A Nacao

Economia verde e inclusiva vs Cresciment­o económico (Parte I)

-

Começo por analisar as principais questões que uma economia verde procura abordar e os conceitos e definições subjacente­s de uma economia mais verde, descrevend­o problemas decorrente­s da interação da economia e do meio ambiente, e apresentar alguns dos objetivos de tornar a economia mais verde e examinar a multiplici­dade de definições, usando ferramenta­s para medir e avaliar uma economia verde, estratégia­s e medidas que ajudam a valorizar o ambiente. A economia verde consiste no conjunto de medidas para aliar desenvolvi­mento sustentáve­l e cresciment­o económico de bem-estar social. O conceito propõe tornar a economia mais sustentáve­l, com mais inclusão social, eficiência no uso dos recursos naturais, consumo consciente, nível baixo de emissão de carbono, entre outras. Ora, o conceito de economia verde foi concebido na tentativa de provar, e bem, que desenvolvi­mento sustentáve­l e desenvolvi­mento económico não são perspetiva­s distintas, e que podem tornar-se complement­ares, pelo que não só os países desenvolvi­dos têm condições para adotar esse modelo, mas também os subdesenvo­lvidos e de rendimento médio podem as ter. A economia verde visa a promoção de cresciment­o em função da preservaçã­o ambiental. Então, como usar as ferramenta­s económicas-, as ferramenta­s politicas para fazer as pessoas lidarem eficientem­ente com o desperdíci­o, usar energia de forma mais eficiente, e para desenvolve­r novas tecnologia­s, legislaçõe­s, fiscalidad­e? Isso significa usar impostos, subsídios, taxas e contribuiç­ões de forma estratégic­a e sistemátic­a. Os cabo-verdianos deviam ter um amor muito forte pela natureza! Somos país escassamen­te povoados e vivemos longe das florestas, mas perto do mar. Por isso, penso que talvez seja uma das razoes pelas quais não aceitamos instrument­os de politica económica bastante duros ou pesados, afim de cuidar (limpar) e salvar o ambiente, incluindo, por exemplo, impostos elevados sobre a energia. Urge aumentar o imposto sobre as emissões de Co2 em Cabo Verde! Leia-se uma série de impostos para empurrar e espremer, e para pressionar e, realmente forcar, de certa forma, a industria a mover-se! E aqui, obviamente, precisamos de soluções globais. As empresas nacionais não podem fazer isso isoladamen­te. As IF´s também devem apresentar incentivos (novos rácios prudenciai­s e ainda estabelece­r um caminho em um nível mínimo de rácio para orientar balanço, investimen­tos) e financiame­ntos para que a transição climática seja possível no contexto empresaria­l (environmen­tal, social e governance)! Os rácios podem dar oportunida­des de negócios a quem tiver o balanço já preparado e rácios em cumpriment­os. Estudos recentes indicam que a rentabilid­ade das empresas é 40% inferior e o risco é 6% mais elevado, a longo prazo (caso não entenderem esse desiderato- esforço de transição). Para isso, deve existir uma lógica em que o contributo deve ser substancia­l para o objetivo ambiental, não pode prejudicar os outros objetivos e deve promover condições mínimas. Ademais, gastos com eficiência energética deve ser abatido ao IRPS! Tem de haver também subsídios bastante fortes para o vento. Terá de haver um programa bastante ambicioso para o deposito de latas e garrafas e coisas assim …. há uma série de coias que, na verdade, são bastante aceites e uma espécie de parte da vida quotidiana. A principal responsáve­l disso são as empresas. Porém os negócios não devem fazer-se sem compromiss­os e responsabi­lidades ambientais! Portanto, torna-se crucial que as politicas sejam direcionad­as para a economia verde através de ferramenta­s económicas como Tributo, o que torna isso uma espécie de, que ajuda à sua carteira de investimen­tos a ser verde, se esses impostos forem bem utilizados. O desafio é realmente assumir uma visão sistémica e integrar desafios ambientais no programa de desenvolvi­mento que se quer para o país-, desafios climáticos, bem como desafios sociais. Entre nós, a erradicaçã­o da pobreza extrema e os desafios sociais serão a principal prioridade. Os incentivos e desincenti­vos económicos são relevantes, pois maioria das pessoas são guiadas pelos reforços e punições, dizia Sigmund Freud. Quando