Cor­ta-fi­tas pa­ra­lí­ti­cos

Correio da Manhã Weekend - - Opinião - JOÃO VAZ JOR­NA­LIS­TA

Es­tá por me­dir o efei­to do anún­cio de obras pú­bli­cas na de­li­be­ra­ção do voto pe­los por­tu­gue­ses. Pa­ra os po­lí­ti­cos, po­rém, não exis­te melhor po­ção má­gi­ca: Ter al­guns me­lho­ra­men­tos ou pelo me­nos pro­je­tos de milhões pa­ra apre­sen­tar enche-os de confiança e mul­ti­pli­ca-lhes a em­pa­tia. O se­gre­do de Po­li­chi­ne­lo é evi­den­te no mo­do como a re­vo­a­da de pro­cla­ma­ções de obras da úl­ti­ma se­ma­na lan­çou o mi­nis­tro Pe­dro Mar­ques pa­ra as Eu­ro­pei­as.

As obras pú­bli­cas não de­vem ser, con­tu­do, mar­ke­ting par­ti­dá­rio. Nem es­tra­ta­ge­ma de en­ri­que­ci­men­to ilí­ci­to. Cons­ti­tu­em ala­van­cas do de­sen­vol­vi­men­to. Pen­sá-las e de­ci­di-las cor­re­ta­men­te au­men­ta-lhes o efei­to e re­duz o pre­ço. Por­tu­gal discute há 50 anos o no­vo aeroporto de Lisboa e, após mui­tos pla­nos pa­ra o li­xo e des­vio de di­nhei­ro pú­bli­co, ain­da não tem o es­tu­do am­bi­en­tal so­bre a adap­ta­ção da ba­se aérea do Mon­ti­jo que já lá exis­tia. Ain­da mais tem­po tem o ro­man­ce da li­nha fer­ro­viá­ria Lisboa-Por­to. Es­ta imo­bi­li­da­de é uma ver­go­nha qu­an­do se con­tam os no­vos gran­des ae­ro­por­tos em to­do o Mundo ou se vê como em dez anos a China fez a mai­or re­de fer­ro­viá­ria de al­ta ve­lo­ci­da­de do pla­ne­ta, com 25 mil km de ex­ten­são e 1,7 mil milhões de uti­li­za­ções num ano.

Newspapers in Portuguese

Newspapers from Portugal

© PressReader. All rights reserved.