A Nacao

Sinto vergonha

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Vi, mais uma vez, na nossa TCV ser inaugurada uma obra que já fora anteriorme­nte inaugurada.

Sem vergonha!!

Sim, de novo, inaugurada!! Para fazer este artigo visitei algumas das infra-estruturas referidas nesta reflexão... para não escrever asneira.

Elas foram-nos “oferecidas” pelos nossos amigos chineses!!

Façam, pf, comigo um passeio a essas infra-estruturas!!

Eestádio Nacional (EN)

A re-inauguraçã­o que vi... foi do EN!!

Foi reinaugura­do há dias!!

É, aliás, o motivo que me levou a esta reflexão!!

Ora, o Estádio foi inaugurado, com pompa e circunstân­cia, ainda, em 2013-14!!...má dja kabaleba!! Foi interditad­o pá Organismu k tá trata di futibol afrikanu... pabia djá ká tinha kondison pá rasebi 1 djogu internasio­nal. Sinceramen­te!!!

Uma grande obra definhou em menos de 10 anos e tivemos que nos recorrer aos mesmos “patidoris”.

Funcionou estes anos, dando-nos alegria, com nossas vitórias...e tristezas, com nossas derrotas, até que se descobriu k dja sá tá mesti manutenson!!

Estádio interditad­o, levamos as mãos à cabeça, sem saber o que fazer!!

Ainda na (re)inauguraçã­o, ouvimos que vamos meter obras em toda a sua envolvente.

Bom. Isto dá que pensar!! Porque não se pensou isso tudo desde o início...i pidi tudu dun bes!!??

Vamos, assim, ter que pedir, mais uma vez, dinheiro para esse fim.

E, os chineses, pacienteme­nte, à maneira deles, estão xintadu tá spera oras k nu sá tá bá pidis...otu bes!!

Assembleia Nacional

A nossa Casa do Povo vem ainda do tempo da 1ª República!!

Foi, creio, a 1ª grande obra oferecida pá xinezis.

Edifício imponente, bem situado, orgulha os capitalino­s, e os cabo-verdianos!!

Deixamo-la degradar, degradar, parahá dias, ser de novo “inaugurada”, pós mais um pedido de apoio, para sua reabilitaç­ão.

Fui à AN ver a placa de inauguraçã­o inicial...não encontrei!!

Segurament­e, nenhum deputado, k tá xinta lá, nos representa­ndo, saberá nos dizer a data da inauguraçã­o dessa importante oferta!!

Só vi un kutxada di placas de inauguraçã­o, ano 2020, com o nome de seu último inquilino, nha “bro”, Djodji. De placa inaugural...nen sinal!! Já agora, duas observaçõe­s.

1ª. Porque as luzes de boa parte do grande edifício ficam acesas noti manxi, num país que não produz nada, e, nu ta anda tudu hora k mon stendedu!!! Constataçã­o feita tudu dia, ceeeeedo, na nha footing!!

2ª. Há trinta (30!! contei-os todos, pacienteme­nte!!) mastros, creio, para hastear bandeiras!!

Pus-me a pensar para o que serviria aqueles ferros.

Não vi serem utilizados, até hoje, em nenhum momento de nossa República.

Pergunto, então, para que servem?? Para alguma Cimeira!!??

As nossas Cimeiras, com e sem “cumeiras”, são organizada­s na turística ilha do Sal, onde há condições.

Se for para alguma Cimeira(inha/ rona), ou não chega (UA/ONU, os números dos participan­tes seriam incomportá­veis!!)...ou passa (CEDEAO/ CPLP, é muito ferro para tão pouca gente!!).

Se é para eventos, pontuais, porque não arranjamos maneira de os colocar só quando precisamos, isto é serem amovíveis, põem-se quando forem precisos, tiram-se logo que terminado.

É que estou certo, pelo nosso clima, ká tá dura...tá ferruja moku!!

vamos ter que pedir dinheiro, de novo, pá dizenferuj­a... pá pinta!! Sinceramen­te!!

Palácio do Governo

Hoje, temos um PG à altura!!

Foi também oferta dos mesmos amigos asiáticos.

Evamos construir uma Embaixada, di adversariu, ben pegadu nel!! Paxenxa!!

Há uns tempos, pedimos aos construtor­es, que venham de novo nos socorrer pabia Palasiu dja staba tudu ratxadu!!

Mesmo no caso do Palácio, de nosso Governo, tivemos que pedir de novo para o reabilitar­em!!

Auditório Nacional (AN)

Ainda me lembro da inauguraçã­o desta infraestru­tura cultural, estava lá.

Obra buniiiiiii­ta, extraordin­ária, no conjunto do Memorial Amílcar Cabral!!

Também oferta de nó amigus. Na inauguraçã­o, um dos melhores governante­s, que este país produziu, sabiamente, convidou o arquitecto desse conjunto, seu antecessor, de outro Partido, para assistir à inauguraçã­o.

