As­cen­são e que­da

A re­to­ma por­tis­ta e as des­gra­ças dos ri­vais

Correio da Manha - Domingo (Cofina) - - DESPORTO - Má­rio Pe­rei­ra EDI­TOR DA SEC­ÇÃO DE DES­POR­TO

Oa­no de 2018 fi­cou in­de­le­vel­men­te mar­ca­do pe­la as­cen­são do trei­na­dor Sér­gio Con­cei­ção, que le­vou o FC Por­to à re­con­quis­ta do tí­tu­lo na­ci­o­nal de fu­te­bol, e pe­la que­da de Bru­no de Car­va­lho, que no tram­bo­lhão qua­se ar­ras­ta­va o Spor­ting pa­ra o fun­do de um po­ço. Mas co­mo o des­por­to por­tu­guês é uma es­pé­cie de San­tís­si­ma Trin­da­de, o Ben­fi­ca tam­bém es­te­ve nas bo­cas do mun­do. Pe­las pi­o­res ra­zões, aque­las que na­da têm que ver com a ge­ni­a­li­da­de dos ar­tis­tas no ter­re­no de jo­go. O ca­so E-toupeira mi­nou a cre­di­bi­li­da­de dos ga­bi­ne­tes da Luz, tu­do por­que um as­ses­sor do clu­be, Pau­lo Gon­çal­ves, em con­luio com dois fun­ci­o­ná­ri­os ju­di­ci­ais, in­cor­reu em prá­ti­cas ilí­ci­tas. Fa­lou-se mais das vi­si­tas da Po­lí­cia Ju­di­ciá­ria aos es­cri­tó­ri­os do po­der en­car­na­do do que do rel­va­do on­de se mar­cam gran- des go­los,fa­zem es­ton­te­an­tes fin­tas,acon­te­cem es­pan­to­sas de­fe­sas. Aqui o Ben­fi­ca não con­se­guiu o gran­de ob­je­ti­vo da épo­ca, a con­quis­ta do Pen­ta. E es­se tam­bém é um dos fac­tos do ano.

O fim do je­jum

Va­mos por par­tes e não ne­ces­sa­ri­a­men­te por or­dem cro­no­ló­gi­ca dos acon­te­ci­men­tos. Pas­sa­mos já pa­ra o pla­no desportivo, afi­nal aque­le que de­ve­ria con­su­mir ex­clu­si­va­men­te es­tas pá­gi­nas. O FC Por­to vi­veu du­ran­te qu­a­tro anos um iné­di­to je­jum de tí­tu­los des­de a che­ga­da ao po­der de Pin­to da Cos­ta, no iní­cio dos anos 80 do sé­cu­lo pas­sa­do. Du­ran­te três dé­ca­das, a par­tir de en­tão, a na­ção azul-e-bran­ca con­vi­veu sem­pre de per­to com o su­ces­so no fu­te­bol. To­cou o céu com con­quis­tas eu­ro­pei­as e mun­di­ais. Mas em 2013 a he­ge­mo­nia foi que­bra­da, com o iní­cio de um pe­río­do de qu­a­tro anos sem gló- ri­as. Pin­to da Cos­ta, mes­tre na ar­te de es­co­lher trei­na­do­res, pa­re­cia ter per­di­do o dom.de­pois da saí­da de Ví­tor Pe­rei­ra, co­ro­a­do com um bi­cam­pe­o­na­to,não acer­tou nas es­co­lhas de Pau­lo Fon­se­ca, Ju­len Lo­pe­te­gui, Nu­no Es­pí­ri­to San­to e Jo­sé Pe­sei­ro. Em 2017 vi­rou-se pa­ra França, e foi bus­car Sér­gio Con­cei­ção, um­fi­lho da ca­sa,ao Nan­tes.o téc­ni­co che­gou e dei­xou a sua im­pres­são di­gi­tal. Pe­gou nu­ma equi­pa que mais pa­re­cia um pa­ti­nho feio e pra­ti­ca­men­te sem re­for­ços fez de­la um be­lo cisne. Em maio de 2018 os‘fi­lhos do dra­gão’vol­ta­ram a can­tar e a dan­çar na ave­ni­da dos Ali­a­dos, na ce­le­bra­ção de um tí­tu­lo que va­lia mais do que is­so: im­pe­dia o ri­val Ben­fi­ca de ce­le­brar o ‘pen­ta’ e man­ti­nha o FC Por­to co­mo úni­ca equi­pa do fu­te­bol por­tu­guês a con­se­guir o fei­to. Con­cei­ção deu um pas­so fir­me ru­mo à ca­no­ni­za­ção no rei­no da na­ção azul-e-bran­ca. Já nes­ta épo­ca

es­tá a con­se­guir man­ter a pe­da­la­da. Não há cam­peões no in­ver­no, mas o FC Por­to che­ga ao fi­nal de 2018 em rit­mo de cru­zei­ro nas com­pe­ti­ções do­més­ti­cas e com a qua­li­fi­ca­ção pa­ra os oi­ta­vos de fi­nal da Cham­pi­ons as­se­gu­ra­da.

