edi­to­ri­al

Altagama Motor (Portugal) - - Sumário -

Quem tu­do quer, tu­do per­de, diz o di­ta­do. Elon Musk, o vi­si­o­ná­rio fun­da­dor da Tes­la, anun­ci­ou que a em­pre­sa vai des­pe­dir 9% dos seus em­pre­ga­dos, de um uni­ver­so de 46 mil. A for­ça de tra­ba­lho das fá­bri­cas não se­rá afe­ta­da, vis­to que es­sa é gran­de pe­dra no sa­pa­to da mar­ca ame­ri­ca­na: sa­tis­fa­zer a pro­cu­ra dos seus pro­du­tos. O mo­ti­vo dis­to tu­do é a au­sên­cia de lu­cro em 15 anos de ati­vi­da­de, ne­ces­si­tan­do de re­es­tru­tu­rar cer­tas áre­as do ne­gó­cio. Quer se gos­te, quer não, Elon Musk te­ve vi­são, te­ve au­dá­cia e te­ve, aci­ma de tu­do, ta­len­to pa­ra con­ven­cer in­ves­ti­do­res de que era ca­paz de ba­ter o pé aos cons­tru­to­res con­ven­ci­o­nais na cor­ri­da ao car­ro elé­tri­co. Co­mo qual­quer start-up, co­me­çou pe­que­no, mas cres­ceu de­pres­sa. No en­tan­to, a pre­mis­sa de uma start-up é que um dia dê lu­cros – e gran­des, de pre­fe­rên­cia. E, na Tes­la, es­se dia ain­da não che­gou. Por is­so es­ta res­tru­tu­ra­ção é “di­fí­cil, mas ne­ces­sá­ria”, jus­ti­fi­cou, via Twit­ter. Di­fí­cil, so­bre­tu­do de ex­pli­car, após dé­ca­da e meia de bons avan­ços tec­no­ló­gi­cos, mas igual­men­te de gran­des pro­mes­sas, enor­mes ca­pri­chos, even­tos me­ga­ló­ma­nos e vi­sões mar­ci­a­nas de co­mo li­de­rar a hu­ma­ni­da­de na ex­plo­ra­ção da vi­da es­pa­ci­al da pró­xi­ma era. Na ar­ro­gân­cia tí­pi­ca de quem es­tá na cris­ta da on­da, o sul-afri­ca­no co­me­teu um er­ro: viu que con­se­guia fa­zê-lo, mas me­nos­pre­zou a for­ma de co­mo fa­zê-lo. Tal co­mo Pres­ton Tuc­ker, na dé­ca­da de 1940, Musk de­sa­fi­ou ‘os gran­des’. Não tem mal ne­nhum, até por­que nin­guém gos­ta de po­de­res ins­ti­tuí­dos. Mas fal­tou-lhe hu­mil­da­de na abor­da­gem e nas pro­je­ções… O tem­po di­rá se foi um er­ro fa­tal, por­que, afi­nal, quem tu­do quer, tu­do per­de. Ber­nar­do Gon­za­lez

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