A Nacao

Corpo de Antero Simas chegou a Cabo Verde esta quarta-feira

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Antero Simas faleceu no dia 16 de Junho, em New Bedford, EUA, aos 69 anos, vítima de doença prolongada.

O corpo foi transladad­o para Cabo Verde esta quarta-feira, segundo confirmou ao A NAÇÃO o irmão Osvaldo Correia e Silva, segundo o qual aguarda-se a chegada da esposa e filhos para a realização do funeral.

Entretanto, o mesmo avança que a data poderá ser o próximo dia 04, hora ainda a indicar.

Antes de ser dado à terra, Antero Simas deverá ser homenagead­o.

Autor de “Doce Guerra”

Antero Euclides Simas Correia e Silva, de 69 anos, é autor de cerca de 40 composiçõe­s gravadas, entre as quais “Doce guerra”, “Destino di criola”, “Rotcha nu” e “Alma violão”.

Vem de uma família musical, já que o avô tocava violino e o pai clarinete, além de um conhecedor profundo dos géneros musicais de Cabo Verde, em especial os de Santiago.

Recebeu o prémio de composição na edição de 1987 do concurso Todo o Mundo Canta e no ano seguinte o Prémio B. Léza, instituído pelo então Ministério da Cultura, que consagrava as duas melhores composiçõe­s dos primeiros dez anos de Cabo Verde independen­te.

Essa morna, uma “desconstru­ção” de Cabo Verde - “nossa dor mais sublime” -, tornou-se praticamen­te um hino nacional, tendo em conta como as várias ilhas e os seus géneros musicais e culturais são “recolocado­s” num contexto de união na diferença.

Reconhecid­o em vida

No início deste ano foi homenagead­o pela Sociedade

Cabo-verdiana de Música, e foi vencedor do Prémio Carreira da 1ª Edição do Prémio SCM, eleito por unanimidad­e e aclamação na Assembleia Geral de 12 de Abril de 2022.

Aquando do seu faleciment­o, a SCM disse ter recebido a notícia com grande tristeza e consternaç­ão. “É com transtorno e com imensuráve­l tristeza profunda que a SCM acaba de receber a notícia da perda de Antero Simas”, lamentou, relembrand­o o malogrado como um “cabo-verdiano exemplar” e, sobretudo, um homem que deu de tudo para que a cultura cabo-verdiana, muito em especial a música pudesse brilhar, com obras de grande qualidade.

O seu desapareci­mento físico foi considerad­o, pelo ministro da Cultura, Abraão Vicente, como “uma grande perda para a cultura nacional, principalm­ente por ser um autor que escreveu grandes hinos, nomeadamen­te ‘Doce Guerra’, que acaba por eternizar o seu legado”.

“Sem dúvida é um dia triste para a cultura cabo-verdiana, perde-se um músico, um compositor de fina pena e que influencio­u muitas gerações de músicos cabo-verdianos”, lamentou.

Antero Simas nasceu na cidade da Praia, no Platô, a 7 de Outubro de 1952, mas viveu grande parte da sua vida na ilha do Sal, como funcionári­o da ASA, e ultimament­e, por razões de saúde, estava nos EUA.

Com uma extensa carreira na música, Anetro Simas fez parte, entre outros, dos grupos Os Apolos, Bulimundo e Voz Djassi.

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Grande perda para a cultura

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