MARIA FRANCISCA ES­TRE­LA RESENDE

A Verdade - - PRIMEIRA PÁGINA -

D• Li­cen­ci­a­da em Te­ra­pia Ocu­pa­ci­o­nal • Exer­ce fun­ções nas di­ver­sas va­lên­ci­as da Santa Casa da Mi­se­ri­cór­dia de Mar­co de Ca­na­ve­ses • In­te­gra a equi­pa do pro­je­to “Mar­co em AtivIdade”

e acor­do com o Re­la­tó­rio “He­alth at a Glan­ce 2017” da OCDE (Or­ga­ni­za­ção para a Co­o­pe­ra­ção e De­sen­vol­vi­men­to Eco­nó­mi­co), pu­bli­ca­do a 10 de no­vem­bro de 2017, Por­tu­gal apre­sen­ta-se co­mo o quar­to país com mais casos de de­mên­cia por ca­da mil ha­bi­tan­tes. Para já, afirma-se que o prin­ci­pal fa­tor de ris­co para a de­mên­cia é a ida­de. Para além des­te fa­tor, que ine­vi­ta­vel­men­te não po­de­mos con­tor­nar, sa­be­mos que exis­tem hoje ou­tros que po­dem aju­dar a con­tro­lar ou re­du­zir o ris­co do de­sen­vol­vi­men­to de de­mên­cia. As­sim, a prá­ti­ca de exer­cí­cio fí­si­co, ali­men­ta­ção sau­dá­vel e es­ti­mu­la­ção cog­ni­ti­va são al­gu­mas das es­co­lhas que po­dem ser fei­tas e que po­dem mi­ni­mi­zar os efei­tos.

Sa­be-se que a de­mên­cia é um pro­ces­so di­nâ­mi­co e pro­gres­si­vo com al­te­ra­ções ao ní­vel bi­o­ló­gi­co, psi­co­ló­gi­co, so­ci­al e fun­ci­o­nal. Gra­du­al­men­te, tem con­sequên­ci­as di­ver­sas quer para a pes­soa, quer para os seus fa­mi­li­a­res e/ou cui­da­dor. Es­tas al­te­ra­ções aca­bam por res­trin­gir a re­a­li­za­ção de ati­vi­da­des de vi­da diá­ria (exem­plos: co­mer, ves­tir-se, re­a­li­zar hi­gi­e­ne pes­so­al) e ati­vi­da­des de vi­da diá­ri­as ins­tru­men­tais (exem­plos: pre­pa­rar uma re­fei­ção, uti­li­zar um meio de trans­por­te, to­mar con­ta de um animal de es­ti­ma­ção). A per­da de me­mó­ria é uma ca­ra­te­rís­ti­ca na­tu­ral do en­ve­lhe­ci­men­to, mas quan­do co­me­ça a ter uma in­fluên­cia e a tor­nar a pes­soa dis­fun­ci­o­nal; es­ta­mos a falar de al­go que po­de­rá ser já um sin­to­ma de de­mên­cia. Sur­ge o es­que­ci­men­to de pessoas ou ob­je­tos, as­sim co­mo de ações que an­tes pa­re­ci­am tão sim­ples de re­a­li­zar.

Uma in­ter­ven­ção im­por­tan­te e be­né­fi­ca con­sis­te na cri­a­ção de um ambiente/con­tex­to se­gu­ro e tran­qui­lo para a pes­soa com de­mên­cia, mas também para to­dos os que a ro­dei­am, sem que se per­ca a iden­ti­da­de e fa­mi­li­a­ri­da­de da sua pró­pria casa. Se­guem al­gu­mas su­ges­tões: - Manter as su­as ro­ti­nas; - Re­du­zir a con­fu­são de mo­bi­liá­rio, o ruí­do e as lu­zes in­ten­sas;

- De­sen­vol­ver ati­vi­da­des do seu in­te­res­se e que se­jam úteis;

- Não mu­dar cons­tan­te­men­te os ob­je­tos de lu­gar (exem­plo: co­man­do da te­le­vi­são de­ve fi­car sem­pre no mes­mo sí­tio)

- Re­du­zir o uso de es­pe­lhos, para não ha­ver con­fu­são ou as­sus­tar com a imagem que é re­fle­ti­da;

- Uti­li­zar co­res con­tras­tan­tes, para aju­dar a pes­soa a ver onde aca­ba o chão e co­me­ça a pa­re­de;

- Iden­ti­fi­car os di­fe­ren­tes es­pa­ços em casa, os ar­má­ri­os da co­zi­nha ou ou­tros lo­cais que se­jam do in­te­res­se da pes­soa com de­mên­cia.

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