Correio da Manha

Ventos cruzados

- Pedro Santana Lopes Presidente da CM da Figueira da Foz e comentador CMTV

Se Aníbal Cavaco Silva procura apoiar Luís Montenegro, tanto quanto dizem alguns testemunho­s do próprio em aparições públicas e algumas informaçõe­s que vão circulando, poderá informá-lo do que não lhe aconteceu com o X Governo Constituci­onal entre 1985 e 87, o que está a acontecer agora com o Governo de Luís Montenegro. A oposição pode ter-se juntado em matérias, no geral, mais secundária­s e ter contrariad­o a posição do Governo de então nalguns temas pouco relevantes. Mas aqui, no espaço de poucos dias, estamos a falar de matéria de impostos, nomeadamen­te de impostos sobre o rendimento do trabalho e de portagens nas Scut e, portanto, receitas orçamentai­s. O Partido Socialista e o Chega podem confirmar ou desmentir, mas o que importa é falar de factos. E, factualmen­te, a verdade é que votaram em conjunto contra o Governo. Vão existindo outros sinais, de que se falará a seu tempo, sobre essa convergênc­ia objetiva. Ideologica­mente, nada têm que ver uns com os outros, mas também quando António Guterres era primeiro-ministro nada tinha que ver com o CDS de Manuel Monteiro, que o PS dizia que era profundame­nte reacionári­o e direitista, e, no entanto, Guterres encontrava-se com Manuel Monteiro para acertarem a viabilizaç­ão de um orçamento de estado. Voltando a este Parlamento, as portas que foram abertas com estas duas votações rapidament­e se transforma­m em alamedas por onde pode passar a ação de uma oposição sem receio de uma crise. Diz-se que o novo Primeiro-Ministro pretende eleições, mas é bom lembrar que nos primeiros 6 meses da Legislatur­a isso não pode acontecer. Por isso, pelo menos até outubro, não poderá haver dissolução e, portanto, até janeiro, não poderão ocorrer novas eleições. Ou seja, este governo estará em funções, pelo menos até março. Poderia o Governo cair antes e o Presidente da República nomear um novo

PS e o Chega podem confirmar ou desmentir. A verdade é que votaram em conjunto contra o Governo.

Primeiro-Ministro, mas aí seria um cenário mais complicado, porque, salvo acordo com o Chega, esse governo não passaria no Parlamento e ficaria o PS em gestão até ao ato eleitoral. Lembremo-nos que existirão regionais na Madeira, no próximo dia 26 de maio, e aí poderemos ter uma aferição do sentido em que sopram os ventos dominantes. Mas que as gaivotas estão a vir para terra, tenho ideia que sim, e cada vez em maior número.

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