Ter­ror na Aca­de­mia

Hou­ve, con­tu­do, uma fi­gu­ra do fu­te­bol por­tu­guês de qu­em se fa­lou mais em 2018 do que de Sér­gio Con­cei­ção. Ou do que qual­quer ou­tra. Bru­no de Car­va­lho. O ex-pre­si­den­te do Spor­ting que quis ser o rei-sol em Alvalade e que ter­mi­nou co­mo um me­te­o­ri­to a des­pe­nhar-se com es­tron­do de en­con­tro ao pla­ne­ta. Bru­no cul­ti­vou um es­ti­lo pró­prio, as­sen­te na en­xur­ra­da ver­bal. Quis, a par­tir de de­ter­mi­na­do mo­men­to, ge­rir o clu­be a par­tir das re­des so­ci­ais e pa­gou por is­so. Os lon­gos e mui­tas ve­zes in­de­ci­frá­veis ‘posts’ no Fa­ce­bo­ok trans­for­ma­ram-se nu­ma ima­gem de mar­ca. Em abril, após uma­der­ro­ta do Spor­ting no ter­re­no do Atlé­ti­co Ma­drid,ar­ra­sou a equi­pa de fu­te­bol e apon­tou o de­do a vá- ri­os jo­ga­do­res nu­ma des­sas men­sa­gens pú­bli­cas. Em per­ma­nen­te cru­za­da con­tra o Mun­do, abriu uma fren­te de ba­ta­lha in­ter­na que se­ria a sua des­gra­ça. In­com­pa­ti­bi­li­zou-se com al­guns dos jo­ga­do­res mais sa­li­en­tes da equi­pa de fu­te­bol, co­mo Rui Pa­trí­cio ou Wil­li­am Car­va­lho. Um pro­ces­so que ha­ve­ria de cul­mi­nar co­main­va­são,por­par­te­deum gru­po de ale­ga­dos adep­tos com li­ga­ções a uma cla­que do clu­be, da Aca­de­mia de Al­co­che­te, na­que­le que foi um dos acon­te­ci­men­tos do ano. Jo­ga­do­res e téc­ni­cos fo­ram agre­di­dos em cli­ma de ter­ror. Se­gui­ram-se res­ci­sões ale­gan­do jus­ta cau­sa e mui­tos de­dos acu­sa­do­res apon­ta­ram na di­re­ção de Bru­no de Car­va­lho. Ajus­ti­ça di­rá até que pon­to foi ou não o au­tor mo­ral da in­va­são mas o tri­bu­nal for­ma­do pe­lo uni­ver­so spor­tin­guis­ta con­de­nou o seu pre­si­den­te. Exi­giu a sua de­po­si­ção e em as­sem­bleia ge­ral aca­bou por o des­ti­tuir, fei­to sem pre­ce­den­tes na his­tó­ria do clu­be.o an­ti­go pre­si­den­te Sou­sa Cin­tra jun­tou os ca­cos, ago­ra co­mo pre­si­den­te da SAD, num pe­río­do de tran­si­ção, e do pro- ces­so elei­to­ral que se se­guiu saiu ven­ce­dor Frederico Va­ran­das, ex-mé­di­co da equi­pa de fu­te­bol.

Luz: vi­si­tas in­có­mo­das

Um mal nun­ca vem só, diz o po­vo na sua pro­ver­bi­al sa­be­do­ria. O ano de 2018 não dei­xa sau­da­des da Luz, por vá­ri­os mo­ti­vos. Des­de lo­go, o pla­no desportivo. O ‘pen­ta’, de­síg­nio su­pre­mo de Luís Fi­li­pe Vi­ei­ra, foi fa­lha­do. A equi­pa de fu­te­bol não con­se­guiu jun­tar um quin­to tí­tu­lo aos qu­a­tro aver­ba­dos nos anos an­te­ri­o­res. Na Li­ga dos Cam­peões, a cam­pa­nha foi ca­la­mi­to­sa, com um re­cor­de ne­ga­ti­vo de seis der­ro­tas em seis jo­gos. Fo­ra das qu­a­tro li­nhas, a Po­lí­cia Ju­di­ciá­ria tor­nou-se o vi­si­tan­te mais in­có­mo­do do Es­tá­dio da Luz. Os pro­ces­sos E-toupeira e Ma­la Ci­ao minaram a re­pu­ta­ção do clu­be. No pri­mei­ro (tra­ta­do em de­ta­lhe nos Acon­te­ci­men­tos do Ano, nes­ta re­vis­ta), so­bre Pau­lo Gon­çal­ves, as­ses­sor ju­rí­di­co do Ben­fi­ca, re­caí­ram sus­pei­tas de ali­ci­a­men­to a dois fun­ci­o­ná­ri­os ju­di­ci­ais com o ob­je­ti­vo de ob­ter in­for­ma­ções so­bre o an­da­men­to de ou­tro pro­ces­so que já vi­nha de trás, o ca­so dos E-mails. No Ma­la Ci­ao, tu­do nas­ceu de uma in­ves­ti­ga­ção do Cor­reio da Ma­nhã, que con­du­ziu à sus­pei­ta de que o Ben­fi­ca te­ria ale­ga­da­men­te su­bor­na­do atle­tas de di­ver­sos clu­bes pa­ra ven­ce­rem o FC Por­to. 2018 foi ain­da ano de Mun­di­al de fu­te­bol. Sem his­tó­ria pa­ra Por­tu­gal. Os oi­ta­vos de fi­nal sou­be­ram a pou­co pa­ra qu­em se apre­sen­ta­va co­mo cam­peão da Eu­ro­pa.

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