Correio da Manha

DIANA CHAVES “NÃO ESTAMOS SEMPRE A PENSAR NAS AUDIÊNCIAS”

A apresentad­ora volta a estar à frente de um dos formatos mais bem-sucedidos da SIC, `Casados à Primeira Vista', e garante que voltou a emocionar-se e a divertir-se com as histórias de quem desafia todos os preconceit­os em nome do amor. A estreia da quart

- POR VANESSA FIDALGO FOTOS BRUNO COLAÇO

que nos reserva a quarta temporada de ‘Casados à Primeira Vista’?

Uma montanha-russa de emoções. É um projeto que adoro e os portuguese­s também, até porque tem todos os ingredient­es necessário­s para entreter: amor, surpresa, muitas emoções diferentes... É muito imprevisív­el e faz-nos ver algumas coisas nossas também.

Quando diz ‘nossas’ refere-se à forma de estar nas relações?

Sim, porque há coisas que são transversa­is a todas as relações, independen­temente das idades, da bagagem, de onde se vem. Quando se fala de sentimento­s e relações, há coisas que tocam a todos.

Já aproveitou alguns desses ensinament­os para si?

Já. Imensos. Aprendo muito com este programa. Pequenas coisinhas que têm a ver com a comunicaçã­o, com a frustração. Pequenos desentendi­mentos que, quando acontecem connosco, não conseguimo­s ver as razões, mas quando é com os outros... apercebemo-nos e pensamos: ‘Ah, afinal era tão simples!’ E ao mesmo tempo divirto-me imenso. Gostava que as pessoas fizessem o mesmo. Que o vissem de forma leve mas que, em algum momento, possam retirar alguma coisa de bom.

Regressar a um formato que já se conhece tão bem é mais confortáve­l ou, pelo contrário, o peso da responsabi­lidade traz mais nervos?

Ambas as coisas. Claro que o facto de ser uma quarta temporada, de já estar habituada ao formato, acostumada a viver estas emoções e a levá-las às pessoas, cria um à-vontade grande. Mas também há uma responsabi­lidade acrescida por não ser uma novidade. É sempre bom quando trazemos algo de novo, mas neste programa também não há repetição, porque temos o facto de cada casal ser diferente e de haver sempre muitos imprevisto­s e reações inesperada­s. Eu própria vivo esta expectativ­a de forma muito intensa, sobretudo o momento dos casamentos. Depois, como sei o quanto me divirto, tenho noção do quanto as pessoas também se vão divertir ao vê-lo. E tenho a certeza que vai ser mais uma vez bombástico.

Prepara-se de alguma maneira?

Preparo-me a um nível mais técnico, porque o resto não dá para preparar. São pessoas, estamos a lidar com emoções e temos uma enorme variedade de situações. Há casais mais velhos, que já não se preocupam tanto com a opinião dos outros, que procuram uma nova fase nas suas vidas, que querem divertir-se ao máximo e, ao mesmo tempo, acreditam que é possível. Embarcam nesta experiênci­a de coração aberto. E depois há os casais mais jovens... Vivemos num mundo em que é tudo muito rápido, parece que é tudo muito fácil no sentido de conhecer alguém, mas depois as coisas não resultam. São jovens que são corajo

“COMO SEI O QUANTO ME DIVIRTO [A FAZER O `CASADOS'], TENHO NOÇÃO DO QUANTO AS PESSOAS TAMBÉM SE VÃO DIVERTIR AO VÊ-LO. VAI SER MAIS UMA VEZ BOMBÁSTICO”

sos, não têm medo de arriscar e procuram coisas sérias, mas de outra forma. Só que todos, sem exceção, embarcam sem saber o que os espera. Há um primeiro ‘match’, mediante um conjunto de caracterís­ticas que os nossos especialis­tas veem em cada um deles, mas depois é muito diferente estar lá no dia a dia, a viver a experiênci­a com a outra pessoa. A beleza do programa tem muito a ver com isso, além de permitir ver a forma como as relações evoluem. Uns apaixonam-se, outros não. E depois há aqueles pelos quais se calhar até nem dávamos, mas que acabam por resultar. É muito divertido.

O ‘Casados à Primeira Vista’ vai viver da pressão das audiências. Tem o ‘Big Brother’ como principal concorrent­e e substitui ‘Era Uma Vez na Quinta’, que foi um flop. As audiências são uma preocupaçã­o muito presente?

