SEN­TI­DO DA VI­DA E DEPENDÊNCIAS (PAR­TE I)

A Verdade - - PRIMEIRA PÁGINA -

Ocon­su­mo de dro­gas ad­qui­re uma re­le­vân­cia so­ci­al sig­ni­fi­ca­ti­va pe­lo im­pac­to exis­ten­te nas re­la­ções fa­mi­li­a­res, na co­mu­ni­da­de ou/e no em­pre­go. Os úl­ti­mos da­dos apre­sen­ta­dos pe­lo Ob­ser­va­tó­rio Eu­ro­peu da Dro­ga e da To­xi­co­de­pen­dên­cia apon­tam, em Por­tu­gal no ano de 2015, pa­ra va­lo­res de uso de ca­na­bi­nói­des de 5,1% (na po­pu­la­ção 15-34 anos); 0,6% de ecs­tasy, 0,4% de co­caí­na e 0,1% de an­fe­ta­mi­nas. São ain­da iden­ti­fi­ca­das 31858 pes­so­as que são uti­li­za­do­res de al­to ris­co de opiá­ce­os (co­mo a he­roí­na); 17011 pes­so­as em pro­gra­ma de subs­ti­tui­ção de opiá­ce­os¸ 1004706 se­rin­gas dis­tri­buí­das em pro­gra­mas es­pe­ci­a­li­za­dos e 40 mor­tes por over­do­se.

Os prin­ci­pais fa­to­res associados ao con­su­mo pro­ble­má­ti­co de subs­tân­ci­as são: se­xo mascu­li­no, iní­cio de con­su­mo em ida­de jo­vem, bai­xa li­te­ra­cia, pa­to­lo­gia psi­quiá­tri­ca, fa­to­res psi­co­ló­gi­cos (tra­ços de per­so­na­li­da­de, com­por­ta­men­to apren­di­do); so­ci­o­e­co­nó­mi­cos (bai­xo es­ta­tu­to so­ci­o­e­co­nó­mi­co, de­sem­pre­go, pre­ço e dis­po­ni­bi­li­da­de, nor­mas cul­tu­rais e acei­ta­bi­li­da­de); le­gais (res­tri­ções à ven­da e pe­na­li­za­ção pe­la pos­se ou trá­fi­co), bem co­mo fa­to­res ge­né­ti­cos e neu­ro­bi­o­ló­gi­cos.

Exis­tem di­fe­ren­tes fa­ses de aqui­si­ção de subs­tân­ci­as ilí­ci­tas: o tra­je­to ini­cia-se pe­la ex­pe­ri­men­ta­ção, se­guin­do-se o con­su­mo epi­só­di­co ou oca­si­o­nal, re­gu­lar e por fim o con­su­mo con­tí­nuo ou com­pul­si­vo. É tam­bém im­por­tan­te dis­tin­guir o abu­so (au­to­ad­mi­nis­tra­ção de uma dro­ga de for­ma não apro­va­da cul­tu­ral­men­te e com con­sequên­ci­as ad­ver­sas), da adi­ção (pa­drão com­por­ta­men­tal mal adap­ta­ti­vo ca­rac­te­ri­za­do por um en­vol­vi­men­to to­tal com o uso de uma dro­ga (uso com­pul­si­vo), ga­ran­tia da sua ob­ten­ção e gran­de ten­dên­cia à re­caí­da de­pois da sua sus­pen­são) e da de­pen­dên­cia (es­ta­do fi­si­o­ló­gi­co de neu­ro-adap­ta­ção pro­vo­ca­do pe­la ad­mi­nis­tra­ção re­pe­ti­da de uma dro­ga, ne­ces­si­tan­do da sua ad­mi­nis­tra­ção con­ti­nu­a­da pa­ra evi­tar os sin­to­mas de pri­va­ção). Um in­di­ví­duo de­pen­den­te apre­sen­ta com­por­ta­men­tos de com­pul­são pa­ra to­mar a subs­tân­cia, to­le­rân­cia (ne­ces­si­da­de de au­men­tar as do­ses da subs­tân­cia pa­ra ob­ter o mes­mo efei­to sub­je­ti­vo) e abs­ti­nên­cia (re­a­ção fi­si­o­ló­gi­ca à fal­ta da subs­tân­cia de que se é de­pen­den­te).

O tra­ta­men­to pas­sa pe­la abs­ti­nên­cia ou re­du­ção dos con­su­mos, pe­la pre­ven­ção de re­caí­das, pe­la di­mi­nui­ção da mor­bi­li­da­de as­so­ci­a­da e su­as se­que­las e pe­la me­lho­ria do fun­ci­o­na­men­to psi­co­ló­gi­co e so­ci­al.

As es­tra­té­gi­as te­ra­pêu­ti­cas in­clu­em tra­ta­men­tos de de­sin­to­xi­ca­ção ou de­sa­bi­tu­a­ção fí­si­ca (em uni­da­des es­pe­ci­a­li­za­das), a ma­nu­ten­ção e pre­ven­ção de re­caí­das (te­ra­pêu­ti­ca e pro­gra­mas de subs­ti­tui­ção), a psi­co­te­ra­pia, a in­te­gra­ção em co­mu­ni­da­des te­ra­pêu­ti­cas, pro­gra­mas de re­du­ção de ris­cos e re­a­bi­li­ta­ção psi­cos­so­ci­al e rein­ser­ção so­ci­al.

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