ENTORSE DO TORNOZELO

A Verdade - - MARCO DE CANAVESES - JOR­GE MENDES

Aen­tor­se da ar­ti­cu­la­ção do tornozelo é das cau­sas mais fre­quen­tes da con­sul­ta em Me­di­ci­na Des­por­ti­va, ocor­ren­do em 20-40% dos aci­den­tes des­por­ti­vos. Os des­por­tos de cor­ri­da, mu­dan­ças de di­re­ção e con­tac­to com ou­tros jo­ga­do­res, são os que en­vol­vem mai­or in­ci­dên­cia de entorse. Tra­duz-se por dor, in­cha­ço do tornozelo e li­mi­ta­ção da mo­bi­li­da­de e/ou in­ca­pa­ci­da­de de fa­zer car­ga.

O di­ag­nós­ti­co é fei­to no exa­me clí­ni­co e, nal­guns ca­sos, é ne­ces­sá­rio efe­tu­ar uma ra­di­o­gra­fia sim­ples do tornozelo. Da­do tra­tar-se de le­são de par­tes mo­les, a eco­gra­fia é um exa­me aces­sí­vel, mas o re­sul­ta­do de­pen­de da ex­pe­ri­ên­cia do ra­di­o­lo­gis­ta. É a res­so­nân­cia mag­né­ti­ca que, con­tu­do, tem sen­si­bi­li­da­de de 75-100% pa­ra o di­ag­nós­ti­co das le­sões li­ga men­ta­res do tornozelo. Da­do o seu ele­va­do cus­to e bai­xa in­fluên­cia no tra­ta­men­to, de­ve ser re­a­li­za­da na sus­pei­ta de ins­ta­bi­li­da­de cró­ni­ca, fra­tu­ras ocul­tas ou le­sões da ar­ti­cu­la­ção.

A mai­o­ria das en­tor­ses são tra­ta­das nu­ma pri­mei­ra fa­se de um mo­do con­ser­va­dor: re­pou­so, ge­lo, com­pres­são e ele­va­ção do mem­bro afe­ta­do (al­guns di­as). O uso de an­ti-in­fla­ma­tó­ri­os não es­te­roi­des, de­mons­trou di­mi­nui­ção da dor e ede­ma, com me­lho­ria mais rá­pi­da da fun­ção ar­ti­cu­lar. Po­de­rá se­guir-se uma se­gun­da fa­se, com a ci­ca­tri­za­ção dos li­ga­men­tos (1 a 3 se­ma­nas), e pres­cri­ção de exer­cí­ci­os de for­ta­le­ci­men­to pa­ra re­cu­pe­ra­ção fun­ci­o­nal (até às 8 se­ma­nas). Es­te é o “tra­ta­men­to fun­ci­o­nal” in­di­ca­do pa­ra to­das as en­tor­ses Grau I e II (es­ti­ra­men­to do li­ga­men­to/ro­tu­ra in­com­ple­ta com dé­fi­ce fun­ci­o­nal mo­de­ra­do).

Nas en­tor­ses Grau III (ro­tu­ra com­ple­ta e per­da da in­te­gri­da­de do li­ga­men­to) há al­gu­ma con­tro­vér­sia: fun­ci­o­nal, imo­bi­li­za­ção rí­gi­da (apa­re­lho ges­sa­do), ci­rur­gia ime­di­a­ta ou di­fe­ri­da? O tra­ta­men­to de­ve­rá ser per­so­na­li­za­do ava­li­an­do os ris­cos, no­me­a­da­men­te a op­ção ci­rúr­gi­ca.

A mai­o­ria das en­tor­ses tem evo­lu­ção be­nig­na. A dor diminui ao fim de 2 se­ma­nas e ape­nas 5-33% dos do­en­tes têm dor após um ano. Po­rém, 20-40% dos do­en­tes po­dem apre­sen­tar sin­to­mas per­sis­ten­tes, com al­te­ra­ções de­ge­ne­ra­ti­vas.

Pa­ra evi­tar as se­que­las as­so­ci­a­das a entorse do tornozelo, se pre­ten­der ini­ci­ar uma ati­vi­da­de des­por­ti­va, de­ve re­cor­rer ao mé­di­co de fa­mí­lia pa­ra ava­li­a­ção pré­via da exis­tên­cia de fa­to­res pre­dis­po­nen­tes. Nu­ma entorse do tornozelo, de­ve re­cor­rer à ava­li­a­ção mé­di­ca es­pe­ci­a­li­za­da, pa­ra o tra­ta­men­to ser o mais pre­co­ce e cor­re­to pos­sí­vel, evi­tan­do se­que­las fu­tu­ras.

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