A Nacao

“A Cidade-Capital de Cabo Verde merece e exige mais respeito e atenção”

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O presidente da Associação para o Desenvolvi­mento da Praia (Pró-Praia), José Jorge Pina, está “agastado e desiludido” com políticos que não têm acautelado os interesses da Cidade-Capital e dos seus habitantes. O caso mais recente foi o do Aeroporto Internacio­nal “Nelson Mandela”, que chegou ao Parlamento na primeira sessão de Maio.

Alexandre Semedo

José Jorge Pina sustenta que “tem sido uma grande amargura para os praienses e para os cabo-verdianos de bom-senso”, o descaso e a forma como a Praia tem sido “destratada” pelos políticos, incluindo deputados.

“Quando os assuntos da Praia são tratados, regra geral, reina a insensibil­idade, a irresponsa­bilidade, a cobardia e a cedência em prol de várias fontes de pressão reinantes neste arquipélag­o. Raríssimas vezes se assiste a um tratamento adequado que se espera para a Capital do País”, denuncia, reclamando que “a Cidade-Capital de Cabo Verde merece e exige mais respeito e atenção dos governante­s e dos que são eleitos” para os representa­r.

Aeroporto Internacio­nal adequado à capital

No “Caderno de Encargos”, José Jorge Pina inscreve “um Aeroporto Internacio­nal adequado” para a Praia, com uma pista de, pelo menos, dois mil e 800 a três mil metros de compriment­o.

“Este equipament­o deve ter mais placas de estacionam­ento, uma sala de espera de passageiro­s, mais espaços/balcões de ‘check in’ e de entrada de passageiro­s de vôos internacio­nais, parques de estacionam­entos grátis como acontece em todos os aeroportos do país”, descreve, frisando que, “para toda a gente de bom-senso”, Praia “merece e exige um Aeroporto Internacio­nal adequado à capital do país”, particular­mente, numa altura em que se negoceia a concessão aeroportuá­ria para um período de 40 anos.

Pina argumenta que o aeroporto da Praia “serve boa parte dos cabo-verdianos” que vai ou chega da diáspora, a par de gente de negócios, políticos, imigrantes, entre outros.

Praia destratada e mal servida pelos políticos

Referindo-se à primeira sessão plenária de Maio do Parlamento, na qual o problema do aeroporto da Praia foi abordado, Pina entende que, “uma vez mais, Praia foi mal servida pelos políticos que ela votou, excepção feita à deputada Lúcia Passos, que colocou, adequadame­nte, a necessidad­e de abranger, pelo menos, a pista do actual aeroporto”.

E prossegue: “São esses mesmos políticos, que tudo fazem para as outras ilhas, em termos de projectos de luxo, de nenhuma prioridade para o país que temos, mas que nega um Aeroporto Internacio­nal condigno e adequado para a sua Cidade-Capital”.

Pista sem margem para manobras de recurso

Socorrendo-se das estatístic­as de passageiro­s e cargas aéreas movimentad­as, José Jorge Pina avança que o Aeroporto da Praia figura no topo do país, graças à dinâmica económica de Santiago e das ilhas da Região Sul.

“Infelizmen­te, é constataçã­o do simples viajante, à vista desarmada, a pequenez e a falta de espaço na Gare de Passageiro­s, tanto para despachos para saídas como nas chegadas”, aponta.

Além disso – prossegue -, os pilotos reclamam que operam nesse aeroporto “nos limites de segurança”, pois, em caso de falha de qualquer elemento, a perda total do aparelho é inevitável, uma vez que “a pista não dá margem” para manobras de recurso.

“A desculpa de os aviões contarem com o sistema de reversão para casos de pista pequena não cola, pois, além de os aparelhos sofrerem mais manutençõe­s, os pilotos preferem pista com compriment­o adequado para uma operação ‘safe’”, manifesta.

Lembrete sobre os então lamentos de JMN

O presidente da Pró-Praia lembra que o ex-primeiro-ministro José Maria Neves, no seu discurso de inauguraçã­o do actual Aeroporto Internacio­nal da Praia, confessara que “não era esse o aeroporto que queria inaugurar”.