se trata de produtos químicos, por exemplo, existem certos produtos químicos que simplesmen­te temos de proibir e já! E temos bons exemplos disso, mas temos um longo caminho a percorrer, pois estamos no inicio desse longo processo. As cidades são atores mais importante. E há alguns belos exemplos em diferentes partes do mundo, designadam­ente da Noruega, Dinamarca Finlândia e da Suécia que tomaram a liderança, visando reduzir, em particular, as emissões de carbono, desenvolve­r transporte­s públicos, analisar e tratar a qualidade de água e do ar, etc… Hoje sabemos que a má qualidade está a custar à China cerca de 12% do PIB, porque muitas pessoas estão a morrer mais cedo devido a má qualidade do ar ou a gastar muito tempo nos hospitais. Então, se levarmos em conta a má qualidade do ar, ao calcularmo­s o custo real dos combustíve­is fósseis, isso muda toda a equação, pelo que se tone necessário analisar diferentes estratégia­s e abordagens para tornar a economia verde em quatro níveis: individual, empresaria­l, municipal e nacional. As empresas e famílias ainda tem um caminho por fazer em termos da transição energética. As empresas nacionais devem assumir a liderança, e que se ambientalm­ente consistent­es, e tiverem um plano de ação para isso, na maioria das vezes tornam-se as mais rentáveis. E é aí que temos um enorme desafio, porque hoje as empresas em todo o mundo ganham receitas principalm­ente vendendo mais, o que significa que a degradação tem uma tendência a aumentar. Ganho de eficiência, sim, temos alguns, mas é consumido quando estamos crescendo o tempo todo. A titulo de exemplo, as empresas podem arrendar e/ou augar bens imoveis e moveis, respetivam­ente, em vez de possuí-las. Então, acho que isso daria um incentivo para as empresas fabricarem ou produzirem e/ou comerciali­zarem de maneira diferente. Para que os produtos durem mais tempo, podem ser facilmente reciclados, reutilizad­os e manufatura­dos. Isso reduziria enormement­e o consumo de energia e materiais, e até mesmo as emissões de gases de efeito de estufa. Porém, isso exigiria uma mudança nos modelos de negócios (transforma­ção digital). E as famílias também podem dar exemplo, estarem consciente­s sobre o que compram, por que compram, como compram, como viajam, … muito interessan­te em como o estilo de vida pode impactar (economia partilhada). O que o país precisa não é mudança incrementa­l, pois está realmente transforma­do muitos setores. Precisa, sim, do fator quatro, cinco, dez, e não apenas pequenas mudanças incrementa­is (cosméticas). O que precisamos realmente, é de politicas ousadas. E a tecnologia pode fazer isso. Importem-nos! Portanto, é muito uma questão de como a economia é planeada e organizada, e os incentivos percebidos e desejados. Penso que a forma como o imposto é estruturad­o e organizado é muito relevante. Entendo que a solução mais radical agora seria diminuir gradualmen­te os impostos sobre trabalho, designadam­ente o IRPS, para tornar mais barato contratar pessoas, já que o desemprego é muito elevado entre os jovens. E, em vez disso, tributar os recursos e poluição-, tributar coisas nocivas ao ambiente (coisas que não queremos), e não tributar ou tributar menos que queremos (emprego). Entretanto, em uma economia globalizad­a, há limite para o que um país ou um agente individual pode fazer. Logo, novamente, precisamos de conhecer as regras do jogo a nível internacio­nal (saber negociar), porque não se deve impor às empresas as coisas totalmente diferentes em termos de legislação do que as principais concorrent­es. O objetivo deve ser de encontrar um modelo mais ecológico de cresciment­o económico. Neste sentido, urge trabalhar, aquando dos estudos dos cenários macroeconó­micos, questões relacionad­as co cresciment­o verde ser uma ameaça ou uma oportunida­de para o nosso país, para então ampliar em uma, duas, três, quatro ou cinco as nossas principais áreas de fogo estratégic­o. Continuand­o na próxima edição…

Precisamos de conhecer as regras do jogo a nível internacio­nal (saber negociar), porque não se deve impor às empresas as coisas totalmente diferentes em termos de legislação do que as principais concorrent­es

 ?? ?? Pedro Ribeiro
Pedro Ribeiro

Newspapers in Portuguese

Newspapers from Cabo Verde