Go­ver­no ro­me­no tre­me mas ga­ran­te a pre­si­dên­cia da UE

Edição Público Lisboa - - POLÍTICA - Ma­nu­el Lou­ro

En­tre a des­con­fi­an­ça de Bru­xe­las re­la­ti­va­men­te à lu­ta con­tra a cor­rup­ção de Bucareste, de­mis­sões de mi­nis­tros e a per­da de mai­o­ria na Câ­ma­ra de De­pu­ta­dos, o Go­ver­no ro­me­no tre­me den­tro de por­tas. E a pre­si­dên­cia ro­me­na da União Eu­ro­peia che­gou a ser­vir de ar­ma de ar­re­mes­so in­ter­na. Pa­ra tra­tar de to­dos os pro­ble­mas que tem em mãos, a pri­mei­ra-mi­nis­tra Vi­o­ri­ca Dan­ci­la e o lí­der dos so­ci­a­lis­tas ro­me­nos não vêm a Lisboa pa­ra o Con­gres­so do Par­ti­do So­ci­a­lis­ta Eu­ro­peu.

A 1 de Ja­nei­ro a Ro­mé­nia as­su­me a pre­si­dên­cia ro­ta­ti­va do Con­se­lho da UE. E o man­da­to de seis me­ses não se­rá co­mo qual­quer ou­tro. Em Maio há eleições eu­ro­pei­as e o “Brexit” ca­mi­nha pa­ra a sua fa­se de­ci­si­va.

Na quar­ta-fei­ra, o Go­ver­no de Bucareste foi a Bru­xe­las e de lá saiu a ga­ran­tia que es­tá tu­do a pos­tos pa­ra o man­da­to ro­me­no. O pre­si­den­te da Co­mis­são Eu­ro­peia, Je­an-Clau­de Junc­ker, as­se­gu­rou que a Ro­mé­nia es­tá “bem pre­pa­ra­da” pa­ra as­su­mir a ta­re­fa, nu­ma con­fe­rên­cia de imprensa con­jun­ta com Dan­ci­la.

Mas o ca­mi­nho até aqui foi no mínimo atri­bu­la­do. O te­ma da cor­rup­ção é in­con­tor­ná­vel. Fo­ram já vá­ri­os os po­lí­ti­cos atin­gi­dos por ca­sos ju­di­ci­ais. In­cluin­do Li­viu Drag­nea, um dos po­lí­ti­cos mais influentes do país, lí­der do par­ti­do no po­der, o Par­ti­do So­ci­al De­mo­cra­ta (PSD, so­ci­a­lis­ta), e que é nes­te mo­men­to pre­si­den­te da Câ­ma­ra dos De­pu­ta­dos. Em 2016 foi con­de­na­do a dois anos de pri­são com pe­na sus­pen­sa por frau­de elei­to­ral e foi im­pe­di­do de se can­di­da­tar a pri­mei­ro-mi­nis­tro.

Pa­ra além de mo­ti­va­rem as mai­o­res ma­ni­fes­ta­ções em anos, os ca­sos de cor­rup­ção le­va­ram a um aper­ta­do cer­co de Bru­xe­las. Num re­la­tó­rio pu­bli­ca­do a 13 de No­vem­bro, a Co­mis­são Eu­ro­peia iden­ti­fi­cou re­tro­ces­sos na lu­ta con­tra a cor­rup­ção, te­men­do um re­tro­ces­so de­mo­crá­ti­co à se­me­lhan­ça da Hun­gria ou Po­ló­nia.

O pró­prio Frans Tim­mer­mans, can­di­da­to do gru­po dos So­ci­a­lis­tas e De­mo­cra­tas (S&D) no Par­la­men­to Eu­ro­peu à pre­si­dên­cia da Co­mis­são Eu­ro­peia, e que es­ta­rá em Lisboa pa­ra o con­gres­so, foi um dos mais crí­ti­cos à ac­tu­a­ção de Bucareste.

Junc­ker dis­se que o Es­ta­do de di­rei­to na Ro­mé­nia e a sua pre­si­dên­cia da UE são te­mas se­pa­ra­dos, mas aca­bou por acres­cen­tar: “Quan­to mais a Ro­mé­nia me­lho­rar o Es­ta­do de di­rei­to e a lu­ta con­tra a cor­rup­ção, mais fá­cil se­rá a sua pre­si­dên­cia”.

To­do es­te ce­ná­rio gerou uma cri­se po­lí­ti­ca. O Pre­si­den­te Klaus Iohan­nis, lí­der do Par­ti­do Na­ci­o­nal Li­be­ral (da opo­si­ção), dis­se em No­vem­bro que o país não es­ta­va pre­pa­ra­do pa­ra as­su­mir a pre­si­dên­cia da UE, e ape­lou à de­mis­são da pri­mei­ra-mi­nis­tra. Mais tar­de re­cu­ou.

No ano pas­sa­do, o ex-pri­mei­ro-mi­nis­tro Vic­tor Pon­ta saiu do PSD e fun­dou um no­vo par­ti­do, o Par­ti­do Pro Ro­mé­nia. E es­ta se­ma­na quatro de­pu­ta­dos so­ci­a­lis­tas jun­ta­ram-se a ele. Is­to fez com que a co­li­ga­ção par­la­men­tar que sus­ten­ta o Go­ver­no (PSD e Ali­an­ça de Li­be­rais e De­mo­cra­tas, cen­tro-direita), es­te­ja dois de­pu­ta­dos abai­xo da mai­o­ria. A opo­si­ção ga­ran­te ter con­quis­ta­do a mai­o­ria e pede a que­da do Go­ver­no. ma­nu­el.lou­[email protected]­bli­co.pt

ERIC VI­DAL/REUTERS

Vi­o­ri­ca Dan­ci­la não vem a Lisboa

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