Do­a­ções já fei­tas fi­cam anó­ni­mas, as no­vas não

Proposta do Blo­co que prevê 20 di­as após o par­to pa­ra a ges­tan­te de­ci­dir se fi­ca com o be­bé bai­xou à co­mis­são sem vo­ta­ção

Edição Público Lisboa - - POLÍTICA - Procriação as­sis­ti­da Ma­ria Lo­pes

As do­a­ções de es­per­ma, óvu­los e em­briões fei­tas até 24 de Abril des­te ano, da­ta em que o Tribunal Cons­ti­tu­ci­o­nal (TC) con­si­de­rou in­cons­ti­tu­ci­o­nais al­gu­mas nor­mas da lei da Procriação Me­di­ca­men­te As­sis­ti­da (PMA), con­ti­nu­a­rão sob ano­ni­ma­to. Mas os cidadãos que nas­ce­rem com gâ­me­tas ou em­briões do­a­dos de­pois des­sa da­ta po­de­rão, ca­so quei­ram co­nhe­cer a iden­ti­da­de civil do ou da da­do­ra, pe­dir es­sa in­for­ma­ção ao Con­se­lho Na­ci­o­nal de Procriação Me­di­ca­men­te As­sis­ti­da (CNPMA), des­de que te­nham ida­de igual ou su­pe­ri­or a 16 anos.

O Par­la­men­to apro­vou on­tem à tar­de os pro­jec­tos do Blo­co, PSD, PS, PCP e PAN que pre­vêem um re­gi­me de tran­si­ção pa­ra as re­gras de con­fi­den­ci­a­li­da­de e iden­ti­fi­ca­ção civil dos da­do­res. O CDS-PP vo­tou con­tra to­dos os pro­jec­tos, as­sim co­mo me­ta­de da ban­ca­da so­ci­al-de­mo­cra­ta, ale­gan­do que são “in­cons­ti­tu­ci­o­nais”, por vi­o­la­rem “fla­gran­te e cla­mo­ro­sa­men­te” o prin­cí­pio da igual­da­de. Me­ta­de da ban­ca­da so­ci­al-de­mo­cra­ta tam­bém vo­tou con­tra.

O acór­dão do TC de­ter­mi­nou o fim do ano­ni­ma­to dos da­do­res, o que fez com que o ma­te­ri­al já cri­o­pre­ser­va­do, re­sul­tan­te de do­a­ções fei­tas an­tes des­ta al­te­ra­ção, não pu­des­se ser usa­do sem que os da­do­res au­to­ri­zas­sem o le­van­ta­men­to do ano­ni­ma­to. Po­rém, co­mo al­guns não o acei­ta­ram e nou­tros ca­sos não foi nem é pos­sí­vel con­tac­tá-los, o CNPMA e a Associação Por­tu­gue­sa de Fer­ti­li­da­de che­ga­ram a aler­tar pa­ra a ne­ces­si­da­de de sus­pen­são de mui­tos tra­ta­men­tos com re­cur­so a ma­te­ri­al do­a­do. O que che­gou de fac­to a acon­te­cer com ca­sos de mu­lhe­res que es­ta­vam já a pre­pa­rar--se pa­ra po­de­rem en­gra­vi­dar com re­cur­so à PMA.

Se­gu­ran­ça jurídica

Se a si­tu­a­ção des­sas mu­lhe­res po­de­rá ter solução mais rá­pi­da, os ca­sos de re­cur­so à ges­ta­ção de subs­ti­tui­ção — co­nhe­ci­da co­mo “bar­ri­gas de alu­guer” — de­ve­rão de­mo­rar mais tem­po. Por­que bai­xou à es­pe­ci­a­li­da­de por 45 di­as o pro­jec­to de lei do Blo­co que pre­ten­dia res­pon­der à de­cla­ra­ção de in­cons­ti­tu­ci­o­na­li­da­de so­bre a se­gu­ran­ça jurídica da ges­tan­te de subs­ti­tui­ção, à qual não era per­mi­ti­do, por exem­plo, re­vo­gar o contrato em que ab­di­ca­va de uma sé­rie de di­rei­tos fun­da­men­tais até à entrega da cri­an­ça, ou so­bre as con­di­ções de nu­li­da­de do contrato.

O Blo­co pro­põe, por exem­plo, que a ges­tan­te te­nha até ao fi­nal do pra­zo le­gal­men­te pre­vis­to pa­ra o re­gis­to de nas­ci­men­to da cri­an­ça, ou seja, 20 di­as, pa­ra de­ci­dir fi­car com ela. Es­ta foi a solução de com­pro­mis­so a que os blo­quis­tas se obri­ga­ram pa­ra ten­tar fa­zer pas­sar a lei.

PS e Blo­co mul­ti­pli­ca­ram-se em crí­ti­cas ao CDS e a al­guns de­pu­ta­dos do PSD que se jun­ta­ram pa­ra pe­dir a fis­ca­li­za­ção da cons­ti­tu­ci­o­na­li­da­de do di­plo­ma. Mas no PSD, mes­mo en­tre de­pu­ta­dos que vo­ta­ram a fa­vor das “bar­ri­gas de alu­guer” em 2016, le­van­ta­ram-se dú­vi­das so­bre es­ta ex­ten­são do pra­zo pa­ra que a ges­tan­te re­cue na sua de­ci­são, lem­bran­do até que o re­gis­to da cri­an­ça po­de­rá ser fei­to, mes­mo con­tra a von­ta­de da mãe, pe­lo seu com­pa­nhei­ro.

Os cen­tris­tas vi­ram ser re­cu­sa­do o seu pro­jec­to de re­so­lu­ção, que pro­pu­nha o au­men­to de três pa­ra cin­co os ci­clos de tra­ta­men­tos de PMA com­par­ti­ci­pa­dos pe­lo SNS. ma­ria.lo­[email protected]­bli­co.pt

Pro­pos­tas se­rão de­ba­ti­das em co­mis­são du­ran­te 45 di­as

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