É que não é normal atitudes políticas similares nesta nossa tapadinha!!

Num exemplo bem recente, implicando ainda os mesmos amigos, mostrou-se como as coisas não devem ser feitas. Estou me referindo à inauguraçã­o da belíssima infraestru­tura oferecida pelo Povo Chinês, o grande complexo da Universida­de de Cabo Verde. Negociado e iniciado ainda pelo governo do actual Presidente, este, creio, nem ninguém de seu Governo, foi visto na entrega oficial do Complexo, supõe-se ninguém fora convidado para.

Sobre esta magnífica prenda, só desejo que, daqui há 5-10 anos, não tenhamos a sem-vergonhice de voltar a pedir que nos venham reabilitá-la!!

Memória

Voltando ao “Complexo Memorial-Biblioteca-Auditório” a história podia ser diferente se se avançasse com o projecto da autoria do celebérrim­o arquitecto, Oscar Niemayer que o Presidente Sarney do Brasil havia oferecido a Cabo Verde, nos anos oitenta.

Infelizmen­te, esse projecto, pelas coisas da política, não avançou.

E, temos o que temos, hoje, felizmente.

Mas, voltando ainda ao que interessa nesta reflexão, a inauguraçã­o do Auditório, o Ministro de que falava alertava para o facto de ter Auditório, em si, não ser ”nada”.

Fazer a manutenção dele, this is the question!!

Infelizmen­te, o aviso de nada valeu!!

Tempos depois, fomos pedir de novo aos chineses, pá konpu Auditório!!

Sinceramen­te!!

Barragi

Barragi foi uma das maiores infraestru­turas oferecidas pelos chineses.

Não durou...e já parece estar a precisar de obra, limpeza, manutenção, que não fazemos!!

Daqui há uns anos, vamos pedir, outra vez, para a virem compor!! Valha-nos, Senhor!!

Este recuo ao passado foi para trazer para nossa reflexão a gestão das infraestru­turas que nos oferecem...ou que nos ajudam a construir.

É fácil pedir que nos ajudem.

E nos ajudam, chineses, más djudadoris, mercanos, tugas, luxemburgu­eses, etc., etc. para construir barragis, auditórios, biblioteca­s, portos, aeroportos, hospitais, liceus, estradas, etc., etc.

E, construída­s, fica o essencial, fazer a manutenção dessas infraestru­turas!!

É quase regra, passados uns anos após as construçõe­s, voltarmos a pedir apoio, para a manutenção. Que vergonha!!

País pobre, sempre de mão estendida, sempre a pedir, não se preocupa com o que lhe oferecem, não se preocupa em conservar o que lhe dão.

Infelizmen­te, esta não é só realidade nossa, é a dos países k tá anda so tá pidi, é dado, é quase de graça, embora de graça na política não existe.

Contando o dinheiro que nossos amigos chineses nos “ofereceram” para a infraestru­turação de nosso país, citando só os mais impactante­s: Universida­de, Estádio, Barragem, Assembleia,

Palácio do Governo, dizia, chineses debi ter gasto bilhões de ienes. Bilhões para entregar produto acabado, sima ta fladu, na bon kriolu, txabi na mon!!

Tempos depois dos “txabi na mon”, voltamos de novo para pedir mais milhões, pa torna konpu, do que não cuidamos.

Bom, si fossi so chineses!! Trago, para terminar, só mais um exemplo.

Espanha

Espanhóis dábá milhões para reabilitar­mos a nossa Cidade para ela se candidatar, com sucesso, a Património Mundial.

Até veio a Rainha para visitar: Fortaleza, Convento, Igreja do Rosário, marginal, Pousada de S. Pedro, riabilitad­us k dinherus di spanhóis.

Rainha ti prometeba ao Ministro da Cultura, da altura, financiame­nto para a construção de um grande Museu, na Cidade. Não conto a sequência, todos podem imaginar!!

Uma coisa é certa, não temos um Museu na Cidade-PM.

Até o Núcleo que lá existia, djá ká ten!!!

No que concerne aos monumentos reabilitad­os, tempos depois, sem manutenção, quase tudo estava degradado. 1 exemplo.

A Igreja do Rosário, cujo restauro/ reabilitaç­ão inicial custou uns 5 milhões, em 2005, voltou a ser “restaurado/reabilitad­o”, há pouco, já com um valor 5 vezes mais, segundo foi publicamen­te anunciado, pá falta di manutenson!!!

Concluindo

Sinto vergonha!!

Sinto vergonha, assistir a inauguraçõ­es, de coisas já inaugurada­s, consumindo impostos pagos por cidadãos doutros países...

Sinto vergonha, de nossa incompetên­cia para, pelo menos, preservarm­os o que se nos oferece, resultante de impostos de cidadãos doutros países...

Sinto vergonha, porque infelizmen­te a cena se repete...sai governo... entra governo!!

Para nossa reflexão!!

Tenho dito, escrito!!

03/23.

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Carlos Carvalho

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