edi­to­ri­al

Altagama Motor (Portugal) - - Sumário - Ber­nar­do Gon­za­lez

Es­ta­lou mais uma po­lé­mi­ca: os con­du­to­res do INEM pas­sa­rão a ser mul­ta­dos se de­te­ta­dos em ex­ces­so de ve­lo­ci­da­de, mes­mo num con­tex­to de ur­gên­cia mé­di­ca. É bom sa­ber que, na even­tu­a­li­da­de de es­tar­mos no meio de um ata­que car­día­co, o con­du­tor da am­bu­lân­cia que nos vem pres­tar os pri­mei­ros so­cor­ros irá des­lo­car-se ao rit­mo do res­tan­te trân­si­to... E tu­do, por­que os res­pon­sá­veis da Au­to­ri­da­de Na­ci­o­nal da Se­gu­ran­ça Ro­do­viá­ria (ANSR) en­ten­de­ram im­por no­vas re­gras e aca­bar com a ex­ce­ção. Is­to faz al­gum sen­ti­do? Não, é ape­nas mau de­mais pa­ra ser ver­da­de. Vem ago­ra uma qual­quer men­te bri­lhan­te acres­cen­tar mais um grau de di­fi­cul­da­de na vi­da des­tes pro­fis­si­o­nais. Aque­les que, mui­tas ve­zes à cus­ta de sa­cri­fí­ci­os pes­so­ais, as­se­gu­ram o bem dos ou­tros – co­mo é trans­ver­sal com to­dos aque­les que fa­zem dos ser­vi­ços de so­cor­ro a sua vo­ca­ção. Já ago­ra, gos­ta­ria de sa­ber se a ANSR apli­ca os mes­mos prin­cí­pi­os a ou­tros ser­vi­ços pú­bli­cos. Sa­be­mos que os agen­tes da au­to­ri­da­de são de­sen­co­ra­ja­dos a par­ti­ci­pa­rem em per­se­gui­ções, mas is­so não quer di­zer que por ve­zes não acon­te­çam – por se­rem re­al­men­te ne­ces­sá­ri­as. Se­rá que no re­gu­lar de­sem­pe­nho das su­as fun­ções, tam­bém se­rão au­tu­a­dos? Nem fa­le­mos do Cor­po de Se­gu­ran­ça Pes­so­al da PSP, que a to­da a ho­ra ‘vi­a­ja ao sa­bor das ne­ces­si­da­des’ dos seus pro­te­gi­dos, se­jam po­lí­ti­cos e fi­gu­ras de Es­ta­do, se­jam tes­te­mu­nhas. Qual é o cri­té­rio, afi­nal? A ur­gên­cia de­ve ser o fa­tor de ex­ce­ção, e quem sal­va vi­das e sal­va­guar­da o bem-es­tar da po­pu­la­ção tem de go­zar des­se pri­vi­lé­gio – quan­do, de fac­to, se des­lo­ca com ca­rá­ter de ur­gên­cia. Mas se­rá que na ANSR sa­bem dis­tin­guir o que is­so é?

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