A lí­der da opo­si­ção, se­gun­do Cos­ta

Edição Público Lisboa - - DESTAQUE -

Rui Rio as­su­miu a li­de­ran­ça do mai­or par­ti­do da opo­si­ção mas, no Par­la­men­to, on­de o so­ci­al-de­mo­cra­ta não tem as­sen­to, An­tó­nio Cos­ta es­co­lheu As­sun­ção Cris­tas co­mo lí­der des­sa mes­ma opo­si­ção. Nos de­ba­tes quin­ze­nais, é com a cen­tris­ta que as con­ver­sas mais fa­cil­men­te aze­dam e que as dis­cus­sões são mais ace­sas. Fo­ra da As­sem­bleia, num co­mí­cio do PS, o se­cre­tá­rio-ge­ral dos so­ci­a­lis­tas che­gou a re­fe­rir-se à lí­der do CDS co­mo “aque­la se­nho­ra” e foi du­ra­men­te cri­ti­ca­do.

Mas se Cos­ta tra­ta Cris­tas com a vi­ru­lên­cia com que se tra­ta o che­fe da opo­si­ção, is­so não se­rá alheio ao fac­to de a cen­tris­ta se ter as­su­mi­do co­mo a úni­ca al­ter­na­ti­va ao PS. E a ver­da­de é que a lí­der do CDS não faz pau­sas nos ata­ques ao Go­ver­no. No Cor­reio da Manhã, es­cre­ve fre­quen­te­men­te ar­ti­gos crí­ti­cos que ir­ri­tam o pri­mei­ro-ministro. “Vos­sa ex­ce­lên­cia, ao es­tar na po­lí­ti­ca co­mo es­tá, é que se des­qua­li­fi­ca pa­ra qual­quer con­sen­so”, dis­se Cos­ta num de­ba­te, acu­san­do Cris­tas de se ser­vir dos “ar­ti­go­zi­nhos que pu­bli­ca na co­mu­ni­ca­ção so­ci­al” pa­ra “re­cor­rer ao in­sul­to”.

A pos­tu­ra pú­bli­ca que Cos­ta man­tém re­la­ti­va­men­te a Rui Rio é dis­tin­ta. Ao lon­go des­te úl­ti­mo ano, pou­cas ve­zes se ou­viu o pri­mei­ro-ministro cri­ti­car o lí­der do PSD e vi­ce-ver­sa. Pe­lo con­trá­rio, an­tes de Rio to­mar pos­se, Cos­ta li­gou-lhe a fe­li­ci­tá-lo pe­la elei­ção e dis­se que não iria ser di­fí­cil pa­ra ele fa­zer me­lhor do que Pe­dro Pas­sos Co­e­lho. Re­cor­de-se ain­da que, en­quan­to lí­der, Rio en­con­trou-se pri­mei­ro com Cos­ta e só de­pois com Cris­tas e que che­gou a as­si­nar dois acor­dos com o Go­ver­no so­bre des­cen­tra­li­za­ção e fun­dos es­tru­tu­rais.

Qual é, en­tão, a fi­na­li­da­de do PSD? É ser mais uma mu­le­ta do PS ou é ser a al­ter­na­ti­va ao PS?

S.S.

Luís Mon­te­ne­gro 18 de Abril de 2018 Car­los Car­rei­ras 22 de Agos­to de 2018 Mar­ques Men­des 4 de Se­tem­bro de 2018 Mi­guel Mor­ga­do 7 de Se­tem­bro de 2018

Al­guns opo­si­to­res de Rui Rio acu­sam-no de usar as re­des so­ci­ais pa­ra per­se­guir os crí­ti­cos. Ou­tros, co­mo Luís Mon­te­ne­gro, di­zem que não faz opo­si­ção ao Go­ver­no e ao PS. Pe­lo me­nos no Twit­ter, não é ver­da­de. A con­ta tem si­do usa­da es­pe­ci­al­men­te pa­ra cri­ti­car o executivo e as su­as po­lí­ti­cas. Ao lon­go de qua­se um mês e meio, o lí­der do PSD usou a con­ta qua­se to­dos di­as. Não de uma for­ma mui­to in­ten­sa. Mais ao me­nos à mé­dia de uma, du­as men­sa­gens por dia. Mas des­de o dia 7 des­te mês, qu­an­do a cri­se no PSD co­me­çou a en­du­re­cer, a con­ta fi­cou muda.

Rui Rio che­gou à re­de so­ci­al a 1 de De­zem­bro do ano pas­sa­do di­zen­do ao que vi­nha: “Dou ho­je iní­cio ao meu Twit­ter Ofi­ci­al. Na­da me­lhor que o dia da Res­tau­ra­ção pa­ra o fa­zer. Por­que es­tou aqui por Por­tu­gal! #Pri­mei­roPor­tu­gal.”

Nos pri­mei­ros cin­co di­as, o lí­der do PSD usou a con­ta (@RuiRi­oPSD) pa­ra fa­lar so­bre a vi­da in­ter­na do par­ti­do — tem­po de an­te­na, ho­me­na­gem a Sá Car­nei­ro, reu­niões do par­ti­do. Ele, ou quem por si ali­men­ta a con­ta, re­ve­lou al­gum co­nhe­ci­men­to do uso téc­ni­co da re­de, já que os seis pri­mei­ros tex­tos vi­nham acom­pa­nha­dos de fotografias ou ví­de­os.

On­de an­da o PSD, o seu lí­der e os seus “vi­ces”? Emi­gra­ram, já dei­ta­ram de­fi­ni­ti­va­men­te a to­a­lha ao ta­pe­te? É um er­ro de prin­ci­pi­an­te res­pon­der aos ad­ver­sá­ri­os in­ter­nos. Não é o me­lhor ca­mi­nho O PSD não tem do­nos nem po­de ser um par­ti­do de ex­pul­sões, ci­sões e saí­das. De­ve ser um par­ti­do de agre­ga­ção, fe­de­ra­ção e mo­bi­li­za­ção

Newspapers in Portuguese

Newspapers from Portugal

© PressReader. All rights reserved.