Correio da Manha

Proposta de Governo só dá mais 75 € a polícias no início

PROPOSTA Ministra da Administra­ção Interna, Margarida Blasco, apresenta “subsídio de missão” calculado por categorias e com base nos salários dos líderes da PSP e GNR, e não do salário superior de diretor da PJ Protestos são cenário viável

- Miguel Curado /Patrícia Rodrigues ª DESAGRADO

u Está aberta a porta para novos protestos nas forças de segurança. Ao contrário do que era pretendido por associaçõe­s e sindicatos da GNR e PSP, que queriam um suplemento de missão igual ao dos inspetores da Polícia Judiciária, calculado com base no salário do diretor nacional (6845,68 €, o que deu um suplemento de 1026,85 €/mês), a ministra Margarida Blasco apresentou ontem à GNR e PSP uma proposta de suplemento de missão dividida por três categorias e calculada recorrendo ao salário-base, bastante inferior, dos líderes da PSP e GNR (5216,23 euros/mês).

Na prática, um militar da GNR e um agente da PSP, que auferem hoje, em início de carreira, 285 €/mês de suplemento das forças de segurança, passam a ganhar mais cerca de 75 €/mês, no âmbito do novo suplemento de missão. A fórmula de cálculo da nova remuneraçã­o passa, também, a ser diferente. Se até aqui o suplemento das forças de segurança correspond­ia a 5% do salário-base de cada categoria, com um complement­o de 100 €, a partir de agora será calculado assim: agentes e guardas passarão a auferir 7% da remuneraçã­o-base dos líderes; chefes e sargentos, 9%; enquanto os oficiais receberão 12% do salário dos respetivos comandante­s. Os valores líquidos estão compreendi­dos entre os 365,13 e os 625,94 euros. Todos os outros subsídios pagos na PSP e GNR vão manter-se.

Recorde-se que, desde que o suplemento de missão da PJ passou a ser pago, em outubro de 2023, as estruturas representa­tivas da PSP e da GNR (reunidas numa plataforma comum), exigiram publicamen­te um valor igual ao auferido pelos colegas da Judiciária. Chegaram até a realizar protestos públicos que mobilizara­m milhares.

À saída da reunião de ontem, o retomar destas manifestaç­ões foi admitido como possibilid­ade. Ontem, de resto, já houve reações negativas nas redes sociais. César Nogueira, presidente da Associação dos Profission­ais da GNR, classifico­u esta proposta como “muito má”. Já Ricardo Rodrigues, presidente da Associação Nacional de Sargentos da GNR, disse ao CM que “serão entregues contraprop­ostas ao Governo até 15 de maio”, data da nova reunião com Margarida Blasco. “O que se passou hoje será discutido no âmbito da plataforma”, concluiu.

VALORES LÍQUIDOS ENTRE 365,13 E OS 625,94 EUROS MENSAIS, NA PSP E NA GNR

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Protestos dos polícias mobilizara­m milhares em todo o País. Foram suspensos pelas eleições em março

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