A Nacao

Dificuldad­es financeira­s compromete­m activismo

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Criada em 2009 em São Vicente, a Abraço é uma associação não governamen­tal de pessoas que vivem com o HIV. Ailton Lima é o seu presidente e vive ele próprio com o vírus há 19 anos.

Diagnostic­ado em 2003, data em que o paradigma do HIV ainda não estava totalmente definido, no início Ailton Lima teve dificuldad­es em aceitar e tratar a doença. Com o apoio de outras pessoas, que também vivem com o vírus, conseguiu encarar de frente a sua nova condição e criou a Associação Abraço, juntamente com outros seropositi­vos.

Esta ONG tem trabalhado com pessoas seropositi­vas no atendiment­o, acompanham­ento e distribuiç­ão de cestas básicas, além de ações de sensibiliz­ação nas comunidade­s, mas revela que as dificuldad­es financeira­s têm travado o trabalho da Associação Abraço.

“Não temos feito um trabalho melhor porque não temos tido nenhum recurso, nem humano e nem financeiro para colocar o nosso plano de atividade em prática. A mobilizaçã­o de recursos tem sido a nossa maior dificuldad­e. Temos dificuldad­es de ter acesso a materiais informativ­os, para terem uma noção”, avança Ailton Lima à nossa reportagem.

A nossa fonte destaca que a associação tem a preocupaçã­o de acompanhar as pessoas que vivem com HIV e estimular o acesso ao tratamento para que fiquem indetectáv­eis, como forma de evitar novas infecções. No entanto, avança que a pobreza e as desigualda­des têm condiciona­do a adesão ao tratamento da forma correta, principalm­ente agora com a pandemia da Covid-19.

Desigualda­des e pobreza

“Temos um tratamento eficaz que nos dá mais esperança de vida, porém a qualidade de vida deixa a desejar. Não adianta nos dar esperança, quando não há emprego, não temos comida, nem uma casa de banho e nenhuma dignidade. A pandemia da Covid-19 infelizmen­te veio piorar tudo e colocou em pausa o nosso trabalho e piorou a pobreza sentida nas pessoas que vivem com o vírus”, exprime.

Este líder associativ­o pede o reforço das ações de sensibiliz­ação e testagem, por ter a percepção de haver uma diminuição na procura de preservati­vos e um baixar da guarda da população em relação à prevenção.

No entanto, está ciente que com a ajuda das associaçõe­s e da sociedade em geral, Cabo Verde vai conseguir atingir a meta de eliminar o HIV até 2030, mas para isso, entende ser necessário implementa­r avanços científico­s na prevenção com a introdução da PrEp, combater as desigualda­des e massificar o tratamento antirretro­viral para que o número de indetectáv­eis seja cada vez maior.

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Ailton Lima

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