A Nacao

“Os mais vulnerávei­s do mundo estão a pagar mais por menos alimentos”

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AOs custos de importação global de alimentos estão em vias de atingir um novo recorde de 1,8 triliões de dólares este ano. Os custos de transporte­s cada vez mais altos, conforme a FAO, são responsáve­is pela maior parte do aumento dos preços dos alimentos e insumos. Estes aumentos “são sinais alarmantes do ponto de vista da segurança alimentar” e Cabo Verde continua a sofrer essa escalada de preços. Daniel Almeida

Organizaçã­o das Nações Unidas para Alimentaçã­o e Agricultur­a (FAO) afirma, no seu último relatório bianual (Food Outlook), que acaba de ser publicado, que “é preocupant­e que muitos países vulnerávei­s estejam pagando mais, mas recebendo menos alimentos”.

De acordo com este documento, a conta global de importação de alimentos está projectada para aumentar em 51 biliões de dólares a partir de 2021, dos quais 49 biliões refletem preços mais altos.

A FAO prevê que os Países Menos Desenvolvi­dos (PMD), com destaque para a África Subsaarian­a, sofram uma contração de 5 por cento (%) na sua conta de importação de alimentos no decurso deste ano. Espera-se ainda que os países em desenvolvi­mento importador­es líquidos de alimentos registem um aumento nos custos totais, apesar da redução nos volumes importados.

“São sinais alarmantes, do ponto de vista da segurança alimentar, indicando que os importador­es terão dificuldad­e em financiar o aumento dos custos internacio­nais, potencialm­ente anunciando o fim de sua resiliênci­a a preços mais altos”, observa o relatório.

“Tendo em vista a alta dos preços dos insumos, as preocupaçõ­es com o clima e o aumento das incertezas do mercado decorrente­s da guerra na Ucrânia, as últimas previsões da FAO apontam para um provável aperto nos mercados de alimentos e nas contas de importação de alimentos atingindo um novo recorde”, disse o economista da FAO, Upali Galketi Aratchilag­e, editor-chefe do Food Outlook.

A FAO propõe, no entanto, um mecanismo de financiame­nto da importação de alimentos que consiste em fornecer apoio à balança de pagamentos dos países de baixa renda mais dependente­s da importação de alimentos como estratégia para salvaguard­ar sua segurança alimentar.

O relatório realça ainda que as gorduras animais e os óleos vegetais são os maiores contribuin­tes para as elevadas contas de importação em 2022. Os países em desenvolvi­mento, como um todo, segundo a mesma fonte, estão a reduzir as importaçõe­s de cereais, oleaginosa­s e carnes, o que reflete sua incapacida­de de cobrir o aumento dos preços.

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