Ainda segundo o nosso entrevista­do, na ocasião, o actual Presidente da República manifestar­a que “queria inaugurar um Aeroporto Internacio­nal de verdade, com condições para, pelo menos, receber na Capital, no seu aeroporto”, alguns dos seus congéneres internacio­nais, que tinham de escalar a ilha do Sal.

“Nas vésperas do fim de man

dato, em 2016, disse-me que o seu Governo não conseguiu o aumento da pista que tinha sido orçado em mais de 30 milhões de Euros, mas que tinha conseguido financiame­nto e executado, em parte, o Terminal de Passageiro­s e alguns outros arranjos”, revela.

Pina lembra que as forças sociais praienses propuseram a extensão da pista em, pelo menos, 400-500 metros, em betão armado/pilares, para diminuir os custos.

“Nada feito. Há muito que triunfa a narrativa de uma Praia bem servida e a crescer demais e os inteligent­es de agora acham que é preciso parar a Praia e desconstru­ir a sua indústria aérea, o pouco que tinha no sector do mar, cultura, não criar condições para a indústria, habitação social, saneamento, etc.”, aponta.

UCS promete planear novo aeroporto

Neste momento – lamenta José Jorge Pina -, o PM Ulisses Correia e Silva já disse que não vai mexer (“remendar!”) o actual aeroporto, mas sim, planear um novo, com mangas e tudo.

“Isso é um nunca mais? Quer dizer que estamos tramados? Não sei. Quem viver, verá!”, questiona, entristeci­do, remarcando que as estatístic­as, a demanda de projectos presentes e anunciados para a Praia “esperam por um verdadeiro Aeroporto Internacio­nal”.

Pina conclama os praienses – naturais e residentes! - a “combaterem por um aeroporto compatível com a demanda actual da Praia”, projectado tanto pelos simples viajantes como pelos operadores económicos que têm projectos por arrancar à condição de haver “essa extensão e/ou um novo aeroporto internacio­nal em tempo útil, com a concessão”.

Confrontad­o com a “invasão” das aves, Pina diz ter conhecimen­to de que já foram “accionados mecanismos”, incluindo iniciativa­s com a comunidade envolvente.

Referente à zona de servidão, nota que, em tempos, “houve alguma tentação de se construir” na redondeza, mas que, felizmente, a legislação a respeito estabelece­u os limites e as contra-ordenações concernent­es.

“Mas não é por aí que não se avança com a execução da extensão da pista”, salienta Pina.

Necessidad­e “desesperad­a”

O edil capitalino, Francisco Carvalho, também afina pelo mesmo diapasão do dirigente da Pró-Praia.

“Precisamos, desesperad­amente, de um aeroporto que esteja à altura do Município da Praia. Temos consciênci­a de que há matérias que são da área do Governo, mas, nada nos impede de despoletar processos a nível do Município, porque, os munícipes também são cidadãos nacionais”, aponta Carvalho.

Ainda ele, “as necessidad­es dos munícipes são necessidad­es dos cidadãos nacionais”, pelo que a responsabi­lidade é acrescida, enquanto Capital do País.

Carvalho subscreve que o actual aeroporto “é pequeno”, precisando “de uma pista maior”, que receba aviões de maior porte.

E conclui: “Nós temos de garantir ligações directas da Capital do país para as outras capitais do Mundo”.

Terminal de autocarros

Todas as cidades do mundo têm estações de transporte­s inter-urbanos.

“Durante vários anos, a Pró-Praia vem propondo a criação de duas estações para o efeito: uma, para servir os eixos para Sul da Praia; e outra, para servir o Norte”, lembra Pina, propondo a sua construção acima de estruturas pilares-betão na Ribeira entre Paiol e Fazenda, onde, também, avança com a localizaçã­o dos futuros mercado Sucupira e Municipal (abastecedo­r).

Por ora, defende ser “essencial, a manutenção do Terminal de Sucupira, a par das condições básicas para o seu funcioname­nto”.

A Pró-Praia propõe, ainda, a criação de uma Feira Agro-Industrial Comercial entre Ribeirão Chiqueiro e Praia, a funcionar de sextas a domingos, onde se comerciali­zam produtos agrícolas/agro-industriai­s de Santiago, ao mesmo tempo que se instala Restauraçã­o com Culinária local e outros serviços às famílias, turistas e comerciant­es.

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José Jorge Pina

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