De­pois do “ano ze­ro”

Edição Público Lisboa - - ESPAÇO PÚBLICO -

a ideia do “ba­nho de éti­ca” e a prá­ti­ca foi ter­rí­vel e, do al­to da sua ar­ro­gân­cia, o lí­der do PSD es­co­lheu um per­cur­so in­com­pre­en­sí­vel pa­ra o co­mum dos mor­tais. Os mor­tais res­pon­de­ram-lhe en­cos­tan­do nas son­da­gens o PSD aos li­mi­tes mí­ni­mos. Se o par­ti­do es­ta­va num es­ta­do de fra­gi­li­da­de ab­so­lu­ta na li­de­ran­ça de Pe­dro Pas­sos Co­e­lho (que pas­sou dois anos em es­ta­do de cho­que e sem re­a­gir, de­pois de Cos­ta lhe ter cap­tu­ra­do o lu­gar de pri­mei­ro-ministro), as coi­sas não me­lho­ra­ram. Num fre­ne­sim des­ne­ces­sá­rio de se dis­tan­ci­ar do que ti­nha si­do a li­de­ran­ça de Pas­sos (des­ne­ces­sá­rio por­que inú­til), Rio ten­tou uma al­te­ra­ção ra­di­cal da lin­gua­gem do pas­sis­mo e, tal co­mo o an­te­ces­sor, fa­lhou cla­mo­ro­sa­men­te na opo­si­ção ao Go­ver­no PS.

Rio res­pon­deu on­tem a Mon­te­ne­gro cri­ti­can­do o ti­ming da can­di­da­tu­ra à li­de­ran­ça, por pre­ju­di­car o par­ti­do em ano elei­to­ral. A ver­da­de é que a ac­tu­a­ção de Rio des­de o iní­cio do man­da­to tem pre­ju­di­ca­do o par­ti­do pa­ra as elei­ções. Em ter­mos de pre­juí­zos, es­tão bem um pa­ra o ou­tro. E é um enor­me pre­juí­zo pa­ra o re­gu­lar fun­ci­o­na­men­to das ins­ti­tui­ções o fac­to de o PSD, par­ti­do fun­da­dor do re­gi­me de­mo­crá­ti­co, es­tar em vi­as de de­sa­pa­re­ci­men­to elei­to­ral. Co­mo a so­ci­e­da­de tem hor­ror ao va­zio, sa­be-se lá o que vem subs­ti­tuir o PSD se con­ti­nu­ar em cur­so a marcha pa­ra a ir­re­le­vân­cia.

A van­ta­gem do de­sa­fio de Luís Mon­te­ne­gro foi po­der­mos ter on­tem vis­to Rui Rio a fun­ci­o­nar sob um shot ener­gé­ti­co que nin­guém lhe ti­nha con­se­gui­do en­con­trar du­ran­te um ano in­tei­ri­nho. Uma vez, Rio dis­se que era me­lhor qu­an­do se sen­tia acos­sa­do. De fac­to, na con­fe­rên­cia de im­pren­sa de on­tem mos­trou uma ca­pa­ci­da­de de ir à lu­ta que nun­ca ti­nha mos­tra­do na ac­ti­vi­da­de de opo­si­ção ao Go­ver­no. A apre­sen­ta­ção de uma mo­ção de con­fi­an­ça é uma for­ma de cor­res­pon­der ao de­sa­fio — não acei­tan­do di­rec­tas, mas acei­tan­do ir a jo­go no ter­re­no do con­se­lho na­ci­o­nal, even­tu­al­men­te mais con­for­tá­vel, mas to­tal­men­te im­pre­vi­sí­vel. Se o de­sa­fio de Luís Mon­te­ne­gro de­sen­ca­de­ar a ca­pa­ci­da­de de opo­si­ção de Rui Rio, já foi um ser­vi­ço pres­ta­do ao PSD. ana.sa.lo­[email protected]­bli­co.pt

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