épo­ca, Re­nan de­cla­rou: “de­pois da vi­tó­ria do Al­do Rebelo [ami­go de Re­nan e que co­man­dou a Câ­ma­ra de 2005 a 2007] eu ti­ve, tal­vez, a mi­nha mai­or sa­tis­fa­ção com a elei­ção de um pre­si­den­te da Câ­ma­ra com Ro­dri­go”.

Maia to­mou pos­se em subs­ti­tui­ção a ou­tro ini­mi­go de­cla­ra­do de Re­nan: o ex-de­pu­ta­do Edu­ar­do Cu­nha (MDB-RJ), que es­tá pre­so até ho­je.

A de­ci­são do mi­nis­tro Di­as Tof­fo­li, do Su­pre­mo Tri­bu­nal Fe­de­ral (STF), que man­te­rá as elei­ções na Câ­ma­ra e no Se­na­do com vo­to fe­cha­do, foi vis­ta por par­la­men­ta­res da ba­se go­ver­nis­ta e da opo­si­ção con­sul­ta­dos pe­lo Va­lor co­mo uma vi­tó­ria enor­me pa­ra Re­nan. “Pre­ci­sa­ria sur­gir uma al­ter­na­ti­va mui­to cla­ra, um ver­da­dei­ro con­sen­so, pa­ra fa­zer fren­te a ele. E is­to não es­tá no ho­ri­zon­te”, ad­mi­te uma fon­te do PSL. Dos no­mes até ago­ra co­gi­ta­dos pa­ra a dis­pu­ta com Re­nan no Se­na­do, Ma­jor Olím­pio (PSL-SP) é no­va­to na Ca­sa, ci­o­sa de su­as tra­di­ções; Davi Al­co­lum­bre (DEM-AP) te­rá de es­co­lher en­tre pre­si­dir os tra­ba­lhos da elei­ção, já que é o úni­co re­ma­nes­cen­te da me­sa-di­re­to­ra pas­sa­da, ou pas­sar a fun­ção jus­ta­men­te a um ali­a­do de Re­nan, o se­na­dor Jo­sé Ma­ra­nhão (MDB-PB). E Tasso Je­reis­sa­ti (PSDB-CE) se­quer tem se mo­vi­men­ta­do – ele es­tá em vi­a­gem no ex­te­ri­or.

En­quan­to is­so, Re­nan tem tra­ba­lha­do fre­ne­ti­ca­men­te: es­tá em Bra­sí­lia to­da se­ma­na, faz reu­niões e li­ga­ções to­dos di­as a se­na­do­res de to­das as si­glas. Na se­gun­da-fei­ra, jan­tou com Ci­ro No­guei­ra, pre­si­den­te do PP. E tem an­ga­ri­a­do apoi­os mes­mo à luz do dia. Ká­tia Abreu (PDT-TO) e seu fi­lho Ira­já (PSD-TO) vo­ta­rão em Re­nan in­de­pen­den­te­men­te da po­si­ção de seus par­ti­dos, por exem­plo.

Mes­mo ca­so de Jo­sé Ser­ra (PSDB-SP), mas es­te com uma mo­ti­va­ção a mais. Ser­ra quer pre­si­dir a Co­mis­são de As­sun­tos Econô­mi­cos (CAE). Te­rá to­tal aval de Re­nan se elei­to. Mas o eme­de­bis­ta só po­de ga­ran­tir o pos­to an­te um acor­do de pro­por­ci­o­na­li­da­de dos par­ti­dos. O PSDB te­rá a se­gun­da mai­or ban­ca­da, de­pois do MDB de Re­nan.

Com apoio de 12 par­ti­dos pa­ra sua re­e­lei­ção, Maia apos­ta na dis­si­dên­cia den­tro do PP e do MDB pa­ra ten­tar ven­cer a dis­pu­ta já no pri­mei­ro tur­no. Mes­mo ten­do dis­pen­sa­do o apoio dos pe­tis­tas na quar­ta-fei­ra, o par­la­men­tar do DEM acre­di­ta que con­se­gui­rá con­quis­tar al­guns vo­tos pe­tis­tas. Nos úl­ti­mos di­as, Maia já con­quis­tou o apoio de DEM, Avan­te, So­li­da­ri­e­da­de, PSL, PSD, PR, PRB, PSDB, Po­de­mos, PPS, PROS e PSC. Con­si­de­ran­do os de­pu­ta­dos elei­tos em 2018, as si­glas con­tam com 262 dos 513 par­la­men­ta­res. Pa­ra ser elei­to em pri­mei­ro tur­no, são ne­ces­sá­ri­os 257 vo­tos. Co­mo a vo­ta­ção da elei­ção ao co­man­do da Ca­sa é se­cre­ta, não há a ga­ran­tia de vo­to em blo­co nas si­glas, já que há es­pa­ço pa­ra trai­ções à ori­en­ta­ção das li­de­ran­ças dos par­ti­dos.

Ain­da que con­si­de­re a pos­si­bi­li­da­de de al­guns par­la­men­ta­res do PP e do MDB o apoi­a­rem, Maia ad­mi­tiu a in­ter­lo­cu­to­res es­tar pre­o­cu­pa­do com as ar­ti­cu­la­ções do lí­der do PP na Câ­ma­ra, Arthur Li­ra (AL), pa­ra com­por uma can­di­da­tu­ra pa­ra­le­la. Mem­bros da ban­ca­da do PSB si­na­li­za­ram que po­dem in­te­grar o gru­po en­ca­be­ça­do por Li­ra. O mar­te­lo de­ve ser ba­ti­do em con­jun­to com o PDT e o PC­doB, o que po­de acon­te­cer na pró­xi­ma se­ma­na. A ali­a­dos, Maia re­co­nhe­ceu que a “ha­bi­li­da­de po­lí­ti­ca” do lí­der do PP po­de le­var a dis­pu­ta pe­la prin­ci­pal ca­dei­ra da Me­sa Di­re­to­ra pa­ra um se­gun­do tur­no.

Li­ra tem vi­a­ja­do pa­ra con­se­guir apoio de par­ti­dos da opo­si­ção, co­mo PT, PDT, PSB e PC­doB, e do MDB, do PTB e do PSC. As le­gen­das que se opõem ao go­ver­no do pre­si­den­te Jair Bol­so­na­ro de­sis­ti­ram de apoi­ar Maia após o pre­si­den­te da Câ­ma­ra re­ce­ber o su­por­te do PSL pa­ra ser re­con­du­zi­do ao co­man­do da Ca­sa.

GIVALDO BAR­BO­SA/AGÊN­CIA O GLO­BO

Re­nan: se­na­dor atua na Câ­ma­ra pa­ra de­ses­ti­mu­lar ri­vais de Maia a de­sa­fiá-lo na dis­pu­ta pe­lo co­man­do da Ca­sa

RUY BA­RON/VA­LOR

Ro­dri­go Maia: pre­si­den­te da Câ­ma­ra ten­ta di­vi­dir MDB e PP pa­ra con­se­guir vi­tó­ria ain­da no pri­mei­ro tur­no

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