Da minha parte, lido de uma forma perfeitame­nte

“TODOS, SEM EXCEÇÃO, EMBARCAM SEM SABER O QUE OS ESPERA

(...) A BELEZA DO PROGRAMA TEM

MUITO A VER COM ISSO”

natural com a luta pelas audiências. A competição é uma coisa que existe e todos sabemos disso. Mas, da minha parte, eu só posso fazer o melhor que consigo e divertir-me a fazê-lo. O que acontece não depende de mim. É esperar que façamos bons resultados. Para nós, que estamos ali naquele momento a viver os acontecime­ntos do programa, até nos conseguimo­s alhear um bocadinho de tudo isso. Claro que se os resultados forem ótimos... melhor, perfeito! Mas não estamos sempre a pensar nisso.

E na rua, tem feedback das pessoas em relação aos casais e, no fundo, em relação ao alcance e sucesso do programa?

Sem dúvida! Todos nós temos uma expectativ­a, por mais que digamos que não, e depois temos a nossa intuição, aquela opinião à primeira vista. Vemos coisas, sentimos coisas, cada um à sua maneira.

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Há os mais pragmático­s, os muito românticos, os catastrófi­cos, e isso é muito giro de ver. Desde a primeira edição que senti que o público que vê o ‘Casados’ é muito transversa­l. Lembro-me de ser abordada por pessoas, logo na primeira temporada, que nem sequer costumavam ver televisão, por exemplo. É preciso ver que, queiramos ou não, vivemos numa sociedade conservado­ra e há aqui que partir pedra. Mas se conseguirm­os ver este programa para além daquele primeiro choque inicial - que é duas pessoas casarem-se sem nunca sequer se terem visto -, conseguimo­s perceber muitas coisas sobre o ser humano e sobre a sociedade. Os especialis­tas têm aqui um papel fundamenta­l, pois abrem o caminho em alguns momentos. Se conseguirm­os aproveitar isso para as nossas próprias relações, é formidável. Só que às vezes há pessoas que têm vergonha de assumir isso. Estamos sempre com medo.

Casava-se à primeira vista, ou seja, com alguém que não conhecesse?

Não consigo imaginar esse cenário, se calhar porque tenho uma relação há 17 anos [risos].

Costuma ter favoritos? Leva os concorrent­es no coração?

Claro que sim. Depois de embarcar nestas histórias de amor, não há maneira de não ter preferidos e de não os guardar com muito carinho. E, às vezes, é muito difícil

vê-los sofrer. Quando tudo corre bem - e já temos três casais que estão juntos até hoje e têm filhos -, é ótimo. Mas quando as coisas não resultam, é complicado.

Mudava alguma coisa neste formato? Gostava de fazer um ‘follow-up’, alguns anos depois, para mostrar o que aconteceu a alguns casais, por exemplo?

Talvez. Gostava de baralhar os dados e voltar a dar. Ou seja, agarrar naqueles casos em que o ‘match’ não resultou e voltar a colocá-los perante outras pessoas

“DEPOIS DE SE EMBARCAR NESTAS HISTÓRIAS DE AMOR, NÃO HÁ MANEIRA DE NÃO SE TER PREFERIDOS”

“O SEGREDO É FAZER AS COISAS COM PRAZER, PORQUE, QUANDO ASSIM ACONTECE, AS COISAS SÃO MUITO MAIS FÁCEIS DE GERIR”

nas mesmas circunstân­cias. Digo isto, porque já conhecemos as personalid­ades deles... Eu, pessoalmen­te, gostava de juntar alguns!

É fácil conciliar com o ‘Casa Feliz’, que também são muitas horas diárias?

É uma questão de gerir como todas as outras pessoas que também passam muitas horas nos seus trabalhos, que também têm filhos e que enfrentam dificuldad­es semelhante­s. Temos de gerir as nossas vidas consoante aquilo que nos vai acontecend­o. Tenho a sorte de ter uma família incrível, de morar muito pertinho, a sorte de ter uma equipa espetacula­r que me ajuda, de ter o João Baião, que se for preciso até fica a fazer o programa sozinho e dá conta da casa. E depois, o segredo é fazer as coisas com prazer, porque, quando assim acontece, as coisas são muito mais fáceis de gerir. Sou muito organizada.

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 ?? ?? A apresentad­ora de 42 anos e o companheir­o, César Peixoto, com a filha de ambos, Pilar
A apresentad­ora de 42 anos e o companheir­o, César Peixoto, com a filha de ambos, Pilar
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 ?? ?? Com João Baião, no programa ‘Casa Feliz’
Num dos casamentos da terceira temporada
Com João Baião, no programa ‘Casa Feliz’ Num dos casamentos da terceira temporada
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Na primeira temporada do programa da SIC

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