Mor­reu o lí­der dos his­tó­ri­cos Buzz­cocks

Pe­gou na ener­gia do punk e in­jec­tou-lhe do­ses ge­ne­ro­sas de sa­be­do­ria pop

Edição Público Lisboa - - CULTURA - Obi­tuá­rio Pedro Ri­os

Pe­te Shel­ley, vo­ca­lis­ta, gui­tar­ris­ta e lí­der dos Buzz­cocks, uma das mais re­le­van­tes e in­flu­en­tes ban­das da pri­mei­ra va­ga do punk rock in­glês, mor­reu na quin­ta­fei­ra na Es­tó­nia, on­de vi­via. Pe­ter McNeish, o seu ver­da­dei­ro no­me, tinha 63 anos e, se­gun­do a BBC, mor­reu de ata­que car­día­co.

“A mú­si­ca do Pe­te ins­pi­rou ge­ra­ções de mú­si­cos du­ran­te uma car­rei­ra de cin­co dé­ca­das. Com a sua ban­da e co­mo ar­tis­ta a so­lo, era ti­do em al­ta con­si­de­ra­ção pe­la in­dús­tria da mú­si­ca e pe­los seus fãs es­pa­lha­dos pe­lo mun­do”, re­a­gi­ram os Buzz­cocks, ban­da for­ma­da em Bol­ton, na Gran­de Man­ches­ter, em 1976, nas re­des so­ci­ais.

Can­ções co­mo Ever fal­len in lo­ve (with so­me­o­ne you shouldn’t’ve) ou Or­gasm ad­dict re­ve­la­ram uma ban­da ins­pi­ra­da pe­la ener­gia crua do punk, mas com um apu­ro pop que con­tem­po­râ­ne­os co­mo os Sex Pis­tols re­jei­ta­vam. Foi, con­tu­do, de­pois de ve­rem os Pis­tols ao vi­vo que Shel­ley e Howard De­vo­to (am­bos voz e gui­tar­ra) de­ci­di­ram fun­dar a ban­da, com Ste­ve Dig­gle (bai­xo) e John Maher (ba­te­ria).

E se­ria co­mo gru­po de aber­tu­ra da ban­da de Johnny Rot­ten e Sid Vi­ci­ous que os Buzz­cocks se es­tre­a­ri­am ao vi­vo, em Man­ches­ter, em 1976.

“As le­tras ora en­gra­ça­das, ora an­gus­ti­a­das de Shel­ley so­bre a ado­les­cên­cia e o amor fo­ram al­gu­mas das me­lho­res e mais es­per­tas da sua era; igual­men­te, as me­lo­di­as dos Buzz­cocks e os seus gan­chos eram con­ci­sos e me­mo­rá­veis”, re­fe­re o AllMu­sic.

An­tes dos Buzz­cocks, Shel­ley to­cou gui­tar­ra em ban­das de he­avy me­tal de que não re­za a his­tó­ria. Na uni­ver­si­da­de, co­nhe­ceu a mú­si­ca elec­tró­ni­ca (de­pois dos Buzz­cocks, ex­pe­ri­men­ta­ria a so­lo com te­cla­dos e rit­mos ma­qui­nais — ou­ça-se a can­ção Ho­mo­sa­pi­en, de 1981), os Sto­o­ges e os Vel­vet Un­der­ground.

O EP de es­treia Spi­ral Scrat­ch (1977, edi­ta­do pe­la New Hor­mo­nes) foi o pri­mei­ro ál­bum lan­ça­do de for­ma in­de­pen­den­te da era punk — o que ins­pi­rou um ba­ta­lhão de ar­tis­tas que to­ma­ri­am as ré­de­as do pro­ces­so cri­a­ti­vo e de dis­tri­bui­ção nos anos vin­dou­ros.

“O punk é ape­nas uma ideia que le­vou as pes­so­as a fa­zer mui­tas coi­sas di­fe­ren­tes. Pa­ra mim foi fa­zer mú­si­ca. Mas é tão re­le­van­te co­mo ideia ago­ra do que na al­tu­ra. É uma ideia re­vo­lu­ci­o­ná­ria. O so­nho ame­ri­ca­no ain­da po­de ins­pi­rar as pes­so­as. O punk po­de ins­pi­rar as pes­so­as a se­rem cri­a­ti­vas, a se­rem par­ti­ci­pan­tes ac­ti­vos em vez de con­su­mi­do­res pas­si­vos”, dis­se à Pit­ch­fork Pe­te Shel­ley em 2009.

Com a saí­da de Howard De­vo­to (for­ma­ria os Magazine), Shel­ley as­su­miu o pa­pel de vo­ca­lis­ta prin­ci­pal dos Buzz­cocks. Another Mu­sic in a Dif­fe­rent Kit­chen (1978), o pri­mei­ro ál­bum, é uma co­lec­ção de can­ções ima­cu­la­das (What do I get?, I don’t mind e os seus ma­ra­vi­lho­sos co­ros, a ca­val­ga­da eléc­tri­ca de Au­to­nomy), en­tre a ex­ci­ta­ção punk e a me­lo­dia da pop.

Ten­sões na ban­da e con­fli­tos com a edi­to­ra EMI di­ta­ri­am o fim da ban­da, em 1981. Shel­ley ini­ci­ou de ime­di­a­to uma car­rei­ra a so­lo, en­tre a new wa­ve e a pop de sin­te­ti­za­do­res. Os Buzz­cocks vol­ta­ri­am à vi­da em 1989 e lan­ça­ri­am em 2014 o úl­ti­mo ál­bum, The Way. pedro.ri­[email protected]­bli­co.pt

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